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artes plásticas... cinema... poesia... política... sei lá! ... basicamente as ideias todas a monte... o que passa pela cabeça e que escapa pelos dedos...
quinta-feira, junho 11, 2015
O sociopata cheio de "connects".
quinta-feira, março 19, 2015
Não sei se existe, mas se não existe passou a existir.
"Como funciona a lista VIP de contribuintes" no Económico.
"A gravação que trama o fisco" na Visão.
"Passos Coelho afirma que o Governo não sabia de nada" no PÚBLICO
Como tem sido habitual nesta governação, tudo o que se vai sabendo e descobrindo sobre as práticas imorais dos membros do governo é justificado com o esquecimento, desconhecimento ou até com a reinterpretação das palavras ditas. Em caso de pânico nega. Nega até ao fim. Se descoberto diz que não sabias. Em última análise pede desculpa e continua como se nada tivesse acontecido...
Em relação à tal lista VIP de contribuintes o mais cómico é que provavelmente não existe mesmo. Não porque não houvesse vontade ou mesmo o desejo de que existisse, até porque foi imaginada e por isso mesmo desejada. Mas o facto é que a lista e o controlo informático que lhe está associado simplesmente não precisam de existir para funcionar. A melhor vigilância é aquela que nem se sabe se existe. "Olha que o Nosso Senhor está sempre a ver!"
O objetivo da lista VIP de contribuintes da Autoridade Tributária é impor o sigilo fiscal mais a uns do que a outros, ou seja, ameaçar os funcionários das finanças, deixando claro que quem andar a bisbilhotar o histórico fiscal de certas figuras importantes está à pega. Para o resto da população estão mais à vontade.
Na verdade a simples ameaça pública de que tal lista existe desmotiva todo e qualquer funcionário da bisbilhotice fiscal aos cidadãos mais importantes de Portugal (sim, isso existe para a maioria dos portugueses). Os mesmos cidadãos que nós queríamos bisbilhotar, precisamente porque também têm mais a esconder. Não é necessário acrescentar que há interesses político/partidários envolvidos. Há sempre.
A esperteza do governo, aliada à sua incapacidade de implementar seja que sistema for que não implique aumento de impostos ou reduções remuneratórias, é perfeitamente possível que tal brilhantismo na proteção do sigilo fiscal nunca tenha saído do reino da ameaça. Mas é suficiente para a asneira estar feita.
É a imposição da nova regra "Olha para o que eu digo e ai de ti se olhas para o que eu faço!". Mas no actual estado de coisas são muito poucos os que entendem o que é a lista VIP (a maioria acredita provavelmente que diz respeito a descontos do fisco) e ainda menos os que discordam da sua existência, mesmo sem saberem que critérios presidiram à sua constituição ou sequer quem lá está.
Estão na moda o estado policial e a opacidade do estado. Á moda antiga como gostam os portugueses.
terça-feira, fevereiro 17, 2015
sábado, janeiro 31, 2015
Processo Educativo, a educação é um modo de fazer e não um resultado.
"The stick which drips paint is a toot which acknowledges the nature of the fluidity of paint. Like any other tool it is still one that controls and transforms matter. But unlike the brush it is in far greater sympathy with matter because it acknowledges the inherent tendencies and properties of that matter."
Robert Morris, escreveu em 1968 um pequeno ensaio que viria a cunhar o termo "Process Art" para um movimento que mais não foi do que um princípio simples de entender a obra de arte como um processo ao contrário de um objeto ou um resultado. Para o efeito Morris realçou o trabalho de Pollock e como os materiais utilizados funcionam uns em articulação com os outros e no estrito respeito pela sua natureza. Assim, para Morris, o "pau" que Pollock utiliza para pingar a tinta sobre a tela está em harmonia com a fluidez da tinta mais do que o tradicional pincel que a disciplina. O "fazer" é a obra e não apenas do ponto de vista performativo. As formas de fazer emergem nos materiais e a sua manipulação é ritual estático. Ao despromover o objeto de arte em relação ao processo que o faz existir Morris está a fazer a mais sincera afirmação. Não são os resultados que nos movem, são os processos.Robert Morris, 1968
A arte de Robert Morris, como a de Pollock, destaca-se pela materialidade e profundidade dos modos de fazer que implica. Estão lá os materiais de uma forma tão palpável que os sentimos intimamente ligados ao prazer que produz a sua manipulação. São trabalhos que produzem em nós o desejo de inventar novas soluções e processos artísticos. Meter as mãos à obra. Morris realça no seu trabalho e nos seus ensaios algo que os artistas sabem há muito. Mesmo quando o objecto de arte se quer destacar do seu próprio processo e se afirma apenas pelo produto final, por vezes quase sobre-humano, para o artista o processo é muitas vezes um ritual quase mágico e os ateliers autênticos santuários do fazer. Há etapas, procedimentos, sons, espaços e estados de alma que constituem um processo nem sempre visível na obra mas fundamental à sua construção.
