Serei sempre contra uma visão utilitarista da justiça, da educação ou mesmo da intervenção da Segurança Social. Não cabe, em situação alguma, ao Estado ou a qualquer outra instituição o direito de limitar uma mulher na procriação. Por muito que pareça lógico ou economicamente favorável um Estado não pode impor uma cirurgia deste tipo a uma mulher. É este consenso sobre a violência que o Estado vai cometendo sobre aqueles que devia proteger que nos deixa indefesos perante estes momentos de lei marcial económica. Confundimos a estreita moral utilitária economicista com valores éticos absolutos. Um juiz que deixa passar uma situação destas deveria renunciar e dedicar-se a outra coisa qualquer. Não serve a lei, a justiça ou os cidadãos. Valha-nos que ainda vão aparecendo vozes esclarecidas como nos é contado nesta notícia do Público.
Clique aqui para ler este blog no ipad!
artes plásticas... cinema... poesia... política... sei lá! ... basicamente as ideias todas a monte... o que passa pela cabeça e que escapa pelos dedos...
domingo, janeiro 27, 2013
Sobre o caso da laqueação de trompas e a proteção das crianças.
Republicação da minha página no Facebook.
quarta-feira, janeiro 02, 2013
O discurso de ano novo do nosso PdR. (republicação do facebook)
O nosso querido Professor de Economia acabou agora de falar. Deu uma aula interessante sobre uma teoria impossível.
As contas de que fala têm séculos de existência e só funcionam hoje naquelas cabecinhas quadradas, recitadas como um credo religioso, pontuadas com umas pitadas de elogio fúnebre a um povo moribundo. Sabemos ser pobres bem! Olha que bom!
O senhor não explica, embora fale disso, porque é que a receita aplicada piorou a tal percentagem da dívida de que falou. Piorou a situação que era suposto resolver! Isso não será um sinal? Não, nós somos todos burros.
A minha conclusão? Está preocupado em respeitar acordos, não em resolver problemas. Os tais acordos que em 2010 e 2011 não previram a crise da zona euro. Realizados por gente muito competente vê-se bem. A tal crise já existia e só piorou com os tais maravilhosos acordos e programas. Os que temos de cumprir a qualquer custo.
Ficamos a saber que o nosso PdR tem amigos que acreditam em Portugal. Amigos estrangeiros. Uau! E também que alguns desses precisam de empréstimos para investir. Sugiro o BANIF, acabou de garantir 1100 milhões de euros que não existiam para a educação ou para a saúde e que os tais senhores dos acordos nem se importam que a gente gaste... já se fosse em escolas ou salários seria um escândalo. Não há pachorra senhor Presidente. Para si e para a geração de políticos e economistas que representa em Portugal.
Desejo-lhe um ano tão bom quanto o será para um dos nossos milhares de desempregados. Obrigado por tudo.
As contas de que fala têm séculos de existência e só funcionam hoje naquelas cabecinhas quadradas, recitadas como um credo religioso, pontuadas com umas pitadas de elogio fúnebre a um povo moribundo. Sabemos ser pobres bem! Olha que bom!
O senhor não explica, embora fale disso, porque é que a receita aplicada piorou a tal percentagem da dívida de que falou. Piorou a situação que era suposto resolver! Isso não será um sinal? Não, nós somos todos burros.
A minha conclusão? Está preocupado em respeitar acordos, não em resolver problemas. Os tais acordos que em 2010 e 2011 não previram a crise da zona euro. Realizados por gente muito competente vê-se bem. A tal crise já existia e só piorou com os tais maravilhosos acordos e programas. Os que temos de cumprir a qualquer custo.
Ficamos a saber que o nosso PdR tem amigos que acreditam em Portugal. Amigos estrangeiros. Uau! E também que alguns desses precisam de empréstimos para investir. Sugiro o BANIF, acabou de garantir 1100 milhões de euros que não existiam para a educação ou para a saúde e que os tais senhores dos acordos nem se importam que a gente gaste... já se fosse em escolas ou salários seria um escândalo. Não há pachorra senhor Presidente. Para si e para a geração de políticos e economistas que representa em Portugal.
Desejo-lhe um ano tão bom quanto o será para um dos nossos milhares de desempregados. Obrigado por tudo.
quarta-feira, dezembro 12, 2012
quinta-feira, dezembro 06, 2012
Carta aos meus alunos.
Aos meus alunos,
Hoje decidiram protestar nas ruas. Não apoiei a decisão apesar de defender a sua justiça. Creio que o momento certo ainda está para vir. É o meu lado estratega a pôr-se à frente do impetuoso.
Devo, no entanto, salientar a justiça do protesto. As medidas resultantes da aplicação da legislação mais recente no ensino artístico trazem graves injustiças no vosso acesso ao ensino superior.
Em causa estão os exames de Português e Filosofia a aplicar já este ano mesmo ao 12º ano e a não utilização das classificações da P.A.A. e da F.C.T. no cálculo da média de acesso ao ensino superior.
A direção fez propostas para a sua alteração e para uma aplicação gradual dos exames e espera que, pelo menos em parte, estas propostas sejam atendidas pelo M.E.C. Acreditamos verdadeiramente que a justiça das nossas pretensões, que são as vossas, vai prevalecer. Não porque sejamos fortes ou berremos mais alto mas porque temos razão.
Somos uma escola de artistas, artistas cultos que sabem Português e Filosofia, mas artistas ainda assim e é desse modo que os alunos devem ser avaliados.
Somos a escola dos que querem aprender mais e mais cedo, não a escola dos que fogem ao trabalho. É isso que vamos provar àqueles que querem fazer de nós uma escola das Ciências e das Humanidades com umas aulitas de Desenho para enganar. Não há cursos de música sem instrumentos e nós temos o Projeto e as nossas oficinas. Sabemos que não basta pensar nas coisas é preciso fazê-las e devemos rejeitar este modelo em que vos querem dar cada vez menos aulas para terem tempo para estudar para os exames.
A escola existe para ensinar, para dar aulas, para dar espaços de trabalho aos seus alunos, não para os mandar para casa estudar. Não para os ordenar pela sua capacidade de responder a perguntas escritas num determinado tempo.
A vossa Soares dos Reis é a casa onde vocês trabalham tanto como outro qualquer trabalhador numa empresa (o mesmo número de horas por semana). Aprendem e fazem dentro da escola, não lá fora em explicações ou a estudar em casa. É assim que deve funcionar.
Vamos defender o nosso modelo juntos contra os que vos acham incapazes de transformar o mundo.
Como vosso professor proponho que sejamos, em protesto, os melhores do mundo. Que este ano as Provas de Aptidão Artística sejam as mais espectaculares. As notas de Português, História, Desenho ou Filosofia sejam as mais altas. Contra tudo e contra todos porque ninguém pára um artista com uma causa.
Proponho usarmos o artista chinês Ai Weiwei como inspiração contra esta visão preguiçosa do mundo que nos querem impor. A liberdade de um artista nunca termina e é nos momentos difíceis que o seu trabalho se levanta ainda mais relevante e genial. Para nós este é o momento de sermos geniais.
José António Fundo
Professor de Imagem e Som
Escola Artística de Soares dos Reis.
Ai Weiwei fez este vídeo para fazer rir o povo chinês enquanto lutam contra aquilo que o governo lhes tira e o vídeo foi bloqueado pelas autoridades.
Notícia da Agência Lusa (via Jornal Público) neste link.
Hoje decidiram protestar nas ruas. Não apoiei a decisão apesar de defender a sua justiça. Creio que o momento certo ainda está para vir. É o meu lado estratega a pôr-se à frente do impetuoso.
Devo, no entanto, salientar a justiça do protesto. As medidas resultantes da aplicação da legislação mais recente no ensino artístico trazem graves injustiças no vosso acesso ao ensino superior.
Em causa estão os exames de Português e Filosofia a aplicar já este ano mesmo ao 12º ano e a não utilização das classificações da P.A.A. e da F.C.T. no cálculo da média de acesso ao ensino superior.
A direção fez propostas para a sua alteração e para uma aplicação gradual dos exames e espera que, pelo menos em parte, estas propostas sejam atendidas pelo M.E.C. Acreditamos verdadeiramente que a justiça das nossas pretensões, que são as vossas, vai prevalecer. Não porque sejamos fortes ou berremos mais alto mas porque temos razão.
Somos uma escola de artistas, artistas cultos que sabem Português e Filosofia, mas artistas ainda assim e é desse modo que os alunos devem ser avaliados.
Somos a escola dos que querem aprender mais e mais cedo, não a escola dos que fogem ao trabalho. É isso que vamos provar àqueles que querem fazer de nós uma escola das Ciências e das Humanidades com umas aulitas de Desenho para enganar. Não há cursos de música sem instrumentos e nós temos o Projeto e as nossas oficinas. Sabemos que não basta pensar nas coisas é preciso fazê-las e devemos rejeitar este modelo em que vos querem dar cada vez menos aulas para terem tempo para estudar para os exames.
A escola existe para ensinar, para dar aulas, para dar espaços de trabalho aos seus alunos, não para os mandar para casa estudar. Não para os ordenar pela sua capacidade de responder a perguntas escritas num determinado tempo.
A vossa Soares dos Reis é a casa onde vocês trabalham tanto como outro qualquer trabalhador numa empresa (o mesmo número de horas por semana). Aprendem e fazem dentro da escola, não lá fora em explicações ou a estudar em casa. É assim que deve funcionar.
Vamos defender o nosso modelo juntos contra os que vos acham incapazes de transformar o mundo.
Como vosso professor proponho que sejamos, em protesto, os melhores do mundo. Que este ano as Provas de Aptidão Artística sejam as mais espectaculares. As notas de Português, História, Desenho ou Filosofia sejam as mais altas. Contra tudo e contra todos porque ninguém pára um artista com uma causa.
Proponho usarmos o artista chinês Ai Weiwei como inspiração contra esta visão preguiçosa do mundo que nos querem impor. A liberdade de um artista nunca termina e é nos momentos difíceis que o seu trabalho se levanta ainda mais relevante e genial. Para nós este é o momento de sermos geniais.
José António Fundo
Professor de Imagem e Som
Escola Artística de Soares dos Reis.
Notícia da Agência Lusa (via Jornal Público) neste link.
Tem a ver com:
arte,
educação,
ensino artistico,
política,
soares dos reis
segunda-feira, dezembro 03, 2012
Por uma internet livre.
Um Documentário sobre o movimento para uma rede livre, uma internet livre, no contexto do "Occupy Wall Street". O controlo exercido, pelo poder, sobre todos os nossos movimentos e a (im)possibilidade de criarmos uma estrutura realmente livre de comunicação. É impressionante como o medo da existência de um pensamento livre e da livre circulação de informação levou a polícia de Nova Iorque, devidamente instruída para o efeito, protegeu a propriedade privada destruindo a propriedade colectiva.
A luta por uma sociedade livre, contra o poder esmagador do capital de Wall Street, a luta em defesa de uma internet livre, está hoje perdida. É importante, apesar de tudo, que aqueles que participam no processo de destruição da liberdade e do espírito humano saibam que nós sabemos quem eles são e o hoje não é o amanhã. É importante que o 1% que domina não durma descansado. Nem uma noite.
Via MotherBoard (lê o artigo de Brian Anderson que deu a origem a este post).
A Free Network Foundation.
