artes plásticas... cinema... poesia... política... sei lá! ... basicamente as ideias todas a monte... o que passa pela cabeça e que escapa pelos dedos...
... mais um desenho. Este meio a pedido do Filipe Lopes. Sim porque desta vez já estavam o Lopes, o Pascoalinho e a Tita, sempre com o Ricardo Clara. Grandes amigos de viagem! Na televisão o Sporting - Benfica afastou-me dos desenhos durante quase todo o jantar e a saborosa picardia entre o Lopes e o Pascoalinho soube ainda melhor do que a surpreendente picanha no bar dos bombeiros. Não era a melhor picanha mas muitos de vós também nunca viram o bar dos bombeiros...
... a noite seguiu e tornou-se num dia especial por obrigação de calendário. Como é da praxe fiquei um bocadinho mais emo e fiz uma fita à menina mas dancei muito e tive bons abraços. O Abreu e o Danilo não sairam dali e a Marta Joana ficou quase até ao fim com o grande Lopes. Gosto sempre da presença do economista liberal que é o mano Fundo que me tenta em vão ensinar as proezas do sistema económico e as virtudes do crédito, faz-me bem (ele, não o crédito).
Mas hoje quando acordo só uma frase me vem à cabeça...
Mais um ano, mais um Fantas... Para mim este já é o vigésimo!
20 anos de Fantasporto é muita coisa, são muitos filmes, muitas noitadas, muita cerveja, mas principalmente muitos amigos. A maior recompensa que o Fantasporto me deu forma os amigos que fiz durante estes 20 anos. Não me posso esquecer que se não fosse o Fantas dificilmente seria hoje professor de audiovisuais na Soares dos Reis. Aprendi no Fantas a ver Cinema, a falar sobre cinema, a respirar cinema. Conheci o Shynia Tsukamoto, o Dario Argento, o Guillermo del Toro, o Doug Bradley, sei lá... tanta gente... O meu amigo de sempre, o António Pascoalinho, conheço-o há exactamente 20 anos. O Filipe Lopes, O Ricardo Clara, O Ivan, o Fred, nunca mais acaba a lista de amigos. Sempre o Carlão que me levou pela primeira vez em 1988 e que entretanto já não aparece porque a vida lhe exige outros hábitos. Os alunos e alunas da Soares que se juntaram a este grupo de amigos, que até já serviu de notícia de jornal, engrossaram a lista em anos mais recentes. Os namoros que se fizeram. São muitas as coisas boas que o Fantas me deu e deu-me muitos, muitos filmes. "A Chinese Ghost Story" de Siu-Tung Ching foi o vencedor em 88. Chineses voadores em lutas de artes marciais fantásticas a antever a maluqueira que se seguiu no consumo de manga e anime. Vi o Reservoir Dogs, o Se7en, o Braindead, Dead Ringers, Tetsuo, Ichi the Killer, o Cubo, a lista nunca mais acaba. Isto tudo filmes em primeiríssima mão, com direito a acesas e intermináveis discussões no saudoso Carlos Alberto ou no mais recente Rivoli. Dificilmente conseguirei aqui sintetizar 20 anos de Fantasporto, tantas são as histórias. Fazem-se novas todos os anos e as amizades, não é possível eu traduzir a importância das amizades que fiz no Festival.
Este ano mais filmes e mais histórias! Mais um Takashi Miike, o novo Dario Argento - Mother of Tears, Park Chan-wook com I'm A Cyborg and that's OK e Kim Ki Duk com Breath. Para além disto vimos já na abertura o espectacular No Country for Old Men dos irmãos Coen, merecido vencedor do Oscar para o melhor filme. Opium: Diary of a Madwoman do húngaro János Szász é um filme que promete, já premiado em vários festivais. Muita expectativa para [REC] de Jaume Balagueró um filme de zombies que, tal como Cloverfield, Radacted e outros, recorre a um estilo tipo documentário ficcionado ou found footage como estratégia narrativa. Há muita curiosidade por ver Interview de Steve Buscemi com a lindíssima Sienna Miller a contrastar com a cara feia do costume de Buscemi. Mais um filme sobre notícias e jornalistas. Há espaço para uma curta de 3 minutos de Lars Von Trier chamada Occupations e o mais recente Bill Plympton, Shut-Eye Hotel. You, the Living, um filme de Roy Anderson foi o vencedor do Festival de Chicago, mereceu uma longa ovação em Cannes e promete surpreender o público do Fantasporto. The Tattooist e One Missed Call na versão americana (nunca na vida alguém ultrapassa o original de Takashi Miike) são mais dois filmes de terror que completam o cartaz e prometem criar ódios de estimação ou talvez não, quem sabe? O festival encerra com The Mist de Frank Darabont, um verdadeiro filme de terror baseado na história de Steven King. A não perder!
Este é o Fantas 2008. Uma colecção muito interessante de filmes para envergonhar La Féria que se imagina dono do nosso Teatro Municipal e nos enche de musicais foleiros como se isso fosse a única cultura desejada para o país. É fundamental manter o Fantasporto forte. É o nosso Festival de Cinema, um dos melhores do mundo e, pelo menos por uma semana no ano, é a minha casa.
Hoje vou ver o Tetsuo, the Iron Man mais uma vez! Fantasporto Rivoli, pequeno auditório pelas 17.15 h.
Não me canso do Shynia Tsukamoto e dos seus delírios cyberpunk. Filme absolutamente fundamental para a história do cyberpunk japonês conta a história de dois homens que se cruzam num atropelamento e fuga. A metalofilia do atropelado pega-se como uma doença ao condutor e a partir daí o delírio ultrapassa as normais regras da imaginação. Pedaços de metal são expelidos do corpo como se de vulgares borbulhas se tratassem... estão a ver o esquema...
Sempre achei que as explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki tinham provocado mutações no DNA japonês... o resultado é um conjunto de filmes em que o corpo e a tecnologia se fundem numa única forma híbrida e cibernética. A violência e a loucura que resultam desta estranha mutação já deram muitos frutos e hoje o cinema japonês é um misto de pós-modernismo e tradição prtaicamente sem paralelo no cinema ocidental. Muita atenção também às criações da Coreia do Sul (por ex: Kim Ki Duk e Chan-Wook Park) e de Hong Kong.