Nas escolas é igualmente importante valorizar os processos. Numa época em que vivemos rodeados de números e resultados e em que os meios são condicionados pelas finalidades projetadas, a escola deve separar-se dessa loucura insana e afirmar-se como um lugar de processos, de caminhos, e não de metas. Claro que aqui a semântica é importante. O que queremos dizer com umas palavras podemos dizer com outras. Por isso é importante que fique claro o seu significado. Os indicadores, os resultados, são importantes na educação. Mas são-no apenas na medida em que podem ensinar-nos algo sobre o processo.
É fácil manipular os resultados. O mediatismo educativo, a popularidade de rankings e gráficos que vivemos hoje, promove a visibilidade de apenas uns poucos indicadores ou resultados. Facilmente as políticas educativas populistas e centradas nos resultados se deixam levar pela simplificação dos processos e pela economia de meios para alterar os números naqueles indicadores. Por isso os rankings matam as escolas. Sobretudo algumas escolas que se deixam escravizar pelos resultados dos exames e que cedem à tentação de manipular os seus resultados, sacrificando o processo educativo em favor da ilusão criada por uma mão cheia de notas atingidas em três ou quatro provas. O treino para os exames é isso mesmo, um treino. Dificilmente se pode confundir com um processo educativo. Um processo educativo centrado no aluno e em aprendizagens significativas permite outro tipo de resultados, menos mensuráveis no imediato. Porque é centrado nas experiências dos alunos, de cada aluno, e está planeado de modo a produzir conhecimento e felicidade. A escola é um espaço de felicidade e de aprendizagem para a felicidade. Mas a felicidade dos alunos, o gosto por tarefas que promovem o seu desenvolvimento humano e intelectual, o seu empenho e prazer por frequentar a escola, não é reproduzido nos rankings dos resultados imediatos.
A implementação, nas escolas de artes, de modelos de ensino/aprendizagem baseados em projetos e na resolução criativa de problemas pode e deve ser um laboratório para a aplicação destes processos educativos noutros contextos. Uma escola que investe no caminho e não na meta e que deixa que cada aluno possa contribuir também para metas diferentes. Estes modelos implicam uma escola humana, reflexiva e que funciona como coletivo. Uma escola em permanente transformação, produzida por todos os intervenientes enquanto o espaço social que ocupa se vai transformando. Uma escola que rejeita o facilitismo dos resultados imediatos e que opta por viver com entusiasmo o seu dia-a-dia. Esta escola, atelier do aluno, é a escola do "fazer". Não a escola técnica mas a escola do "fazer" diário. Um "fazer" que ensina, com consequências, com espaço de desenvolvimento e crescimento e com oportunidades de correção e recuo. Um "fazer" em conjunto e em partilha. Um "fazer" que promove o conhecimento. A escola não é mais um horário em que os sapientes fazem a transmissão do saber a indivíduos a quem pouco mais se pede do que provar, por escrito, que ouviram a lição. É um espaço de trabalho onde acontece um processo, multidimensional, de desenvolvimento de seres humanos. Como Robert Morris escrevia sobre Pollock e sobre a harmonia entre as ferramentas, os materiais e os suportes numa ação coerente, na escola os meios, os modos de fazer a educação e os alunos devem estar em harmonia.
Se um projecto visa um resultado, um processo, um processo educativo, visa uma transformação eterna, uma ação perpétua. Um aluno preparado para essa transformação e desenvolvimento permanentes será um cidadão que faz avançar o mundo e não simplesmente um que se usa dele para um qualquer objetivo.
Texto para a revista Dinâmicas 3 do Curso de Design de Produto da Escola Artística de Soares dos Reis, publicada em janeiro de 2015.
Consulta a revista neste link.
quinta-feira, janeiro 08, 2015
O Profeta
Nenhum profeta tem medo da imagem. Porque a imagem não é verdadeira nem falsa. É imagem.
Para o Charlie Hebdo.
Nous Sommes Charlie
Je Suis Charlie
Passei a minha vida toda a desenhar bonecos. Nunca o fiz profissionalmente porque a vida me conduziu noutros sentidos mas sempre percebi o poder dos bonecos desenhados. Tenho uma profunda admiração por todos aqueles que fazem do cartoon e desenho satírico a sua vida. Sobretudo aqueles, como os franceses do Charlie Hebdo, que fazem do desenho um campo de batalha pela liberdade de expressão, pela liberdade do humor.
A profissão de jornalista anda arrastada pelo chão por estes pragmáticos do lucro que promovem o trabalho escravo, sem condições, sem estabilidade e sem segurança. Por algum motivo é tão fácil raptar ou matar um jornalista. Os terroristas e mesmo as polícias e os governos de países civilizados têm zero de respeito por estes profissionais. Sobretudo o poder político que os manipula para proveito próprio. Não há liberdade verdadeiramente.