A luta por uma sociedade livre, contra o poder esmagador do capital de Wall Street, a luta em defesa de uma internet livre, está hoje perdida. É importante, apesar de tudo, que aqueles que participam no processo de destruição da liberdade e do espírito humano saibam que nós sabemos quem eles são e o hoje não é o amanhã. É importante que o 1% que domina não durma descansado. Nem uma noite.
Via MotherBoard (lê o artigo de Brian Anderson que deu a origem a este post).
A Free Network Foundation.
Tem a ver com:
economia,
fnf,
internet,
occupy wall street,
open source,
política,
sociedade,
vídeo
quarta-feira, novembro 14, 2012
Serei sempre contra o projeto meritoCratico.
Novas regras de exames penalizam alunos do ensino artístico
Público 13.11.2012 - 18:31 Por Clara Viana
As escolas públicas, inundadas em burocracia, obrigadas a funcionar como empresas públicas sem poderem contratar pessoal competente para os seus serviços administrativos, obrigadas a cumprir o código da contratação pública sem um único economista ou advogado no quadro - são as únicas empresas públicas em que isto acontece - terão daqui para a frente menos recursos financeiros. O que equivale a menos recursos educativos.
Enquanto o Ministério estrangula as escolas públicas, vai criando dificuldades aos seus alunos no acesso ao ensino superior:
Agora o aluno tem de decidir no final do 11º ano se quer prosseguir estudos? Não pode decidir mais tarde, no fim do 12º ano? Não é livre de o fazer sem ter necessariamente de fazer um exame a uma disciplina que já terminou no 11º ano? É que há mais cadeiras para se fazer exame. Escolher a Filosofia e o Português é apenas avaliar alunos de artes com um peso descomunal da área das letras desvirtuando qualquer avaliação do seu percurso. E passa a haver duas médias. Uma de conclusão e outra para prosseguimento de estudos. O que significa que vão surgir alunos com o 12° ano feito sem direito a prosseguir estudos no ensino superior em Portugal. Mas lá fora já podem. Que inteligente!
Presumo que as Belas Artes e as Faculdades de Arquitetura e de Design ou Audiovisual não foram consultadas sobre a qualidade dos alunos do artístico especializado ou sequer sobre as competências do aluno que para lá concorre. E agora o trabalho dos alunos na sua área vocacional como é a Prova de Aptidão Artística ou a Formação em Contexto de Trabalho não conta? E conta um exame de Filosofia?
Quem é que se lembra de medidas como estas?
A resposta é só uma. Um ministro com uma agenda. Favorecer o ensino privado em primeiro lugar, enterrar o ensino público, depois de o condenar aos maus resultados e ao abandono (talvez para o vender mais tarde), e criar em Portugal um sistema de ensino que garante a reprodução social. Os filhos dos ricos vão para a faculdade, os dos pobres vão para aquela coisa importada da Alemanha, aprender a ser operários das Auto-Europas do futuro estado feudal português. Nuno Crato é muito pior do que Vitor Gaspar. O problema de Crato é que as escolas são bem mais duras do que os contribuintes e esta luta não termina nunca. Havemos de ter um ensino público de qualidade e um sistema de ensino justo para todos. Apesar de Crato, apesar do Ministério da Educação a escola pública artística vai prevalecer.
Outra nota:
Há quem me diga que mais vale estar calado. Que serei prejudicado por escrever o que penso. Haverá quem se vai aproveitar da minha vontade de escrever para prejudicar a Soares dos Reis e marcar pontos para a meritoCratia. Tenho recebido ataques mas permaneço convicto do que escrevo. Não gosto desta política. Não gosto. Não vou fingir que gosto. A minha função como subdiretor da Soares dos Reis obriga-me a ter uma opinião sobre a organização administrativa e pedagógica da escola, do ensino artístico. Podia ficar calado, à espera da palmadinha nas costas dos senhores com poder ou influência, ou então defender os meus alunos, os meus colegas, a minha escola. Decidi-me pela segunda.
Público 13.11.2012 - 18:31 Por Clara Viana
As escolas públicas, inundadas em burocracia, obrigadas a funcionar como empresas públicas sem poderem contratar pessoal competente para os seus serviços administrativos, obrigadas a cumprir o código da contratação pública sem um único economista ou advogado no quadro - são as únicas empresas públicas em que isto acontece - terão daqui para a frente menos recursos financeiros. O que equivale a menos recursos educativos.
Enquanto o Ministério estrangula as escolas públicas, vai criando dificuldades aos seus alunos no acesso ao ensino superior:
- Exames relativos a três anos de ensino - Onde já se viu? Nenhum adulto admitiria fazer isto, preparar dois ou três exames para a mesma semana com dois ou mais anos de matéria dada para cada um. Não é facilitismo nenhum rejeitar esta proposta, é só sensato. Esta regra beneficia os do costume, os que fazem os exames em ambiente controlado com recursos ilimitados e sem pressão nas notas.
- Acabar com o contributo da Educação Física para a média do ensino secundário - Uma área em que a oferta de muitos colégios privados de excelência é muito carênciada. Em breve nem obrigatória será. Quem quer saber do desporto e da educação desportiva? Crato não é de certeza.
- Criação de exames como barreira nos sistemas alternativos aos enfadonhos ciêntifico-humanísticos - Os exames nos cursos profissionais serão inclusive a disciplinas que os alunos nunca frequentaram. Gostaria de saber qual a reação das elites se os meninos dos colégios fossem assim surpreendidos de um momento para o outro? É inaceitável esta medida.
- Acabar com o ensino vocacional de qualidade e concentrar a avaliação dos alunos em disciplinas clássicas e genéricas favorecendo mais uma vez os colégios privados com poucas condições para um ensino diversificado. É mais barato ensinar para exames de Português, Filosofia ou Matemática do que ter oficinas equipadas e projetos educativos dinâmicos e diversificados.
Agora o aluno tem de decidir no final do 11º ano se quer prosseguir estudos? Não pode decidir mais tarde, no fim do 12º ano? Não é livre de o fazer sem ter necessariamente de fazer um exame a uma disciplina que já terminou no 11º ano? É que há mais cadeiras para se fazer exame. Escolher a Filosofia e o Português é apenas avaliar alunos de artes com um peso descomunal da área das letras desvirtuando qualquer avaliação do seu percurso. E passa a haver duas médias. Uma de conclusão e outra para prosseguimento de estudos. O que significa que vão surgir alunos com o 12° ano feito sem direito a prosseguir estudos no ensino superior em Portugal. Mas lá fora já podem. Que inteligente!
Presumo que as Belas Artes e as Faculdades de Arquitetura e de Design ou Audiovisual não foram consultadas sobre a qualidade dos alunos do artístico especializado ou sequer sobre as competências do aluno que para lá concorre. E agora o trabalho dos alunos na sua área vocacional como é a Prova de Aptidão Artística ou a Formação em Contexto de Trabalho não conta? E conta um exame de Filosofia?
Quem é que se lembra de medidas como estas?
A resposta é só uma. Um ministro com uma agenda. Favorecer o ensino privado em primeiro lugar, enterrar o ensino público, depois de o condenar aos maus resultados e ao abandono (talvez para o vender mais tarde), e criar em Portugal um sistema de ensino que garante a reprodução social. Os filhos dos ricos vão para a faculdade, os dos pobres vão para aquela coisa importada da Alemanha, aprender a ser operários das Auto-Europas do futuro estado feudal português. Nuno Crato é muito pior do que Vitor Gaspar. O problema de Crato é que as escolas são bem mais duras do que os contribuintes e esta luta não termina nunca. Havemos de ter um ensino público de qualidade e um sistema de ensino justo para todos. Apesar de Crato, apesar do Ministério da Educação a escola pública artística vai prevalecer.
Outra nota:
Há quem me diga que mais vale estar calado. Que serei prejudicado por escrever o que penso. Haverá quem se vai aproveitar da minha vontade de escrever para prejudicar a Soares dos Reis e marcar pontos para a meritoCratia. Tenho recebido ataques mas permaneço convicto do que escrevo. Não gosto desta política. Não gosto. Não vou fingir que gosto. A minha função como subdiretor da Soares dos Reis obriga-me a ter uma opinião sobre a organização administrativa e pedagógica da escola, do ensino artístico. Podia ficar calado, à espera da palmadinha nas costas dos senhores com poder ou influência, ou então defender os meus alunos, os meus colegas, a minha escola. Decidi-me pela segunda.
segunda-feira, novembro 12, 2012
Pétain Passos, o agente de liquidação.
Gostei hoje de saber que, para Passos Coelho, comentar o falhanço óbvio da sua política económica é doentio e a unanimidade da análise ainda o confirma.Extraordinário! Veio uma senhora alemã que gosta dos portugueses para mão de obra barata e pouco mais, justificar a asneira de um governo desorientado sem rumo e que defende tanto a economia lusa como o governo de Vichy defendeu os franceses. O nosso Pétain Coelho envergonha-nos na sua lamentável e caricata promoção de uma nação em estado de liquidação. Isso sim é doentio.
Só faltou dizer que fazemos mais a metade do preço porque por cá vamos deixar de comer bifes e voltar ao tradicional batatas com batatas transmontano do tempo do estado novo.
Claro que quando estivermos mesmo no chão abre-se outra fábrica de automóveis com trabalho mais barato. É sempre um bom negócio. Repare-se que em inúmeras reportagens se fala da qualidade dos trabalhadores portugueses, esses mesmos a quem se paga cada vez menos e se acusa de pouca produtividade e que viveram muito acima das possibilidades durante este tempo todo (Jonet et al, 2012). Os alemães gabam a formação dos engenheiros e enfermeiros, esses mesmos que vêm do péssimo ensino português e das Universidades Públicas que gastam demais.
Até o raio do sol serviu para um triste espectáculo de subserviência. Ver o provinciano Presidente a dizer, num inglês tosco, que nunca viu tantos fotógrafos é tão triste que nem há palavras.
No fim foi bom saber que ainda há dinheiro para todo o aparato policial e que, num país onde até os feriados vão acabar, podemos encerrar ruas e parar o comércio numa das mais importantes zonas turísticas de Lisboa. Afinal nem tudo é mau.
Só faltou dizer que fazemos mais a metade do preço porque por cá vamos deixar de comer bifes e voltar ao tradicional batatas com batatas transmontano do tempo do estado novo.
Claro que quando estivermos mesmo no chão abre-se outra fábrica de automóveis com trabalho mais barato. É sempre um bom negócio. Repare-se que em inúmeras reportagens se fala da qualidade dos trabalhadores portugueses, esses mesmos a quem se paga cada vez menos e se acusa de pouca produtividade e que viveram muito acima das possibilidades durante este tempo todo (Jonet et al, 2012). Os alemães gabam a formação dos engenheiros e enfermeiros, esses mesmos que vêm do péssimo ensino português e das Universidades Públicas que gastam demais.
Até o raio do sol serviu para um triste espectáculo de subserviência. Ver o provinciano Presidente a dizer, num inglês tosco, que nunca viu tantos fotógrafos é tão triste que nem há palavras.
No fim foi bom saber que ainda há dinheiro para todo o aparato policial e que, num país onde até os feriados vão acabar, podemos encerrar ruas e parar o comércio numa das mais importantes zonas turísticas de Lisboa. Afinal nem tudo é mau.
domingo, novembro 11, 2012
Mais virão...
