quarta-feira, maio 14, 2008

Goodnight Irene ou o sorrateiro avanço da minha velhice


Já há algum tempo que não escrevo no blog e tenho pendente um post sobre o filme "I'm Not There" de Todd Haynes, mas a morte de Robert Rauschenberg aos 82 anos e o filme "Goodnight Irene" de Paolo Marinou-Blanco fizeram-me pensar um pouco sobre a dificuldade que é envelhecer e sobre a forma como, de um modo ou de outro, eu me coloco sempre como o mais velho - algo cada vez mais frequente - ou então o mais novo. Estes extremos definem as duas posturas fundamentais da minha existência perante os outros, quer pela minha profissão, quer pelo meu feitio de eterno adolescente. Definem porque, por qualquer motivo, eu vou deixando que definam e as posturas paternalistas alternam com as rebeldes e inconformadas constantemente. No filme "Goodnight Irene" o personagem Alex diz não ter aprendido nada à medida que foi envelhecendo. Ele sabe que não é verdade mas ao mesmo tempo não consegue perceber que processo é esse que não o deixa agir em conformidade com o que aprendeu. Entendo perfeitamente o que ele diz. A idade adulta é sorrateira na forma como, num ápice, nos invade o rosto, planta alguma solidão e nostalgia mas deixa sinais interessantes de auto-segurança e de firmeza. O filme de Paolo Marinou-Blanco é interessante. Tem diálogos muito inteligentes e um projecto bem definido. A resolução da história não me parece tão bem resolvida como o seu miolo e a utilização da voz off acaba por solucionar problemas narrativos mas sem a convicção necessária. A morte, essa etapa final para todas as histórias, ainda não me assusta mas assusta-me a ideia de uma retirada demorada porque tal como Alex o diz "Toda a gente respeita quem está a morrer mas ninguém tem muita paciência para os que demoram demasiado tempo". Este é um filme sobre a amizade e a solidão, sobre a forma como uma não pode nunca existir sem se conhecer a outra.

6 comentários:

ana babo disse...

ainda és uma criança! qual velho qual quê. *

TM disse...

A Ana é tão simpática para consigo!
Tou a brincar :D

Velho são os trapos, não se classifique como velho ou novo, mas sim como adpatável ;)

Ana B disse...

sim.. aposto q es super adaptavel

Inês disse...

tu és um adolescente sem cura é o que é!

kinezumi disse...

so é responsavel quem tem medo dos pais XDDD

Anónimo disse...

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