Os artistas também, por outro lado, são desacreditados e espalmados pela lógica do gosto único, surpreendentemente um princípio do marketing neoliberal. Ou alinham em lógicas parvas de mercado ou desaparecem. De modo algum devem provocar o "establishment". No Portugal democrático foram censurados músicos e artistas plásticos que usaram os símbolos da nação. Censura aclamada por elites conservadoras que hoje choram lágrimas de crocodilo. Ai de quem brinque com a fé dominante e com os seus líderes. Quando um cartonista brincou com um Papa foi um escândalo, quando era suposto ser apenas uma brincadeira crítica e inteligente. Os nossos censores não pegam em armas porque são uns piegas medrosos. Não se aguentam à porrada. Matam de outras maneiras.
Não podemos abdicar da nossa liberdade de desenhar o que quer que seja, de dizer o que quer que seja. Os cartonistas do Charlie Hebdo eram uns brincalhões, nunca fizeram mal a ninguém e ajudaram muitos a ver as coisas de outro modo, por outro lado, e dessa forma ajudaram o mundo a compreender-se um pouco melhor.
Estou com eles. Não vou ter medo de desenhar. Recuso-me a ter medo de desenhar porque, entre outras coisas, houve quem tivesse morrido a defender esse direito.
Obrigado Charlie Hebdo. Obrigado Wolinski, Charb, Tignous e Cabu. Vocês e todos os que defendem a liberdade de expressão são os únicos profetas.
No meu pinboard "Illustration" no Pinterest partilhei alguns desenhos destes artistas.
terça-feira, outubro 14, 2014
Agora voe!
O homem insiste que o seu corpo não foi feito para voar que nunca aprendeu a voar e que mesmo que lhe tivessem ensinado seria impossível voar. "Você é que está em cima do parapeito" respondem-lhe. "Você voa, nós só empurramos".
Desesperado o homem procura soluções, é então que pede algum equipamento, como um para-quedas, uma asa-delta ou mesmo um daqueles fatos com asas debaixo dos braços. Mesmo sem preparação para usar o equipamento talvez o dano seja menor e se safe. Respondem-lhe de imediato que esses recursos não existem, não estão disponíveis, e que ele vai ter de voar ainda assim.
O homem desiste, resignado, e diz "Ok, deixem-me falar com a minha família. Se vou morrer quero ao menos despedir-me". "Nem pense nisso homem. Você não está autorizado a morrer. Você só está autorizado a voar". E empurraram-no.
domingo, outubro 05, 2014
O Traquinas da Educação e da Ciência.
Crato nunca demonstrou grande respeito pela Escola Pública. Para ele a educação é um privilégio reservado aos melhores. Por melhores entenda-se os que podem pagar para fazer parte do grupo dos melhores. Para Crato a escola pública não é importante. Porque os melhores arranjam sempre maneira de pagar uma escola ao seu gosto e o Estado escusa de gastar tanto dinheiro numa escola de qualidade para o povo. Ao povo bastam cursos virados para o trabalho. Criar operários baratos. Mas as crianças precisam sobretudo de educação. Precisam de saber ler o mundo, não só as letras.
Nuno Crato não gosta realmente do Ministério que ministra. Não acredita na sua missão. Sobretudo não tem respeito pelos alunos e pelos professores da Escola Pública. Trata-os como seres menores. Abaixo de si.
Nuno Crato foi tão displicente e desleixado na preparação do início do ano letivo que não o chegou a preparar de facto. Tal como foi displicente e desleixado em todo o seu mandato. Desde a primeira medida.
Estragou uma oportunidade que qualquer ministro da educação gostaria de ter - a obrigação legal de vincular milhares de professores contratados. Não soube como fazê-lo. Porque quis dar lições de moral enquanto o fazia e estragou tudo. Quis vincular professores enquanto tentava fazer o país acreditar que não precisava deles e nunca soube como os colocar ou selecionar.
Nuno Crato não soube utilizar a capacidade das escolas de escolherem os professores que queriam. Destruiu a confiança pública numa política de autonomia das escolas. Criou regras matematicamente inaplicáveis e não foi competente a lidar com os problemas que ele próprio criou. Sobretudo não foi verdadeiro, sincero ou transparente. Não foi sequer esforçado.
No dia mundial dos professores há muitos jovens competentes em Portugal que não podem trabalhar com os alunos porque o Ministério está mal organizado e não sabe gerir os seus recursos humanos. A incompetência de Nuno Crato está na base de todos os problemas. O seu desconhecimento do sistema e o seu desprezo pelo sistema condicionaram tudo. Estamos em Outubro e o ano letivo ainda não arrancou como devia.
Ao ministro não chega pedir desculpas, é preciso ter capacidade de trabalho e competência. Nuno Crato é hoje a negação da Escola Pública em pessoa e no entanto continua como ministro.