Isabel Jonet insiste... E vai falar à Radio Renascença. Que surpresa. Jonet cava ainda mais o buraco em que se meteu. Mas gosta de lá estar porque é moda agora. É moda aqueles a quem nada falta apregoarem a soberba da nação.Isabel Jonet lamenta polémica mas mantém posição sobre pobreza no país
11.11.2012 - 08:26 Por PÚBLICO
Comportamo-nos todos como ricos! É inaceitável. O povo é suposto ser pobre, comer mal, usar roupa oferecida e em segunda mão. Sem pobres o que seria da Igreja e do seu único contributo social?
O discurso do "acima das nossas possibilidades" põe a dormir sossegados aqueles inocentes - leia-se de inteligência abaixo da média - que querem acreditar que foi a meritocracia divina que os colocou no caminho da prosperidade. Que eles a merecem. Que todos os outros merecem realmente ser pobres e ser castigados por desejarem comer melhor, vestir melhor e tirar mais partido da vida. Assim é a natureza da nossa sociedade uns ricos e outros pobres.
Jonet nem percebe o que disse de errado. Muita gente não percebe o porquê de tanta polémica. A nossa pobreza, a do país, é justa do seu ponto de vista. Pelo menos para aqueles que não a sentem, que nunca a virão a sentir, a pobreza dos outros será sempre justa. O lugar de Jonet na sociedade portuguesa é a olhar de cima, a julgar, e a dar uma mãozinha aos coitadinhos. Uma santa!
Se esta crise alguma vez teve um lado positivo foi o de nos revelar a verdadeira natureza de algumas personagens. Estão a aparecer e a dizer as tolices que lhes saem pela cabeça tonta. Mais virão...
sábado, novembro 10, 2012
O Fetiche dos Coitadinhos
Cai a mascara a Isabel Jonet. Economista, mãe de cinco filhos, dedica-se ao voluntariado. Nunca lhe faltou nada calculo. Católica, bem comportada. Trás a caridade ao peito com orgulho. Virá um dia dizer que nada ganha com o que faz sem perceber que isso insulta ainda mais aqueles que todos os dias saem de casa para trabalhar porque não se podem dar ao luxo de passar a vida a voluntariar-se. Imagino que, tal como o cardeal patriarca, sonhe com um país de pobrezinhos. Para ela poder reinar e ir para o céu.
Rejubila com a austeridade e a notoriedade que lhe caberá no futuro. Será a salvadora, distribuidora do arroz e da massa e dos feijões que eu e tu, parvos, pagamos e entregamos generosamente àqueles miúdos à saída do supermercado. Eu a pensar que estava a tirar a fome a alguém e percebo que, pelo caminho, estou a encher o ego de uma Jonet. Um dia uma Jonet, outro dia um Ulrich, enfim...
Nada de salários justos, porque os portugueses que vivem acima das suas possibilidades, têm, já faz tempo, os mais baixos salários da Europa.
Nada de emprego e muito menos de apoios contra a pobreza. Rendimentos Sociais de Inserção ou Subsídios de Desemprego, em Portugal mais baixos do que na generalidade dos países europeus, vão contra os princípios de Jonet porque lhe tiram a clientela.
Este fetiche do coitadinho não é de hoje. Fica bem ao rico ter o seu pobrezinho de estimação. (ler a crónica de António Lobo Antunes "Os pobrezinhos" para perceber, basta procurar no Google)
Esta teoria da caridadesinha cristã redentora dos mais ricos e poderosos é muito popular na América. Políticas para acabar com a pobreza é fugir delas. Reunir camiões de comida enlatada ou distribuir sopa em panelões com as unhas arranjadas por baixo das luvas de plástico isso sim, é de santo.
Não tenho duvidas de que muita gente foi alimentada pelo Banco Alimentar mas imaginaria o seu dirigente máximo a defender políticas de apoio social, de luta contra a pobreza. Pelo contrário, a senhora defende a generalização da pobreza.
Isabel, diz-me tu, o que deste de jantar hoje aos teus filhos?
Rejubila com a austeridade e a notoriedade que lhe caberá no futuro. Será a salvadora, distribuidora do arroz e da massa e dos feijões que eu e tu, parvos, pagamos e entregamos generosamente àqueles miúdos à saída do supermercado. Eu a pensar que estava a tirar a fome a alguém e percebo que, pelo caminho, estou a encher o ego de uma Jonet. Um dia uma Jonet, outro dia um Ulrich, enfim...
Nada de salários justos, porque os portugueses que vivem acima das suas possibilidades, têm, já faz tempo, os mais baixos salários da Europa.
Nada de emprego e muito menos de apoios contra a pobreza. Rendimentos Sociais de Inserção ou Subsídios de Desemprego, em Portugal mais baixos do que na generalidade dos países europeus, vão contra os princípios de Jonet porque lhe tiram a clientela.
Este fetiche do coitadinho não é de hoje. Fica bem ao rico ter o seu pobrezinho de estimação. (ler a crónica de António Lobo Antunes "Os pobrezinhos" para perceber, basta procurar no Google)
Esta teoria da caridadesinha cristã redentora dos mais ricos e poderosos é muito popular na América. Políticas para acabar com a pobreza é fugir delas. Reunir camiões de comida enlatada ou distribuir sopa em panelões com as unhas arranjadas por baixo das luvas de plástico isso sim, é de santo.
Não tenho duvidas de que muita gente foi alimentada pelo Banco Alimentar mas imaginaria o seu dirigente máximo a defender políticas de apoio social, de luta contra a pobreza. Pelo contrário, a senhora defende a generalização da pobreza.
Isabel, diz-me tu, o que deste de jantar hoje aos teus filhos?
quinta-feira, novembro 01, 2012
No jogo do aguenta, aguenta sempre o mesmo! (republicada do facebook)
A propósito das declarações de Fernando Ulrich acerca da austeridade sobre as quais pode ler esta notícia do Público.
Fala-se agora da refundação do Estado. Cheira-me a golpe de estado. Em boa verdade o Presidente da Republica assim que ouvisse alguém dizer que o FMI está em Portugal a negociar com o Governo a refundação do Estado deveria mandar chamar o Primeiro Ministro e ameaça-lo de eleições antecipadas. Ninguém votou a refundação do Estado, muito menos feita para beneficiar os interesses do FMI e da Europa rica.
Fernando Ulrich, nascido de família de banqueiros, com origem alemã - vá-se lá perceber o raio da coincidência - não sabe o que é austeridade. Nasceu em berço de ouro e foi sempre rico. Apesar disto nem o seu curso acabou e percebe-se agora porquê (ler páginas da wikipédia a seu respeito tanto em português como em inglês). Ninguém o ouviu tão arrogante quando o banco que dirige recorreu a ajuda do estado neste termos: «O plano de recapitalização inclui a subscrição pelo Estado, em 29 de Junho de 2012, de instrumentos de dívida elegíveis para fundos próprios core tier one (obrigações de conversão contingente), no montante de 1,5 mil milhões de euros, que será reduzido para 1,3 mil milhões de euros logo após a realização do aumento de capital» (retirado do site agenciafinanceira.iol.pt com data de 6 de abril de 2012). A sua incompetência e dos seus parceiros noutras instituições financeiras trouxe-nos até aqui. A um ponto em que para ele continuar a ser rico os nossos impostos têm de pagar os juros e os empréstimos que o estado português tem de contrair para manter os cofres do seu banco cheios. Todos juntos, austeridade incluída, contribuímos para o facto de o BPI apresentar de Janeiro a Setembro de 2012 um lucro líquido consolidado de 117.1 M.€ (subida de 15.3% relativamente aos 101.5 M.€ registados no período homólogo de 2011). Mas não lhe chega. Ele ainda quer mais. É de uma falta de respeito e ignorância que não pode passar em branco. Não há quem aguente estes Ulrichs, Borges e associados e a sua completa e absoluta falta de respeito pelo povo português.Fernando Ulrich: “O país aguenta mais austeridade?... Ai aguenta, aguenta”
Fala-se agora da refundação do Estado. Cheira-me a golpe de estado. Em boa verdade o Presidente da Republica assim que ouvisse alguém dizer que o FMI está em Portugal a negociar com o Governo a refundação do Estado deveria mandar chamar o Primeiro Ministro e ameaça-lo de eleições antecipadas. Ninguém votou a refundação do Estado, muito menos feita para beneficiar os interesses do FMI e da Europa rica.
sábado, outubro 27, 2012
Um Autarca verdadeiramente generoso.
As coisas que se dizem podem ter várias leituras. Uma das leituras possíveis, pelo menos, vai revelar as ideias que estão realmente por trás do que se diz ou escreve. Corremos todos esse risco, de revelar quem realmente somos. Eu corro esse risco revelando, talvez até demais, aquilo que penso de determinados políticos e/ou as suas políticas. Tantas vezes fui avisado para ficar calado. Não tenho vergonha do que penso ou vou dizendo. Não acho que Rui Rio tenha vergonha e, pelos vistos, também não tem muito cuidado. Mas não deixo de o ouvir e sentir que há coisas ali que estão ocultas. Provavelmente até para ele.
Escreve um texto a criticar a política social do governo, a sua falta de apoio a programas de solidariedade, mas não resiste a dizer o que pensa do Rendimento Social de Inserção. Prémio, para ele, imerecido para os que "não querem trabalhar e acham que os outros os devem sustentar". Foi um pouco bruto para quem usufrui deste apoio e precisa dele. Com certeza não gostaria de estar num aperto, precisar da ajuda do estado, e chamarem-lhe automaticamente preguiçoso e oportunista. Equivaleria talvez a pensar... Autarca igual a corrupto ou vigarista... exemplos a provar esta última teoria não faltam. Rui Rio, caso lhe chamassem estes dois últimos adjectivos, correria para um advogado a pedir a devolução da dignidade. Mas não se coíbe de fazer juízos sobre os outros. Dirá que são só alguns e eu direi que é responsabilidade dos políticos desenhar sistemas justos e que não permitam a burla. Nem todos os cidadãos são honestos é verdade, mas as generalizações não deveriam agradar aos políticos porque eles não se saem nada bem na fotografia.
Outro aspecto interessante é Rui Rio achar positivo pôr esta gente, que tão pouco recebe, a trabalhar na Câmara Municipal do Porto. O R.S.I. é uma prestação de apoio, não é, até pelo seu valor, um vencimento. Ainda que o valor seja aumentado para prestar o trabalho que estão a prestar estes trabalhadores merecem o mesmo tratamento que os outros, um contrato, uma avaliação, até uma carreira, mas não... porque o R.S.I. é antes demais um castigo da sociedade aos poucos produtivos e portanto se assim é tem de se pôr esta gente a trabalhar. No fim, ironia das ironias, diz-nos que são óptimos trabalhadores e pessoas honestas. A minha sugestão é esta: ofereça-lhes trabalho, igual aos outros, até porque precisa deles caso contrário não os tinha colocado nas tarefas. O trabalho dos beneficiários do R.S.I. representa uma poupança ilegítima no valor do trabalho e é o principio de um novo modelo de escravatura. Alguém é despedido e vai cumprir funções iguais em empresa parecida mas a receber um "subsídio" abaixo do seu vencimento original e ainda deve agradecer.
A nossa sociedade, a portuguesa, a europeia, a ocidental, está podre e a vergonha não existe, nem nas palavras escritas de um editorial, esse sim, imerecido e que desconsidera o trabalho e o cidadão com dificuldades. O governo é mau, Rui Rio, mas é o teu governo, dos teus amigos e parceiros políticos, com as tuas ideias e preconceitos. Poupa-nos à tua filosofia moralista. Obrigado.