Resta-nos saber se os danos foram inadvertidos ou provocados deliberadamente. Apesar de tudo tenho uma opinião sobre isso...
sexta-feira, setembro 26, 2014
Os ratos vão abandonando o navio.
Agora aparecem uns cronistas conservadores a condenar o primeiro ministro e a Tecnoforma. Como se a governação de Passos Coelho, que defenderam tantas vezes sem critério, tivesse sido a de outro primeiro ministro. Não foi. Foi a governação de um homem que defende interesses de poucos com o prejuízo de muitos. Que entende o Estado como uma vaca leiteira para abastecer os negócios dos amigalhaços, mas tem horror a que se pague a um desempregado um subsídio mensal que não chega a 10% do que ele, alegadamente, recebeu há 15 anos atrás para não fazer nada. Foi a governação de alguém que nunca foi competente para coisa nenhuma, mas sempre se sentiu acima de todos. Usado como charneira de negócios de um Secretário de Estado tão parolo que teve de mentir e dizer que era doutor. Secretário de Estado esse que defendeu até ao limite quando se provou ter aldrabado o currículo. Isto no mesmo circulo de pessoas que defendem a liberalização das regras laborais e a meritocracia absoluta.
Quando os cronistas conservadores começam a dar para trás é porque querem distância. Cheira-lhes mal. Estão a preparar um novo governador de interesses para que o leite não pare de jorrar das tetas da vaca do Estado. Não, não me deixo enganar por achaques de moralismo de pacote. Quando este senhor deu cabo da vida dos portugueses em troca de nada e estava a destruir meticulosamente a escola pública, o serviço nacional de saúde, a justiça e a proteção legal aos trabalhadores, enquanto distribuía "jobs" a "boys" do partido como se não houvesse amanhã para engordar o "governo mais pequeno de sempre", nessa altura estes arautos da moralidade autocolante usavam a sua eloquência para justificar o injustificável. Não, não me deixo enganar.
terça-feira, julho 22, 2014
Objetivamente a P.A.C.C. é inútil.
-
Porque, objetivamente, a prova, pelo tipo de enunciado que apresenta, não certifica as competências profissionais dos docentes, quer ao nível específico das suas áreas, quer ao nível pedagógico, logo não tem repercussões na qualidade de ensino nas escolas.
- Porque a contratação de professores pelo Ministério da Educação depende apenas das necessidades das escolas, logo nenhum professor é contratado a mais ou a menos por causa da prova.
Não há qualquer tipo de benefício, direto ou indireto, para os alunos das escolas públicas que resulte da aplicação da PAAC. E esta não é uma questão de opinião, é uma questão objetiva.
sábado, julho 12, 2014
A Prova.
- Olha-me este. Passou o ano a brincar e tem tanto potencial. Disse-lhe tantas vezes para não se meter nisto. É muito depressivo, vai ser difícil explicar o conceito. Mas até que está bem feita a coisa. Não é que desenrascou um trabalho com piada. Tenho de anotar aquilo. Podia estar melhor. Mas olha como está crescido. Também não foi fácil. Passou por muito. Está ali o pai. O meu pai nunca foi à escola, quanto mais entrar no trabalho... Olha que engraçado, gosto disto. Está bem feito. Ele tem olho para a coisa. Podia ter melhorado o relatório. É sempre tudo à ultima da hora. Eu bem lhe disse. Ainda me lembro bem quando ele entrou na escola. Está tão diferente. Mas olha que até apresenta bem, nunca o ouvi falar assim. Temos de mostrar isto. Lá fora têm de ver o que eles conseguem fazer. Eu na idade dele nem metade destas coisas sonhava, quanto mais falar ou fazer isto. Terminou. Tantos aplausos. Os colegas gostaram. Até gostei. Tenho de me lembrar de lhe falar daquele detalhe. Mudava isto e ficava perfeito. Tenho de lhe dizer. Vou começar por lhe dar os parabéns, depois dou-lhe a pancada. Prefiro que me tenha raiva hoje mas mais tarde vai perceber que só lhe disse a verdade. Ele põe cá um filho, um dia, se souber que dizemos só a verdade. Sem medo. Se pudesse agora abraçava-o.
Há escolas que não ficam à flor da pele, insistem em entrar.
segunda-feira, junho 23, 2014
Sabem lá eles o que é ser patriota.
Jovem acusado em tribunal por ultrajar bandeira nacional em obra de arte.
Quem não percebe o quão errada é esta acusação não percebe o que significa viver em democracia ou mesmo alcança a profundidade do sentimento de patriotismo.A bandeira é um signo, construído a partir de outros signos e de muitos significados, uma composição, uma frase sobre a identidade nacional. Este signo pode ser usado noutras frases. Não pode haver lei que o impeça.
Por outro lado se alguém quiser por em causa o nacionalismo da frase terá de a ler no seu contexto devido. Ignorar o contexto é ignorar o signo. O signo, segundo Pierce, é composto por três partes. O significante (o corpo), o significado (o que representa) e o referente (a que se refere). Por entendermos o contexto, as bandeiras deixam de ser meras representações gráficas abstratas e passam a ser símbolos que representam as nações. As cores, por exemplo, deixam de ser uma coisa e passam a ser outra. O verde pode ser um prado ou pode ser a esperança. O vermelho pode ser sangue ou pode ser só a complementar do verde, ou uma cor que já existia num estandarte mais antigo.
A importância da bandeira como símbolo é muito antiga e o porta estandarte, ou o porta bandeira, é uma figura simbólica no campo de batalha. Reza a história que tivemos um que perdeu ambas as mãos e ainda assim não cedeu, segurando o estandarte real com os dentes. Isso não invalida, e até reforça, a utilização da bandeira como símbolo nacional no discurso artístico sobre uma nação. Como Jasper Johns (Flag, 1954) a transformou no gozo do fazer. Quando vi pela primeira vez a bandeira americana de Johns senti que se abriam uma infinidade de possibilidades na aplicação das cores e das tintas.
A bandeira é um signo que aparece dentro de um discurso que pode muito bem ser o do desalento ou do sofrimento. E também pode comentar a violência exercida sobre um povo representando-o, ao povo, na forma da sua bandeira. Quando a bandeira é enforcada são enforcados todos os portugueses. Não é o autor que enforca os portugueses, ou enforca Portugal. Os portugueses já foram enforcados, o autor só comenta algo que já aconteceu. Já os tinham posto de tanga. Já os tinham acusado de viver acima das suas possibilidades apesar da sua pobreza. Já lhes tinham dito para sair do seu próprio país. Já tanto foi dito e feito. Não se pode fazer um comentário usando a bandeira? Claro que pode. E deve.
A ignorância sobre a natureza do discurso artístico é grave quando passa todas as etapas da imbecilidade judicial e chega a tribunal. Isso significa que muitos, pelo caminho, não percebem a ponta de um corno do que significa a liberdade de expressão, ser patriota ou viver em democracia.
Atualização: Ministério Público pede absolvição do artista. Alguém inteligente haverá no meio disto tudo.
terça-feira, junho 17, 2014
Este era o único jogo que interessava...
Confesso que, para mim, o Mundial está mais ou menos acabado. Era este o jogo que me interessava. O jogo contra os nossos carcereiros, como no filme "Victory" ou "Fuga para a vitória" de John Huston (1981). Todos os jogos depois deste não apagam esta derrota. Essa fica para a história, assim como a nossa subserviência e a nossa insuficiência. Muitos alemães ontem confirmaram aquilo que já pensavam de Portugal. Aquilo que, na verdade, tantos portugueses pensam de Portugal. Recuso-me a dizer.
O significado político, social e cultural destes confrontos é evidente. Quem o quiser negar está, obviamente, a negar uma evidência. Por algum motivo Angela Merkel foi ao balneário agradecer aos jogadores. Não sei de mais nenhum líder político a tirar selfies no balneário depois de uma vitória que humilhou o adversário. Não fomos David contra Golias. Demitimo-nos. Parecemos sempre mal preparados, fisicamente incapazes, tecnicamente insuficientes, taticamente desorganizados, enfim, atarantados. Com Paulo Bento é sempre assim. Sempre como se fosse a primeira vez. Surpreendidos com o que toda a gente já sabe.
Se Paulo Bento, ao menos, tivesse explicado aos jogadores o que o povo português queria realmente fazer à Alemanha... Morriam em campo. Mas não. Não lêem jornais, não sofrem na pele as dificuldades, estão demasiado distantes daqueles que representam. Trocaram a seleção nacional pela equipa de futebol da Federação Portuguesa de Futebol.
Jogaram lentos, sem chama. Assoberbados pelo calor e pela humidade contra os heróis germânicos que pareciam em casa no Brasil.
Estes jogadores foram profissionais só para não serem amadores (os que amam), não para serem responsabilizados pela sua falta de profissionalismo.
Contra a Alemanha nem tinham de ser profissionais. Só tinham de carregar na alma a alma dos portugueses. Jogar com paixão. É isso que se pede a uma seleção.
Mas o problema não foi apenas a falta de paixão. Não se vai a lado nenhum sem inteligência, sem trabalho, sem conhecimento. Ouvi Del Bosque depois de levar uma abada dos holandeses. Inteligente, elegante na derrota, claro como a água. Senti, naquele momento, que ele libertou uma boa parte do peso daquela derrota. Apaziguou tudo. Paulo Bento, num português horroroso, diz que equilibramos até ao primeiro golo. Até aos 11 minutos. Mais valia estar calado. Por que raio diria aquilo?
Culpou o árbitro mas, bem vistas as imagens televisivas, ninguém vai levar a sério essas queixas. Foi culpa própria. Mais nada.