Escreve um texto a criticar a política social do governo, a sua falta de apoio a programas de solidariedade, mas não resiste a dizer o que pensa do Rendimento Social de Inserção. Prémio, para ele, imerecido para os que "não querem trabalhar e acham que os outros os devem sustentar". Foi um pouco bruto para quem usufrui deste apoio e precisa dele. Com certeza não gostaria de estar num aperto, precisar da ajuda do estado, e chamarem-lhe automaticamente preguiçoso e oportunista. Equivaleria talvez a pensar... Autarca igual a corrupto ou vigarista... exemplos a provar esta última teoria não faltam. Rui Rio, caso lhe chamassem estes dois últimos adjectivos, correria para um advogado a pedir a devolução da dignidade. Mas não se coíbe de fazer juízos sobre os outros. Dirá que são só alguns e eu direi que é responsabilidade dos políticos desenhar sistemas justos e que não permitam a burla. Nem todos os cidadãos são honestos é verdade, mas as generalizações não deveriam agradar aos políticos porque eles não se saem nada bem na fotografia.
Outro aspecto interessante é Rui Rio achar positivo pôr esta gente, que tão pouco recebe, a trabalhar na Câmara Municipal do Porto. O R.S.I. é uma prestação de apoio, não é, até pelo seu valor, um vencimento. Ainda que o valor seja aumentado para prestar o trabalho que estão a prestar estes trabalhadores merecem o mesmo tratamento que os outros, um contrato, uma avaliação, até uma carreira, mas não... porque o R.S.I. é antes demais um castigo da sociedade aos poucos produtivos e portanto se assim é tem de se pôr esta gente a trabalhar. No fim, ironia das ironias, diz-nos que são óptimos trabalhadores e pessoas honestas. A minha sugestão é esta: ofereça-lhes trabalho, igual aos outros, até porque precisa deles caso contrário não os tinha colocado nas tarefas. O trabalho dos beneficiários do R.S.I. representa uma poupança ilegítima no valor do trabalho e é o principio de um novo modelo de escravatura. Alguém é despedido e vai cumprir funções iguais em empresa parecida mas a receber um "subsídio" abaixo do seu vencimento original e ainda deve agradecer.
A nossa sociedade, a portuguesa, a europeia, a ocidental, está podre e a vergonha não existe, nem nas palavras escritas de um editorial, esse sim, imerecido e que desconsidera o trabalho e o cidadão com dificuldades. O governo é mau, Rui Rio, mas é o teu governo, dos teus amigos e parceiros políticos, com as tuas ideias e preconceitos. Poupa-nos à tua filosofia moralista. Obrigado.
sexta-feira, outubro 26, 2012
Porque descem a prestações sociais e aumenta a desigualdade no pais? (republicação do facebook)
A propósito deste editorial do público:
O problema do combate às desigualdades no Governo é só um. O Governo não pretende combater as desigualdades. Toda a filosofia económica e todo o sistema financeiro em que o Governo acredita funciona com base nas desigualdades, na meritocracia económica e moral. Simplificando: tens menos porque mereces menos, ou simplesmente, tens o que mereces. Não há aqui qualquer análise complexa de um sistema que favorece determinados tipos de burla e castiga muitos tipos de trabalho. Não há aqui qualquer reflexão sobre as injustiças sociais de um sistema no sentido de o corrigir, de o acertar, de evitar o acentuar das desigualdades. Não há, porque se aceita, sem mais, que a condição de pobre é o resultado justo do sistema. Todos os sistemas falham, não existe o sistema perfeito. Por isso todos os sistemas têm processos de salvaguarda, de ajustamento.
O que está a acontecer é que temos um Governo fundamentalista do sistema que não acha que se deva corrigir, ou ajustar coisa nenhuma. É assim porque Deus quis e a economia assim o ditou. Por isso, se alguém está desempregado, sem casa ou mesmo doente que se amanhe. Os cortes atuais têm como objetivo moralizar a sociedade e castigar o mais desfavorecidos. Não têm motivações de corte na despesa, já se percebeu que o Governo não sabe por onde começar a cortar. É contra este tipo de moral, contra este tipo de projeto social, que pretende construir uma nova sociedade feudal, povo ariano do norte à frente a comandar, que devemos lutar.
Um Governo abaixo do limiar da vergonha
O problema do combate às desigualdades no Governo é só um. O Governo não pretende combater as desigualdades. Toda a filosofia económica e todo o sistema financeiro em que o Governo acredita funciona com base nas desigualdades, na meritocracia económica e moral. Simplificando: tens menos porque mereces menos, ou simplesmente, tens o que mereces. Não há aqui qualquer análise complexa de um sistema que favorece determinados tipos de burla e castiga muitos tipos de trabalho. Não há aqui qualquer reflexão sobre as injustiças sociais de um sistema no sentido de o corrigir, de o acertar, de evitar o acentuar das desigualdades. Não há, porque se aceita, sem mais, que a condição de pobre é o resultado justo do sistema. Todos os sistemas falham, não existe o sistema perfeito. Por isso todos os sistemas têm processos de salvaguarda, de ajustamento.
O que está a acontecer é que temos um Governo fundamentalista do sistema que não acha que se deva corrigir, ou ajustar coisa nenhuma. É assim porque Deus quis e a economia assim o ditou. Por isso, se alguém está desempregado, sem casa ou mesmo doente que se amanhe. Os cortes atuais têm como objetivo moralizar a sociedade e castigar o mais desfavorecidos. Não têm motivações de corte na despesa, já se percebeu que o Governo não sabe por onde começar a cortar. É contra este tipo de moral, contra este tipo de projeto social, que pretende construir uma nova sociedade feudal, povo ariano do norte à frente a comandar, que devemos lutar.
O Pedro Mota Soares que não se esqueça de que para os alemães ele não é mais do que um usufrutuário de um rendimento social de inserção para países sem abrigo na Europa. Vale para eles menos do que um reformado da linha de montagem da BMW.
Não defender os interesses dos mais desfavorecidos e abdicar de lutar para acabar com as desigualdades é também afirmar que Portugal deixou de ter direito a um futuro na Europa. O nosso Governo não percebe isso.
Não defender os interesses dos mais desfavorecidos e abdicar de lutar para acabar com as desigualdades é também afirmar que Portugal deixou de ter direito a um futuro na Europa. O nosso Governo não percebe isso.
sábado, outubro 13, 2012
Os Rankings, as Escolas, os Alunos e a Soares dos Reis (re-puplicação do Facebbok)
A propósito desta noticia do Jornal Público de 13 de Outubro,
Parece que descobriram agora que escolas que seleccionam os alunos, cobram couro e cabelo e enchem as crianças de explicações e horas extras, essas crianças a quem não falta quem lhes leia livros nem livros para ler, não falta quem lhes compre computadores, essas crianças a quem a depressão diária das dificuldades económicas não afecta, essas escolas têm melhores resultados naquela coisa dos exames - agora chamam-lhe avaliação externa. Estou para a minha vida de surpreendido! Esta hipocrisia meritocrática tem de acabar. O trabalho de centenas de escolas com alunos a lutar contra todas as adversidades parece que não interessa a ninguém e confunde-se esse facilitismo económico com qualidade. A estupidez generalizada do discurso sobre educação em Portugal tem eco nos media que exultam a cada golpe na escola pública. A Soares dos Reis para já está de fora dos rankings. Um dia que lá esteja não haverá um único ponto ou décima que diga respeito à liberdade que o aluno lá viveu, ao seu crescimento pessoal e artístico, ao seu sucesso e trabalho que a tanta gente deixou os queixos em baixo. Quando um visitante vê a nossa exposição e fica fascinado, que saiba que nenhum daqueles trabalhos, centenas de trabalhos, vale um ponto que seja no nosso ranking. Termos um grupo que apoia os mais necessitados não vale um ponto que seja. Promovermos o Open-source não vale um ponto que seja. Integrarmos os que têm necessidades educativas diferentes não vale nada. Trabalharmos horas a fio com os alunos no Projeto e ganhar prémios com muitos desses trabalhos vale zero. Mas sobretudo a felicidade de cada aluno, as lágrimas por perder aquele curso e ganhar outro e a coragem de abraçar cada arte cada novo desafio, a alegria que a escola dá quando ajuda a aprender a fazer coisas, coisas que ficam, o amor e respeito que todos nós ex-alunos sentimos pela escola e a vontade de que os nossos filhos a frequentem, vale absolutamente zero nos rankings. Mas ainda há gente que acredite neles e perca a oportunidade de ter os filhos a aprender coisas reais entre colegas reais e procure as escolas da realeza para aprender a sentar e a marrar para aquela coisa dos exames. É triste.
Rankings: metade das escolas públicas fica aquém do esperado
Parece que descobriram agora que escolas que seleccionam os alunos, cobram couro e cabelo e enchem as crianças de explicações e horas extras, essas crianças a quem não falta quem lhes leia livros nem livros para ler, não falta quem lhes compre computadores, essas crianças a quem a depressão diária das dificuldades económicas não afecta, essas escolas têm melhores resultados naquela coisa dos exames - agora chamam-lhe avaliação externa. Estou para a minha vida de surpreendido! Esta hipocrisia meritocrática tem de acabar. O trabalho de centenas de escolas com alunos a lutar contra todas as adversidades parece que não interessa a ninguém e confunde-se esse facilitismo económico com qualidade. A estupidez generalizada do discurso sobre educação em Portugal tem eco nos media que exultam a cada golpe na escola pública. A Soares dos Reis para já está de fora dos rankings. Um dia que lá esteja não haverá um único ponto ou décima que diga respeito à liberdade que o aluno lá viveu, ao seu crescimento pessoal e artístico, ao seu sucesso e trabalho que a tanta gente deixou os queixos em baixo. Quando um visitante vê a nossa exposição e fica fascinado, que saiba que nenhum daqueles trabalhos, centenas de trabalhos, vale um ponto que seja no nosso ranking. Termos um grupo que apoia os mais necessitados não vale um ponto que seja. Promovermos o Open-source não vale um ponto que seja. Integrarmos os que têm necessidades educativas diferentes não vale nada. Trabalharmos horas a fio com os alunos no Projeto e ganhar prémios com muitos desses trabalhos vale zero. Mas sobretudo a felicidade de cada aluno, as lágrimas por perder aquele curso e ganhar outro e a coragem de abraçar cada arte cada novo desafio, a alegria que a escola dá quando ajuda a aprender a fazer coisas, coisas que ficam, o amor e respeito que todos nós ex-alunos sentimos pela escola e a vontade de que os nossos filhos a frequentem, vale absolutamente zero nos rankings. Mas ainda há gente que acredite neles e perca a oportunidade de ter os filhos a aprender coisas reais entre colegas reais e procure as escolas da realeza para aprender a sentar e a marrar para aquela coisa dos exames. É triste.
Tem a ver com:
arte,
educação,
rankings,
soares dos reis
A Propósito das Declarações do patriarca de Lisboa, D. José Policarpo (republicação do facebbok)
A propósito desta notícia do Jornal Público de 12 de Outubro...