Era este o único jogo em que a seleção não poderia falhar. Cair de joelhos não. Podíamos perder, mas não ser humilhados. Pelos portugueses empobrecidos, gozados, humilhados, insultados em tantos jornais alemães, nos conselhos europeus, nas comissões, nas decisões das troikas que acham sempre que somos como aquela seleção, um bando de frouxos que nem os salários mais baixos da Europa merece. Porra! Quem não percebe o que isto dói no orgulho lusitano? Muitos dirão que é só um jogo de futebol. Jesse Owens em 1936 também só tinha de correr e saltar naquela terra batida. É muito mais.
É preciso paixão mas não apenas no momento do jogo. É preciso paixão durante a preparação. Se alguma vez existiu, eu não vi nem ouvi falar dela. Não se ouviu falar de tática, era Postiga (lesionadíssimo) ou Almeida. Não se ouviu falar de treino para o calor, ao contrário dos Alemães. Ouviu-se falar de fãs, de fãs, de fãs e de fãs de Cristiano Ronaldo, e do joelho. O maldito joelho. As luzes de Ronaldo, o mais trabalhador dos jogadores, encandearam tudo e o resultado foi este. Temos ainda a oportunidade de dar a volta contra americanos (muito bem organizados e por um alemão) e ganeses. Preferia não ter uma réstia de esperança, mas sou um parvo.
sexta-feira, junho 13, 2014
Mais vale uma P. do que um F.P.
Há contradições insanáveis na decisão sobre a contabilização de atividades criminosas no cálculo do PIB. Sei que não será um exclusivo do nosso país mas ainda assim deveremos refletir sobre que estado de alienação ética ou técnica promove este tipo de raciocínio. Ainda que algumas destas atividades pudessem, após algum debate e reflexão, ser descriminalizadas e tributadas sempre que exercidas dentro da lei, é difícil aceitar esta medida como lógica.
Sabemos bem que estes grandes números, como o PIB, têm uma relação cada vez menor com o bem estar dos cidadãos, com os números da pobreza ou outros. São indicadores que servem aos grandes negócios e às lógicas de acumulação capitalista. Nada mais.
Também sabemos que o PIB já refletia alguns negócios criminosos por via das atividades de alguns nacionalistas a militar nos bancos e nas grandes empresas, com ajuda da vista grossa dos reguladores e da justiça, por isso a prostituição e o tráfico de droga pouco melindram os princípios éticos da nossa inteligenza económica.
Será que amanhã a atividade da polícia no ataque ao crime irá ponderar o interesse económico do país? O Ministro da Administração Interna poderá ponderar na vantagem de usar despesa pública para atacar negócios que acrescentam ao Produto Interno Bruto do país. Para que servirá a ASAE? A única polícia do futuro será a polícia fiscal. A lembrar o Príncipe João da história de Robin Hood que sendo a única autoridade mais não fazia do que cobrar impostos aos pobres.
Por este andar vale mais a prostituição e o tráfico de droga do que a educação ou a saúde.
Alguns dirão que tudo que é circulação de dinheiro conta, mas eu lembro que um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento é uma justiça eficaz e abrangente fomenta a segurança e o investimento. Incluir no PIB o que foge à polícia é assumir a incapacidade de gestão e organização das atividades económicas de um país. É uma medida neoliberal imbecil fruto deste zeitgeist de cabelo ao vento no cabriolet e relativismo ético interesseiro.
Quem diria que o governo de direita mais moralista e conservador depois do 25 de abril iria comprometer tantos valores em troca de dinheiro?
A mim não me espanta muito...
quarta-feira, junho 11, 2014
O passado deles é o nosso presente.
A presunção, no discurso do Presidente, de que "soubemos vencer as adversidades de um tempo muito difícil", como se as adversidades fossem coisa do passado, "dos últimos três anos" e não se prolongassem ainda hoje ou se projetassem no futuro, é de um cinismo e insensibilidade social próprio de alguém que não foi talhado para representar um povo.
Depois de uma semana em que o Primeiro Ministro e seus acólitos nos brindaram com todo o tipo de birras, insultos e ameaças ao Tribunal Constitucional e à própria lei fundamental por não terem sido autorizados a baixar ainda mais os salários e as pensões, só por gozo alguém considera que as adversidades pertencem ao passado.
Depois de o INE provar que o PIB está novamente a recuar, que as exportações baixaram e a balança comercial está de novo desequilibrada só por calculismo político inadmissível alguém pode considerar a crise uma coisa do passado.
O passado do Presidente da República é o nosso presente e provavelmente o nosso futuro. Isto a acreditar nas palavras dos próprio Primeiro Ministro.
É por estas e por outras que quando o PR desmaia durante uma cerimónia ninguém se cala em respeito ao senhor. Porque ele nos falta ao respeito todos os dias, porque não cumpre o seu juramento, porque não é um de nós. A Presidência da República merece-nos o respeito de ser o alvo privilegiado dos mais importantes protestos. Se o programa de empobrecimento não parou por causa do mal de tantos porque pararia o protesto por uma simples indisposição de um?