Patriarca diz que democracia na rua corrompe a democracia
"Não se resolve nada contestando"..."até que ponto se consegue uma saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar." ... "Penso que este sacrifício levará a resultados positivos". Este senhor tem uma ideia de democracia diferente. Em que as pessoas participam pouco ou nada e um líder, escolhido entre pares de uma elite, comanda sem a possibilidade de ser contestado. Da ultima vez que me lembro esta "democracia" tinha outro nome. Para ele, manter o coletivo a acreditar numa quimera só alcançável pelo sacrifício é o seu dia a dia. Não tem qualquer problema com o aumento da pobreza porque é nela que encontra os seus apoiantes e sabe que fica a ganhar com tudo isto. Mas, apesar de tudo, este senhor não tem objectivos pérfidos. Ele acredita realmente nisto. Tem uma educação tolhida e encolhida. É evidente que acredita na representatividade. Só é pena que não acredite no conceito do fim da representatividade, algo que surge naturalmente quando um representante quebra um laço de confiança com quem o elegeu com outros pressupostos. Mas quando um país inteiro é levado a sacrifícios para atingir um dia a salvação económica este senhor entra em êxtase religioso. O discurso do nosso governo é um discurso católico. Estamos a pagar o nosso pecado, com o sacrifício, e um dia virá a salvação. Quando? Isso só Deus sabe... É a forma mais fácil de pastorear o cordeiro luso. Nota final: O Padre Carreira das Neves quando lhe ocorre falar sobre escola (agora mesmo na SIC notícias) a primeira palavra que diz é "disciplina" e nunca refere educação ou formação. Deve querer dizer alguma coisa acerca da escola destes dois senhores. Tenham cuidado, tenham muito cuidado.
sexta-feira, outubro 05, 2012
O Presidente e a Bandeira Invertida.
Um Presidente hasteia a bandeira do seu país ao contrário. Este acto está carregado de simbolismo. Ainda que tenha sido involuntário. Este Presidente já nos habituou a actos desprovidos de sentido, de intenção e de alma. Uma bandeira invertida é sinal de um país vitima de um golpe de estado, um navio tomado por piratas. É um pedido de auxilio causado por uma tomada violenta e ilegítima do poder, a perca de autonomia e liberdade. Portugal foi tomado por um governo que defende interesses estrangeiros, por uma troika que quer criar um exército de escravos europeus, por falsos políticos que protegem interesses económicos nefastos. Cavaco Silva não se desgasta muito para defender o interesse dos Portugueses. Sem querer realizou o mais simbólico e preocupante acto que acompanha a comemoração da República. A Republica está no fim. A democracia também. A bandeira deveria manter-se invertida. Até lhe agradecia a ironia mas estou farto de aturar as suas tolices.
quarta-feira, setembro 26, 2012
Protestos em Madrid (republicação do facebook)
Apesar do jornal Público se entreter com as trivialidades do número de detidos e feridos nos protestos de Madrid o facto é que os Espanhóis, a sofrer menos do que os Portugueses, foram bem mais agressivos nos seus protestos e montaram uma manifestação justa e digna desse nome. O motivo é o mesmo. A ausência de uma governação democrática em defesa dos direitos dos cidadãos, da igualdade e do respeito pela dignidade humana. Não valerá muito a pena ser pacífico, pensarão muitos espanhóis, na verdade nisto das revoluções nunca funcionou muito bem o pacifismo. Aquelas barreiras metálicas também não estão ali a fazer nada. São barreiras ideológicas que protegem os governantes da opinião e do embaraço do confronto com os seus eleitores. Os governos europeus estão a precisar de governo. Em Espanha a sombra da guerra civil, a dúvida sobre a legitimidade governativa e a falsa coesão política estão sempre muito presentes num povo com sangue na guelra. O res
ultado foi uma manifestação que parecia verdadeiramente assustadora para qualquer governante. Não um protesto pacífico que serve para Paulo Portas ainda mandar mais no país. Não digo para começar-mos todos à pancada, não quer dizer que não resulte, mas há sempre gente que se magoa e vê a sua propriedade destruída e isso deve evitar-se até ao limite. É fundamental, apesar de tudo, que a classe política sinta que está a ser governada pelo povo. Devem sentir-se cercados até nos devolverem a confiança. Nesse sentido as declarações da comissão Europeia e do Banco Central Europeu sobre as medidas de austeridade a adotar em Portugal são inaceitáveis vindas de duas instituições responsáveis pelo mau governo Europeu e dominadas por políticos não eleitos. Essa ingerência na soberania, mesmo da parte de um credor - agiota que à força se impôs - noutro tempo teria outra resposta. É importante que os governos e instituições europeias se sintam cercados pelos cidadãos que estão a ser chamados a pagar uma dívida que lhes foi imposta e que serviu apenas para encher os bolsos de uma elite financeira mundial. O cerco do Congresso dos Deputados em Madrid é importante por muitos mais motivos do que os feridos e os detidos.
sábado, setembro 22, 2012
O Zombie Gaspar
Tem a ver com:
arte,
comédia,
economia,
ilustração,
política
sábado, setembro 15, 2012
Manifestação de 15 de Setembro (republicação do facebook)
Hoje foi um dia importante mas é apenas um começo. Devemos tomar o controlo do nosso próprio destino. O governo deve demitir-se, o seu caminho estava errado e dirige-nos para uma situação ainda pior. O clientelismo político/financeiro tem de acabar e esta geração de políticos já provou que nada tem para nos dar.
quinta-feira, setembro 13, 2012
A crise da dívida na Zona Euro (republicação do facebook)
Como facilmente se comprova por estes gráficos publicados no site da BBC as obrigações que nos são impostas pela troika são uma moda, mais ou menos cruel, sem um histórico de sentido. Ou seja, no passado outros países tiveram deficits e dívidas superiores sem que por isso tenham sido
castigados. O único motivo para este programa é a vontade dos credores de receber mais pela mesma dívida. Para isso basta que digam - via agências de rating - que acreditam menos que somos capazes de pagar. Não há, ao contrário do propagado, nenhuma fórmula específica que defina a possibilidade de um país pagar ou não a sua dívida. Isso é pura especulação. Por outro lado está estatisticamente comprovado que os economistas são pura e simplesmente incapazes de fazer previsões coerentes sobre o futuro das economias. Os economistas limitam-se a um exercício de "wishful thinking" mais pessimista ou mais otimista. Depois fazem umas contas que dão o resultado que eles antecipadamente desejaram - ver o caso da TSU e do governo. Há uma generalizada ignorância por entre aqueles que apregoam a técnica de contar moedas, sobretudo quando se fala em grandes números. Chamam-lhe macro-economia. O nosso atual presidente dava aulas disso, imaginem! Esta crueldade externa sobre o nosso país é um novo tipo de invasão. Um expediente que moralisa e justifica a passagem de dinheiro das pessoas para os grandes grupos financeiros. Até os holandeses falam em austeridade e os alemães (o povo) sempre a conheceram. Para os ditadores do sec. XXI um país rico é um país com um povo pobre, uma classe política corrupta e instituições financeiras muito ricas. Ver o caso do Brazil e das suas favelas e dos seus traficantes. Cheio de pobreza, bem pior do que a nossa, uma classe política de fugir, mega-empresas comandadas a partir do exterior.
A insanidade que nos comanda até ao precipício tem por objetivo não apenas o enriquecimento pessoal de alguns mas também um desejo estranho e estranhamente familiar de purga do país, por uma nova ordem que vê a pobreza como uma espécie de superioridade moral e o sacrifício como um exercício de limpeza. Estão a mandar-nos ir a pé a Fátima a pão e água convencendo-nos que nos trará o céu. Mas o céu não existe e esta crise durará até que os bolsos dos seus autores estejam cheios. Não depende em absolutamente nada dos nossos sacrifícios.
quarta-feira, agosto 22, 2012
O que já fez François Hollande em França...
O meu amigo o pintor José Miguel Gervásio reenviou-me este texto. É difícil saber quanto disto é verdade ou está realmente bem contado mas também já desisti de procurar estas notícias nos nossos jornais. Tudo leva a crer que este texto é a mais pura verdade. Leiam...
Após uma pequeníssima busca descobri a origem deste texto neste neste blog.Isto é o que fez o François Hollande (não palavras ... actos) ... em 56 días no cargo:
- Suprimiu 100% dos carros oficiais e mandou que fossem leiloados; os rendimentos destinam-se ao Fundo da Previdência e destina-se a ser distribuido pelas regiões com maior número de centros urbanos com os suburbios mais ruinosos.
- Tornou a enviar um documento (doze linhas) para todos os órgãos estaduais que dependem do governo central em que comunicou a abolição do "carro da empresa" provocativa e desafiadora, quase a insultar os altos funcionários, com frases como "se um executivo que ganha € 650.000/ano, não se pode dar ao luxo de comprar um bom carro com o seu rendimento do trabalho, significa que é muito ambicioso, é estúpido, ou desonesto. A nação não precisa de nenhuma dessas três figuras ". Fora os Peugeot e os Citroen. 345 milhões de euros foram salvos imediatamente e transferidos para criar (a abrir em 15 ago 2012) 175 institutos de pesquisa científica avançada de alta tecnologia, assumindo o emprego de 2560 desempregados jovens cientistas "para aumentar a competitividade e produtividade da nação."
- Aboliu o conceito de paraíso fiscal (definido "socialmente imoral") e emitiu um decreto presidencial que cria uma taxa de emergência de aumento de 75% em impostos para todas as famílias, líquidas, que ganham mais de 5 milhões de euros/ano. Com esse dinheiro (mantendo assim o pacto fiscal) sem afetar um euro do orçamento, contratou 59.870 diplomados desempregados , dos quais 6.900 a partir de 1 de julho de 2012, e depois outros 12.500 em 01 de setembro, como professores na educação pública.
- Privou a Igreja de subsídios estatais no valor de 2,3 milhões de euros que financiavam exclusivas escolas privadas, e pôs em marcha (com esse dinheiro) um plano para a construção de 4.500 creches e 3.700 escolas primárias, a partir dum plano de recuperação para o investimento em infra-estrutura nacional.
- Estabeleceu um "bónus-cultura" presidencial, um mecanismo que permite a qualquer pessoa pagar zero de impostos se se estabelece como uma cooperativa e abrir uma livraria independente contratando, pelo menos, dois licenciados desempregados a partir da lista de desempregados, a fim de economizar dinheiro dos gastos públicos e contribuir para uma contribuição mínima para o emprego e o relançamento de novas posições sociais.
- Aboliu todos os subsídios do governo para revistas, fundações e editoras, substituindo-os por comissões de "empreendedores estatiais" que financiam acções de actividades culturais com base na apresentação de planos de negócios relativos a estratégias de marketing avançados.
- Lançou um processo muito complexo que dá aos bancos uma escolha (sem impostos): Quem porporcione empréstimos bonificados às empresas francesas que produzem bens recebe benefícios fiscais, quem oferece instrumentos financeiros paga uma taxa adicional: é pegar ou sair.
- Reduzido em 25% o salário de todos os funcionários do governo, 32% de todos os deputados e 40% de todos os altos funcionários públicos que ganham mais de € 800.000 por ano. Com essa quantidade (cerca de 4 milhões) criou um fundo que dá garantias de bem-estar para "mães solteiras" em difíceis condições financeiras que garantam um salário mensal por um período de cinco anos, até que a criança vai à escola primária e três anos se a criança é mais velha. Tudo isso sem alterar o equilíbrio do orçamento.
Resultado: Olhem que SURPRESA !!!
O spread com títulos alemães caiu, por magia. A inflação não aumentou. A competitividade da produtividade nacional aumentou no mês de junho, pela primeira vez em três anos.
domingo, junho 05, 2011
E o Povo, Pá?
O Povo agora aguenta-se à bronca! Cavaco, Passos e Portas a governar, vai ser uma alegria... Razão têm os homens da luta, isto vai ser bom é para eles! O País estava farto de Sócrates e com a sua razão e o Bloco de Esquerda suicidou-se tornando-se um não partido ou o partido do não. Não, foi o que lhes disse o eleitorado. O PSD esfrega as mãozinhas e alinha os barões. Portas esfrega as mãos e alinha os barõezinhos. A CDU celebra mais uma vitória eleitoral.
Pela primeira vez tomei uma posição e perdi. Fi-lo com convicção e assumo que a derrota foi algo merecida. Os portugueses estavam cansados da figura de Sócrates e queriam uma nova como quem compra um carro usado apenas diferente do anterior mas que parece mais novo. Não fazem a mínima ideia de quem ganhou as eleições. Eu não sei quem é aquele senhor que tudo o que propõe nos deixa a tremer. Na verdade nem aqueles senhores, que ouço ao fundo a comentar na televisão, sabem bem quem ganhou as eleições. Vamos agora ficar a saber... pelo menos a minha curiosidade mórbida vai ficar satisfeita. "Será que eles são mesmo capazes de ir para a frente com aqueles disparates?". Como bons católicos os Portugueses acham que merecem ser castigados por um pecado qualquer. "Vivemos acima das nossas possibilidades" e no entanto somos tão pobres... "Produzimos pouco" e no entanto nem sempre o que parece é. Como tal votam nos partidos que lhes prometem mais castigo. "Temos de fazer sacrifícios" dirão todos. Vamos a isso. Vamos vender a Caixa Geral de Depósitos, a Água e a Luz devem ir para os privados para que a concorrência funcione tão bem como nos combustíveis. Vamos despedir pessoas na função pública, liberalizar os despedimentos nas empresas, trocar as escolas públicas por um cheque de sabe-se lá quanto para o senhor doutor gastar menos no colégio do filho. Vamos trocar a saúde pública por seguradoras ávidas de lucro. Vamos acabar com os luxos nas escolas! Vamos a isso! Respiro fundo, agarro-me ao meu emprego público, luxuosamente pago com dinheiro dos contribuintes, e preparo-me para a viagem acidentada. Os barões vão começar aos saltos como pipocas acabadinhas de estalar. O Dias Loureiro deve estar a regressar do exílio não tarda nada... Mas a vida continua e os Portugueses serão sempre pobres, sempre maus trabalhadores, sempre a viver acima das suas possibilidades, sempre a merecer o tal castigo ou sacrifício. Vamos todos ser mais "troikos" do que a "troika" antes que o fim do mundo nos castigue e o nosso lugar no céu esteja comprometido.
Nunca acreditei que a política se fizesse só do lado de fora das decisões. Para se ser sério a fazer política é preciso querer governar. Por isso votei no único partido de esquerda que disse querer ser governo. Porque acredito na causa pública. Num estado que protege e participa. Que regula e equilibra. Não me identifico com os valores do conservadorismo liberal que criou esta maldita crise a partir dos Estados Unidos da América. Sinto que elegemos a versão adolescente do G. W. Bush, tonto, sem saber muito, mas com o apoio dos banqueiros. Isso nunca é bom sinal, o apoio dos banqueiros.
O Portas vai voltar ao governo, outra boa notícia. Ministro da Agricultura e Pescas era o que ele merecia. E nós também o merecemos, faz parte do castigo.
Continuação de uma boa legislatura para todos e à pergunta "e o povo, pá?" respondo: Que povo? Este é um país de patrões.
Pela primeira vez tomei uma posição e perdi. Fi-lo com convicção e assumo que a derrota foi algo merecida. Os portugueses estavam cansados da figura de Sócrates e queriam uma nova como quem compra um carro usado apenas diferente do anterior mas que parece mais novo. Não fazem a mínima ideia de quem ganhou as eleições. Eu não sei quem é aquele senhor que tudo o que propõe nos deixa a tremer. Na verdade nem aqueles senhores, que ouço ao fundo a comentar na televisão, sabem bem quem ganhou as eleições. Vamos agora ficar a saber... pelo menos a minha curiosidade mórbida vai ficar satisfeita. "Será que eles são mesmo capazes de ir para a frente com aqueles disparates?". Como bons católicos os Portugueses acham que merecem ser castigados por um pecado qualquer. "Vivemos acima das nossas possibilidades" e no entanto somos tão pobres... "Produzimos pouco" e no entanto nem sempre o que parece é. Como tal votam nos partidos que lhes prometem mais castigo. "Temos de fazer sacrifícios" dirão todos. Vamos a isso. Vamos vender a Caixa Geral de Depósitos, a Água e a Luz devem ir para os privados para que a concorrência funcione tão bem como nos combustíveis. Vamos despedir pessoas na função pública, liberalizar os despedimentos nas empresas, trocar as escolas públicas por um cheque de sabe-se lá quanto para o senhor doutor gastar menos no colégio do filho. Vamos trocar a saúde pública por seguradoras ávidas de lucro. Vamos acabar com os luxos nas escolas! Vamos a isso! Respiro fundo, agarro-me ao meu emprego público, luxuosamente pago com dinheiro dos contribuintes, e preparo-me para a viagem acidentada. Os barões vão começar aos saltos como pipocas acabadinhas de estalar. O Dias Loureiro deve estar a regressar do exílio não tarda nada... Mas a vida continua e os Portugueses serão sempre pobres, sempre maus trabalhadores, sempre a viver acima das suas possibilidades, sempre a merecer o tal castigo ou sacrifício. Vamos todos ser mais "troikos" do que a "troika" antes que o fim do mundo nos castigue e o nosso lugar no céu esteja comprometido.
Nunca acreditei que a política se fizesse só do lado de fora das decisões. Para se ser sério a fazer política é preciso querer governar. Por isso votei no único partido de esquerda que disse querer ser governo. Porque acredito na causa pública. Num estado que protege e participa. Que regula e equilibra. Não me identifico com os valores do conservadorismo liberal que criou esta maldita crise a partir dos Estados Unidos da América. Sinto que elegemos a versão adolescente do G. W. Bush, tonto, sem saber muito, mas com o apoio dos banqueiros. Isso nunca é bom sinal, o apoio dos banqueiros.
O Portas vai voltar ao governo, outra boa notícia. Ministro da Agricultura e Pescas era o que ele merecia. E nós também o merecemos, faz parte do castigo.
Continuação de uma boa legislatura para todos e à pergunta "e o povo, pá?" respondo: Que povo? Este é um país de patrões.
sábado, maio 14, 2011
segunda-feira, abril 25, 2011
25 de Abril hoje mais do que nunca!
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Dia de mudança!
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Art Barter, um novo conceito.

Barter significa, em inglês, a troca comercial de bens sem o uso de dinheiro, troca directa. Este conceito nada tem de original mas tem muita oportunidade nos tempos que correm. Apelos como os de Eric Cantona serão cada vez mais frequentes mas a banca e o sistema financeiro são muito pior do que a heroína. Largar não é fácil e traz consequências, sobretudo sofrimento. De algum modo este sistema monetário trouxe ao de cima o pior do ser humano. A liberdade de trocar dinheiro por dinheiro e bens que não existem por promessas de outros bens que nunca irão existir confundiu-se com outras liberdades mais fundamentais e sobrepôs-se na hierarquia. Este casino online para ricos e poderosos em que se transformaram as bolsas de valores e os bancos nada tem a ver com as lições de economia da oferta e da procura. Quanto vale uma coisa? Está mais do que visto que a abordagem académica e supostamente matemática falhou. Tantos consultores, tantos especialistas e chegamos à conclusão que o seu papel era, no final de contas, trazer-nos até este ponto, até ao ponto de rotura. Nem eles sabiam isto. Tantas contas e ninguém adivinhou que estava tudo errado...
Bem, chegados aqui, mais vale começar de novo. Troca directa. Barter em inglês. A troca directa online não é nada de novo mas a troca directa de Arte, de artistas de relevo, é um conceito que começa a fazer notícia. A 9 de Novembro o primeiro ArtBarter teve lugar em Londres e, entre outras trocas, Tracey Emin trocou um desenho por aulas de francês. O evento viaja agora para Nova Iorque. Vamos ver o resultado. Aqueles que pensavam não ter dinheiro para ter pintura ou escultura em casa têm provavelmente muito para oferecer em troca e merecem mais essa arte do que um qualquer vigarista de Wall Street cheio de dinheiro.
terça-feira, junho 22, 2010
"There are times, however, and this is one of them, when even being right feels wrong"
"There are times, however, and this is one of them, when even being right feels wrong. What do you say, for instance, about a generation that has been taught that rain is poison and sex is death? If making love might be fatal and if a cool spring breeze on any summer afternoon can turn a crystal blue lake into a puddle of black poison right in front of your eyes, there is not much left except TV and relentless masturbation. It's a strange world. Some people get rich and others eat shit and die. Who knows? If there is in fact, a heaven and a hell, all we know for sure is that hell will be a viciously overcrowded version of Phoenix — a clean well lighted place full of sunshine and bromides and fast cars where almost everybody seems vaguely happy, except those who know in their hearts what is missing... And being driven slowly and quietly into the kind of terminal craziness that comes with finally understanding that the one thing you want is not there. Missing. Back-ordered. No tengo. Vaya con dios. Grow up! Small is better. Take what you can get..."
Hunter S. Thompsom
Gonzo Papers, Vol. 2: Generation of Swine: Tales of Shame and Degradation in the '80s (1988)
Hunter S. Thompsom
Gonzo Papers, Vol. 2: Generation of Swine: Tales of Shame and Degradation in the '80s (1988)
terça-feira, junho 08, 2010
Quem são realmente os ignorantes deste mundo?
Meus queridos alunos,
Enquanto corrijo os vossos testes podem crer que estou consciente que ignorantes mesmo são os idiotas que criaram esta crise com ganancia e contínua soberba. Os maus alunos do mundo hoje vestem fato e gravata, defendem as regras (ou falta delas) destes mercados selvagens e sem sentido de realidade e ainda ditam as leis e falam de diminuição de despesas enquanto conduzem os seus Mercedes com vidros fumados e desfilam a sua riqueza pornográfica. Vinguem-se destes tipos, por favor! Sejam melhores!
-- Post From My iPhone
Enquanto corrijo os vossos testes podem crer que estou consciente que ignorantes mesmo são os idiotas que criaram esta crise com ganancia e contínua soberba. Os maus alunos do mundo hoje vestem fato e gravata, defendem as regras (ou falta delas) destes mercados selvagens e sem sentido de realidade e ainda ditam as leis e falam de diminuição de despesas enquanto conduzem os seus Mercedes com vidros fumados e desfilam a sua riqueza pornográfica. Vinguem-se destes tipos, por favor! Sejam melhores!
-- Post From My iPhone
sábado, maio 15, 2010
domingo, abril 25, 2010
A propósito do 25 de Abril "Não passarão, eu apoio Garzón"
Público - "Não passarão, eu apoio Garzón"
Esta revolta do povo espanhol é legítima, necessária. Assim como seria a nossa. As democracias capitalistas estão seriamente doentes e abrem espaço para os corruptos, os fascistas, para os que não têm respeito pelo ser humano mas que valorizam um qualquer deus que desconhecem, para os tios patinhas que nadam na sujidade da sua riqueza e zombam dos que nada têm. É o único espaço que abrem.