Não lhe desejo a doença mas sei que ele também, na prática, não nos deseja a saúde.
sexta-feira, maio 23, 2014
Porque estão os professores desmotivados?
"Quase dois terços dos professores admitem que a motivação para estar na escola diminuiu nos últimos anos"
PÚBLICO, Samuel Silva, 23 de maio
Desconhecendo a amostra deste estudo em detalhe diria que me parece, à primeira vista, demasiado pequena. Gostaria, apesar de tudo, de realçar o conceito de "massacre sistemático" da comunicação social que contribui, junto com o discurso do poder político, para enfraquecer os professores e desvalorizar o trabalho da escola.
No entanto não podemos deixar de constatar que muitos professores contribuem para o discurso negativo centrando-se, por exemplo, na questão da indisciplina como factor desestabilizador da profissão quando, na verdade, faz parte das competências profissionais de um docente identificar, estudar e procurar soluções de um modo colaborativo para questões como essa. O trabalho de um professor é sempre com os alunos que tem à frente e não com outros que o sonho imagina melhores ou mais sossegados.
É urgente que os professores se afirmem como profissionais com saberes únicos e específicos capazes de lidar com os desafios (sejam eles quais forem) que as gerações atuais e futuras de alunos lhes colocam. Devemos adaptarmo-nos à realidade dos alunos com os quais trabalhamos de modo a ser possível estes realizarem aprendizagens significativas, sejam quais forem as circunstâncias ou as dificuldades. É um projeto profissional. O engenheiro de pontes também não pede um rio mais estreito para ligar as duas margens.
Não se pode ignorar, apesar de tudo, que a desvalorização dos salários equivale a uma desvalorização social da profissão e que ambas, o empobrecimento e a desvalorização social, se somam e multiplicam assim o efeito desmoralizador. Mas nada disto é ao acaso. O ataque aos professores é um ataque à ideia de escola pública e escola para todos. É um ataque ao projeto de uma sociedade que promove a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. É isso que está em causa e é desse ataque que os professores se devem defender. Pessoalmente (e nem todos têm de ser como eu) é neste momento que me sinto mais motivado. Mas é pelos motivos piores. É por sentido de resistência e por preocupação pelo futuro difícil dos meus alunos. A desmotivação dos professores é totalmente justificada e não se limita à classe docente.
Para o poder político neo-conservador que nos governa a escola pode, se correr mal, encurtar as distâncias e aproximar as oportunidades. A escola pode, se correr mal, abrir os olhos dos futuros trabalhadores para a natureza da exploração laboral e das novas escravaturas. A escola pode, se correr mal, ensinar a tolerância e o respeito pela diferença. A escola pode, se correr mal, fomentar uma crítica dos valores e por em causa os preconceitos que passam por tradição. A escola pode, se correr mal, fazer de crianças e jovens adultos que pensam de modo crítico e que exigem respeito e democracia.
Enfim, se correr mal, a escola pode ser um ninho de subversivos com uma visão mais clara do mundo.
Na Soares dos Reis fazemos um esforço para que corra muito mal. A vingança contra este sistema é o conhecimento e a vontade de saber que plantamos nas cabeças dos alunos como quem coloca uma bomba que mais tarde explode e transforma o mundo completamente. É um acto subversivo e terrorista promover o conhecimento em países europeus pobres e endividados em pleno séc. XXI e os professores, a cada aluno que ensinam, estão a criar homens-bomba da liberdade do pensamento e do conhecimento.
Vote Noutro Qualquer!
Em véspera de eleições para o Parlamento Europeu, gostava de deixar um forte apelo ao voto. Ficar em casa é entregar o ouro ao bandido.
Como mensagem política, em final de campanha deixo aqui um pequeno guião em notícias reunido rapidamente mas que será esclarecedor:
"Merkel apoia Juncker para suceder a Barroso" Jornal de Negócios, 3 de fevereiro
"PSD critica PS e apoia Juncker" Correio da Manhã, 7 de março.
"Marcelo justifica voto na coligação só para eleger Juncker" Público, 20 de maio
"Merkel decide formação da Comissão Europeia antes das eleições"Jornali, 21 de maio
"Nicolas Sarkozy propõe fim da igualdade dos Estados na União Europeia" Expresso, 22 de maio
Faça como eu e VOTE NOUTRO QUALQUER!
domingo, maio 11, 2014
Andamos a contribuir para o porquinho deles...
Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães Isabel Arriaga e Cunha (Bruxelas) in Público 11/05/2014 - 08:10
Já o tinha dito e afirmado logo no início da crise. O resgate foi uma transferência indireta para os cofres de bancos alemães e franceses. Agora vem alguém comprovar isso.
Não era difícil chegar a essa conclusão. Tudo o indicava.