Hoje é 25 de Abril e creio que acabaram os tempos dos perdões. Há gente que devia ser encostada, lá como cá. Faltam-nos ao respeito. O tempo não é de enriquecer mas de partilhar. E continua a haver cada vez mais pobres e os poucos ricos estão cada vez mais ricos. Estou farto das lições sobre o 25 de Abril de uma geração que o conspurcou, que nunca soube o que realmente significava. Às vezes dá-me a sensação que o fizeram sem querer, por acaso. Não será verdade para todos mas é o que sinto. A minha democracia não é de cravos ou músicas do Zeca. A minha democracia é de actos. Todos os dias. A democracia tem a ver com a generosidade, com a partilha, com a liberdade de sermos todos iguais, não com a liberdade de enriquecer à custa dos mais fracos, não com a liberdade de roubar ou guardar o naco de carne para os gordos do costume.
Hoje, um grupo de homens e mulheres bem vestidos, vão entrar na nossa Assembleia e vão mais uma vez, quais pastores evangélicos, gozar com a nossa cara, de cravo na lapela. Usando para isso a legitimação que lhes demos. Vão falar do que desconhecem. Da realidade que espreitam por trás dos vidros fumados dos seus carros escuros. Vão falar de dinheiro. Do dinheiro deles porque nosso não tem sido de certeza. Não aceito mais lições de história sobre o assunto do 25 de Abril. Prefiro dar lições sobre o presente.
Esta revolta do povo espanhol é legítima, necessária. Assim como seria a nossa. As democracias capitalistas estão seriamente doentes e abrem espaço para os corruptos, os fascistas, para os que não têm respeito pelo ser humano mas que valorizam um qualquer deus que desconhecem, para os tios patinhas que nadam na sujidade da sua riqueza e zombam dos que nada têm. É o único espaço que abrem.
Hoje é 25 de Abril e creio que acabaram os tempos dos perdões. Há gente que devia ser encostada, lá como cá. Faltam-nos ao respeito. O tempo não é de enriquecer mas de partilhar. E continua a haver cada vez mais pobres e os poucos ricos estão cada vez mais ricos. Estou farto das lições sobre o 25 de Abril de uma geração que o conspurcou, que nunca soube o que realmente significava. Às vezes dá-me a sensação que o fizeram sem querer, por acaso. Não será verdade para todos mas é o que sinto. A minha democracia não é de cravos ou músicas do Zeca. A minha democracia é de actos. Todos os dias. A democracia tem a ver com a generosidade, com a partilha, com a liberdade de sermos todos iguais, não com a liberdade de enriquecer à custa dos mais fracos, não com a liberdade de roubar ou guardar o naco de carne para os gordos do costume.
Hoje, um grupo de homens e mulheres bem vestidos, vão entrar na nossa Assembleia e vão mais uma vez, quais pastores evangélicos, gozar com a nossa cara, de cravo na lapela. Usando para isso a legitimação que lhes demos. Vão falar do que desconhecem. Da realidade que espreitam por trás dos vidros fumados dos seus carros escuros. Vão falar de dinheiro. Do dinheiro deles porque nosso não tem sido de certeza. Não aceito mais lições de história sobre o assunto do 25 de Abril. Prefiro dar lições sobre o presente.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Today´s Oblique Strategy ou Today's Useless Thought.
Desde 2 de Agosto deste ano dediquei-me a publicar no twitter e no facebook as Oblique Strategies publicadas em 1975 por Brian Eno e Peter Schmidt. Tudo começou com uma aplicação para o iPhone que achei muito curiosa e que me deu a conhecer este trabalho. Durante algum tempo não sou o que fazer com ela até que me surgiu a ideia de publicar uma "oblique strategy" por dia para eu e os meus leitores ou seguidores no twitter e facebook eventualmente reflectirmos sobre outros modos de resolver problemas criativos ou do simples dia a dia. São sugestões tão simples quanto desconcertantes e a sua publicação exigia de mim um pequeno esforço que me obrigava a reflectir sobre cada uma delas. Mais do que simplesmente consultar uma aplicação no telefone e ler uma frase.
Pois bem, acabaram as Oblique Strategies. Devo dizer que espero que o seu resultado seja melhor nos leitores do que em mim porque continuo exactamente onde estava ou mesmo pior. Mas isso já era de esperar.
A minha estratégia para hoje será começar algo novo. Não vou publicar frases com o nome do projecto de Eno e Schmidt porque isso seria uma falha grave de direitos de autor e uma palermice. Por isso decidi iniciar um conjunto novo com frases minhas. Em inglês porque há leitores do twitter e do facebook que não são portugueses e porque mais se irão juntar, espero.
A partir de hoje irei tentar publicar de segunda a sexta um "Useless Thought" e o Useless Thought de hoje é: Start something useless.
quarta-feira, outubro 21, 2009
Não queria voltar por este motivo mas...
Já há muito que não escrevia no blog. Planeava há algum tempo uma nova estratégia de actuação que envolvesse posts frequentes até que acontece isto: José Saramago faz afirmações sobre o que entende da Bíblia e dos seus ensinamentos e afirmações. É evidente que Saramago sabe que muitos católicos não entendem as escrituras de uma forma literal, mas também é sabido que as interpretações já deram origem a muitas asneiras por gente de muita responsabilidade e que causaram muita morte. Do ponto de vista do comportamento dos seus fieis se não há dúvida que o catolicismo é abrigo de muita "caridade" e boas acções na ajuda do próximo também não podemos escamotear as barbaridades morais, a charlatanice, os falsos princípios e a hipocrisia. Para não esquecer a guerra. Por coincidência vi esta semana o documentário "Religulous" de Bill Maher que tenta provar a completa inutilidade da crença religiosa. Bill Maher dificilmente se pode considerar um estudioso do assunto mas diz coisas interessantes e sobretudo revela um grupo de crentes curioso, tonto, mesmo até perigoso e que representa um número de fiéis muito maior do que se imagina. Malta que acredita na bíblia e noutras escrituras de uma forma literal, no Adão e na Eva. Assustador! Eu não acredito, tenho muitas vezes medo do que pode fazer quem acredita e muito menos acredito que muitas leituras me possam explicar aquilo que os próprios católicos deliberam inexplicável: A existência de Deus, A Santíssima Trindade e os Milagres e essas coisas todas... Pura e simplesmente não acredito e custa-me que a palavra Deus vezes demais tenha sida proferida antes ou depois de uma qualquer agressão bélica que vai matar ou já matou milhares de seres humanos. Claro que nenhum genocída vai ler o blog e os meus amigos católicos são todos pela paz mas a associação entre guerra e religião é inevitável.
Mas o problema não é o que Saramago, eu próprio ou Bill Maher pensam, ou mesmo o que pensam os teólogos do mundo, o problema que me trouxe aqui é o que pensa a BESTA QUADRADA (e o insulto é propositado) do eurodeputado Mário David (e acreditem que queria mesmo que o atrasado mental googlasse o seu próprio nome para aqui chegar, por isso vou repetir O EURODEPUTADO DO PSD MÁRIO DAVID É UMA BESTA QUADRADA!) e é por causa disto. Esse senhor, eleito porque para ser deputado em Portugal também não é preciso ser grande coisa, acha, por qualquer motivo, que fala pelos portugueses e acha que Saramago devia abdicar da nacionalidade portuguesa por não ser católico e não concordar com a Bíblia. Então e eu? Também devia abdicar? e a malta toda das outras religiões? Todos para Espanha? e o nosso Estado LAICO? Tudo para Espanha também? Ou só podemos ser portugueses enquanto mantivermos em silêncio as nossas crenças pagãs? Eu proponho outra coisa... proponho ao eurodeputado Mário David que nunca mais volte, que vá pedir ao Vaticano asilo político ou espiritual se assim o entender ou fique por Bruxelas quero lá saber. Se ele acha que a opinião da maioria dos portugueses não pode ser posta em causa não sei porque é que ele continua a ser do PSD que só tem 29,11% dos Portugueses do seu lado. Aliás, ninguém tem maioria! Como é que ele resolve isto? É uma besta, é a única explicação. Leiam besta no sentido bíblico se acharem mais bonito.
Tenho dito. Desculpem lá o mau feitio...
Mas o problema não é o que Saramago, eu próprio ou Bill Maher pensam, ou mesmo o que pensam os teólogos do mundo, o problema que me trouxe aqui é o que pensa a BESTA QUADRADA (e o insulto é propositado) do eurodeputado Mário David (e acreditem que queria mesmo que o atrasado mental googlasse o seu próprio nome para aqui chegar, por isso vou repetir O EURODEPUTADO DO PSD MÁRIO DAVID É UMA BESTA QUADRADA!) e é por causa disto. Esse senhor, eleito porque para ser deputado em Portugal também não é preciso ser grande coisa, acha, por qualquer motivo, que fala pelos portugueses e acha que Saramago devia abdicar da nacionalidade portuguesa por não ser católico e não concordar com a Bíblia. Então e eu? Também devia abdicar? e a malta toda das outras religiões? Todos para Espanha? e o nosso Estado LAICO? Tudo para Espanha também? Ou só podemos ser portugueses enquanto mantivermos em silêncio as nossas crenças pagãs? Eu proponho outra coisa... proponho ao eurodeputado Mário David que nunca mais volte, que vá pedir ao Vaticano asilo político ou espiritual se assim o entender ou fique por Bruxelas quero lá saber. Se ele acha que a opinião da maioria dos portugueses não pode ser posta em causa não sei porque é que ele continua a ser do PSD que só tem 29,11% dos Portugueses do seu lado. Aliás, ninguém tem maioria! Como é que ele resolve isto? É uma besta, é a única explicação. Leiam besta no sentido bíblico se acharem mais bonito.
Tenho dito. Desculpem lá o mau feitio...
sexta-feira, agosto 14, 2009
A minha guitarra favorita ficou orfã...

Ontem faleceu Les Paul, guitarrista e inventor, fundamental no desenvolvimento da guitarra eléctrica contemporânea. Foi Les Paul o responsável pela Gibson Les Paul que vemos na fotografia. Tudo começou por uma guitarra a que chamou "the log" por ser basicamente um bloco sólido de madeira com um braço e um pick up, ao contrário das guitarras eléctricas dos anos 30 que mantinham a caixa de ressonância. O bloco sólido resolveu problemas de feedback e permitiu mais ataque no som da guitarra. O Rock nunca mais soaria da mesma maneira. Les Paul não foi o único, mas foi dos mais relevantes. A Gibson demorou 10 anos até aceitar o modelo de Les Paul e foi, curiosamente, o desenvolvimento paralelo da guitarra da Fender - sua concorrente - que os convenceu finalmente. Hoje a Les Paul é a imagem da Gibson e, ao lado da Stratocaster da Fender, a guitarra eléctrica mais popular e mais copiada do mundo. Para além das guitarras, e como se isso não fosse o suficiente, Les Paul foi absolutamente pioneiro na gravação multi-pistas e foi um dos inventores do primeiro gravador multi-pistas em fita magnética - o primeiro 8 track foi construido para si pela Ampex -, algo que possibilitou desde logo os home made studios. O homem é uma lenda! Eu nunca tive uma Gibson Les Paul, fiquei-me por uma imitação barata, mas esta sempre foi e será a guitarra dos meus sonhos. Les Paul deixou-nos ontem mas o seu nome e a sua guitarra ficam para sempre.
Become a Fan of Les Paul on Facebook
quinta-feira, julho 30, 2009
Eu não sei bem o que quero, mas...
Eu não quero um Primeiro Ministro que acha que se está a fazer "uma perseguição social dos ricos". Porque isso não é verdade. Porque os que mais têm mais devem contribuir para a resolução da crise. Porque a crise foi criada pelos "ricos" e pelos seus bancos de investimento. Por tudo isto e porque quem se põe a dizer estas coisas se prepara, de certeza, para aumentar ainda mais o clientelismo público da pseudo iniciativa privada - se tal ainda for possível depois de tantos bail outs. Prepara-se para defender os senhores dos "iates?".
Porra!
Quem é que se lembra de defender os senhores dos "iates"?
Eu acho, ao contrário do que diz essa senhora, que tem sido feita uma perseguição social dos pobres, dos trabalhadores, dos honestos, dos que não têm amigos importantes num ou noutro governo. Eu acho que essa senhora devia estar calada. Eu acho que ela representa um Portugal que já não interessa a ninguém.
Só para rir um bocadinho... ou chorar, daqui por 2 meses.
Porra!
Quem é que se lembra de defender os senhores dos "iates"?
Eu acho, ao contrário do que diz essa senhora, que tem sido feita uma perseguição social dos pobres, dos trabalhadores, dos honestos, dos que não têm amigos importantes num ou noutro governo. Eu acho que essa senhora devia estar calada. Eu acho que ela representa um Portugal que já não interessa a ninguém.
Só para rir um bocadinho... ou chorar, daqui por 2 meses.
terça-feira, junho 23, 2009
Noite de S. João vem aí e cá está o mau tempo...
Olha! Os Dead Weather não gostam que a gente faça o "embedding" do seu vídeo!Ou será a NBC? É mais provável que seja a NBC. Troquei por um vídeo da banda...
O Texto original deste post:
"Sendo assim mais vale ouvir The Dead Weather ao vivo no Tonight Show de Conan O'Brien...
...muito Rock n Roll!"
quarta-feira, junho 03, 2009
London calling...
| From Photography |
| From Photography |
![]() |
| From Photography |
Foi uma viagem relâmpago mas que me deixou muito bem disposto. Tenho de fazer isto mais vezes. Nunca faço muitas fotografias turísticas e a minha câmara de serviço foi o iPhone. A velocidade e o movimento é o que vos deixo desta vez. Sem pretensiosismos.
quinta-feira, maio 28, 2009
Eu não gosto de Geometria Descritiva!

Eu não gosto de Geometria Descritiva. Nem tenho de gostar. Nem sequer tenho de fingir que gosto, ou tenho? Pelos vistos há quem pense que eu deveria fingir.
Já dei aulas da coisa. Não correu mal, antes pelo contrário. Foi uma paz de alma ensinar a fazer aqueles exercícios. Mas não gosto.
Expliquei milhões de vezes a razão pela qual a Geometria Descritiva deveria ser substituida no currículo por uma disciplina de representação rigorosa que, ainda que aproveitando algumas das bases da anterior, deveria enveredar por técnicas e soluções de representação mais actuais e, sobretudo, deveria primar pela simplicidade e pelo sentido prático ao contrário dos quebra-cabeças abstractos e sem sentido que acabam por moer a paciência de candidatos às Belas Artes nos exames nacionais. Faz bem à moleirinha, vão dizer os mais conservadores, treina o entendimento do espaço, dirão outros assim assim. Eu digo que isso tudo se pode fazer com outras ferramentas e que representar as projecções e sombras nos planos horizontal e vertical de um cone assente num plano projectante vertical, seccionado por um plano oblíquo, etc, etc... é uma chatice que serve apenas para alimentar o monstro.
Não presumo ser o rei da verdade e este é um assunto polémico. Não é pacífico. Nem a minha opinião sobre este assunto se esgota nestas linhas.
Devo dizer ainda, para quem me lê e ainda tem de fazer a disciplina, que raramente um currículo nos agrada na totalidade e que por vezes há desafios que parecem mais tontos ou mais complicados. A verdade é que estão lá e, como não há forma de os contornar, devem ser encarados com responsabilidade. A Geometria Descritiva não é um bicho de sete cabeças Aprende-se e pratica-se e pode, na conjuntura actual, ser uma óptima opção para tirar 20 num exame nacional de acesso ao ensino superior. Só por isso merece a atenção dos alunos. E depois há quem goste muito e muita gente que a acha fundamental. Eu é que não e pronto. Em muitos países civilizados outras disciplinas substituem a exaustiva prática dos ensinamentos de Gaspard Monge (1946 - 1918), não estou a proferir nenhuma blasfémia, ou estou?
imagem de Gaspard Monge retirada do blog Napoleon Bonapart en BD.
quinta-feira, abril 23, 2009
They come out in the sun...

Não sei se já repararam mas os senhores que multam e bloqueiam carros mal estacionados saíram da toca, agora no bom tempo, e andam muito atarefados. Onde estiveram no Inverno, quando havia frio e chuva? Nessa altura não era importante passar as multas? Agora ao sol os carros irritam mais? hummm... Pagaram a esta gente durante o defeso climatérico? Nunca percebi estas políticas de conveniência. Que raio de estupidez, alguém se esqueceu de distribuir impermeáveis aos senhores da Polícia Municipal ou eles só trabalham quando lhes convém? Outra coisa engraçada é que são capazes de entupir uma rua, estacionando em segunda fila ou demorando eternidades para rebocar carros que estão em estacionamento pago mas sem o bilhete, minando o trânsito por completo apenas para cobrar ao cidadão. Isto significa que não servem ninguém a não ser a si próprios. Cobram multas para se financiar, estragam carros de pessoas por falta de 60c., e nunca perdoam o dinheiro do reboque mesmo quando a malta chega a tempo. Com o reboque estacionado em segunda fila cobram o dinheiro e passam ao carro que está à frente. Espectacular! Mais uma coisa que existe e não tem explicação...
fotografia gentilmente gamada do blog Aquela Opinião... é por uma boa causa.
Sobre os eventos do evento...
Tão perto do 25 de Abril, a partir de um evento sobre o evento, lembrei-me de dizer duas ou três coisas sobre o assunto dos eventos sobre o evento. Há um folclore ligado ao 25 de Abril e aos anos setenta portugueses, resultado da nossa cultura e património artístico musical, imagético, literário e poético dessa época. A celebração de uma revolução pode ser sempre contextualizada no facto histórico devidamente datado e não passar disso. Acontece assim quando a relevância política da mesma desaparece da memória colectiva e deixa de fazer sentido na vida diária dos povos. Quando é apenas uma lembrança dos livros de história. Não acho que isso se passe com o 25 de Abril. Não acredito que as vitórias da nossa revolução sejam apenas lembranças de um livro de história ou motivo de estudo de um doutorando qualquer na Torre do Tombo. Acredito que as lições do 25 de Abril são relevantes hoje mais do que o foram nos anos quentes do período pós-revolucionário. É necessário reflectir sobre a guerra, sobre o conceito de guerra, sobre as guerras racistas que insistimos hoje em fazer. Sobre o facto de ter sido a guerra e os guerreiros (leia-se soldados, militares) a alimentar a revolução e a acordar de uma letargia politica aflitiva e asfixiante um povo que, na sua maioria, prefere sempre deixar-se estar como está e não mudar nada, porque mudar incomoda. Essa letargia existe hoje tanto como ontem. Neste contexto questiono-me sobre o interesse de fixar a ideia de 25 de Abril à música do Zeca e do Adriano, aos cravos, ao imaginário estético do realismo socialista de raiz Estalinista (sim porque a revolução de Outubro de 1917 foi a das vanguardas e depois de 1927 as pinturas começaram a ter punhos no ar e foices e martelos e operários e só isso, só isso mesmo), à poesia da Sophia de Melo Breyner, da Natália Correia ou do Manuel Alegre. Questiono-me se não será redutor associar insistentemente a celebração da data a este património cultural tão localizado no tempo. Atenção que a importância artística destes autores não está em causa, antes pelo contrário alguns deveriam ser lembrados mais vezes do que apenas no 25 de Abril. Acho, por outro lado, que as obras dos artistas de hoje também são as da liberdade, as da democracia. Devemos procurar a democracia na nossa cultura actual, na nossa arte. Afirmar a vitória da revolução pela liberdade de fazer novo, de fazer diferente. Chamam-me por vezes pós-moderno, algo que nem sequer está bem definido do ponto de vista teórico, mas creio que verdadeiramente pós-moderno é o burguês que põe o cravo na lapela e canta a Grândola uma vez por ano e que no dia seguinte defende políticas elitistas nas escolas públicas, se opõe aos rendimentos mínimos e compra acções da EDP e da Portugal Telecom e vende ao sabor do mercado anarco-liberal que nos abafa. Aquele que acha normal pagar nos hospitais e nos tribunais e cobrar €1500 por ano a um aluno que frequenta o ensino superior público. O revolucionário da aparência e do folclore é que é o pós-moderno. A democracia serviu e serve também para esses se manifestarem à vontade mas hoje a censura é severa e dura, é perigosa e está legislada como na altura. A censura é aceite e a manifestação controlada, o mais possível muda. Os direitos são lineares e as responsabilidades cívicas deixadas para as polícias que se exigem mais musculadas e violentas com os excluídos. Já me alonguei, já me estiquei demasiado. Para mim o 25 de Abril foi obrigatório, veio tarde demais, é fundamental para que hoje possa escrever este blog e vale pelos princípios da liberdade, da democracia, pelo respeito pelos direitos humanos, de cidadania, pela solidariedade social, pela igualdade, muito pela igualdade, vale por uma ideia de sociedade e de governo que protege os mais necessitados que distribui os recursos e se defende da acumulação ilícita, abusiva, que garante a justiça, combate a fome, recusa a guerra e todos os dias, todos os dias mesmo, trabalha para que os mais novos possam ter uma educação que está enraizada neste valores. Para que eles nunca acabem.
segunda-feira, abril 20, 2009
J.G.Ballard (1930 - 2009)

O mais visionário dos escritores contemporâneos, o homem que escreveu sobre o nosso futuro da forma mais brilhante, extraordinária e acertada, o Júlio Verne que o século XXI merecia, J. G. Ballard, faleceu este domingo aos 78 anos. Autor de "Atrocity Exhibition", "Crash", "Empire of the Sun", "Cocaine Nights", "Super-Cannes" e tantos outros romances e contos deixa-nos uma obra que começa por ser de ficção ciêntifica e entretanto, lentamente, se transforma num relato frio e detalhado do presente como se tivéssmos concretizado finalmente as profecias Ballardianas. A violência do mundo contemporâneo, a separação do real, brutal e absoluta, uma relação fetichista com objectos como automóveis e aviões, desertos pós-modernos como parques de estacionamento, aeroportos e condomínios fechados, um futuro/presente de catástrofe ecológica sem moral e re-escrevendo a ética toda do início... Ballard era tanto que eu nem consigo imaginar a perda!
"The writer’s task is to invent the reality."
J.G. Ballard"The fact that an event has taken place is no proof of its valid occurrence."
The Atrocity Exhibition
Para quem não conhece podem sempre adquirir algum dos livros acima citados ou ver os filmes "Crash" de David Cronenberg e "Empire of the Sun" de Steven Spielberg, ou mesmo "Aparelho Voador a Baixa Altitude" de Solveig Nordlund, o único filme português sobre um conto de Ballard.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