Mas para além de percebermos que desde o início esta crise não foi culpa dos portugueses, mais importante, neste momento, é denunciar a fraude que é o sucesso do programa de ajustamento. É uma irresponsabilidade que roça a traição festejar este programa.
Diz Philippe Legrain ao Jornal Público:
"[...] a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa."
Philippe Legrain, ex-conselheiro do actual presidente da Comissão Europeia
terça-feira, maio 06, 2014
Os alunos não são atletas mas podem ser todos vencedores
Inovação, Democratização e Imaginação são os três factores fundamentais para a melhoria constante dos recordes desportivos. David Epstein demonstra, nesta conferência TED, como a única coisa que se transformou para que o ser humano atinja novos máximos físicos foi o seu querer, o seu engenho tecnológico, o seu conhecimento científico, a sua vontade de treinar e a oportunidade de cada um ser diferente ou de tirar partido da sua diferença.
Enquanto ouço David Epstein vou refletindo sobre como o sucesso educativo depende dos mesmos fatores. Da nossa capacidade de conhecer melhor os alunos e o seu modo de aprender, da tecnologia que usamos para os ensinar, das expectativas que vamos semeando nas suas cabeças e que fomentam o seu querer e, muito importante, do respeito que devemos ter pelas diferenças entre os alunos e como elas representam potenciais diferentes e não necessariamente dificuldades de aprendizagem ou de adaptação. Se a sociedade e o poder político de hoje olhasse de um modo mais humano, mais pragmático e mais científico para a educação estaria a potenciar todos os alunos em vez de fazer uma cínica e cuidadosa seleção social, com objetivos políticos e económicos.
Os professores, em contacto direto e humano com os seus alunos, vão acreditando no seu potencial e vão remando contra a maré sistémica que parece querer garantir que muitos trabalhem barato para o benefício de muito poucos.
Reconhecer a hipocrisia embutida nos sistemas de seleção falsamente meritocráticos em que se tornaram os sistemas educativos modernos é um primeiro passo para a construção de soluções eficazes e para o cumprimento cabal da declaração dos direitos da criança e da declaração dos direitos do homem.
Se pensarmos bem e se quisermos trabalhar bem, todas as escolas podem ser escolas de sucesso e todos os alunos podem ter direito ao seu sucesso educativo.
Agora imaginem uma economia assente no sucesso de cada cidadão em vez de uma economia assente na desvalorização do trabalho, na desescolarização das aprendizagens (querem empresas a ensinar alunos, não é?) e com a finalidade única do aumento do lucro corporativo. É utópico apenas na medida em que é realizável. Um sistema educativo eficaz é uma distopia para o capitalismo neoliberal que se instalou na Europa. Porque não promove a exploração do trabalho barato, fruto de uma fraca educação, e nesse sentido não contribui para a diminuição dos custos de produção e provoca, necessariamente, uma diminuição do lucro corporativo, hoje a medida de todas as coisas quanto à saúde financeira de um Estado.
quarta-feira, abril 30, 2014
Conhece alguém que precise do First Certificate para alguma coisa?
O teste de Cambridge foi hoje às escolas mas...
Eu percebo que queiram aumentar a qualidade do ensino de inglês. Percebo, mas levantam-se algumas questões. Este certificado tem uma validade muito baixa ou mesmo nula. Não serve para estudar no Reino Unido ao nível do Ensino Superior, por exemplo. Não se percebe o investimento neste grau se ele tem pouca ou nenhuma utilidade prática, sobretudo num momento em que a escolaridade obrigatória é o 12º ano.
Se fosse um exame em que a classificação final resulta num nível de proficiência em Inglês? Mas não é. Ou se passa ou não. E o First Certificate não serve na prática para absolutamente nada. Servirá para emigrar, talvez... Nem isso.
Por outro lado não me parece que a certificação em Inglês que este grau atribui, para o habitual empregador que exige menos do que a escolaridade obrigatória a quem contrata, seja assim tão determinante. Dificilmente o First Certificate fará diferença na contratação de alguém com o 9º ano. Sejamos sérios.
Este exame é um negócio. Pura e simplesmente um negócio. Com a conivência de uma Confederação de Associações de Pais que parece pouco preocupada com a qualidade de ensino e mais preocupada com diplomas e outras aparências. Parece que defende sobretudo os interesses dos alunos provenientes de famílias com alguns recursos financeiros, quer seja para pagar o exame quer seja para dar uso ao seu Inglês.
O objetivo será fazer a mesma coisa no final do 11° ano. Mas em que medida faz sentido associar a aprendizagem de uma língua a uma certificação por uma entidade privada? Não faria mais sentido certificar o exame nacional de Inglês?
Esta má ideia é o exemplo das não medidas que o MEC gosta de tomar. Melhorar alguma coisa nas escolas? Naaaaa... Criar um exame pago para um certificado inútil pago a uma entidade privada? Grande ideia! E depois os pouco produtivos somos nós...















