Serei sempre contra uma visão utilitarista da justiça, da educação ou mesmo da intervenção da Segurança Social. Não cabe, em situação alguma, ao Estado ou a qualquer outra instituição o direito de limitar uma mulher na procriação. Por muito que pareça lógico ou economicamente favorável um Estado não pode impor uma cirurgia deste tipo a uma mulher. É este consenso sobre a violência que o Estado vai cometendo sobre aqueles que devia proteger que nos deixa indefesos perante estes momentos de lei marcial económica. Confundimos a estreita moral utilitária economicista com valores éticos absolutos. Um juiz que deixa passar uma situação destas deveria renunciar e dedicar-se a outra coisa qualquer. Não serve a lei, a justiça ou os cidadãos. Valha-nos que ainda vão aparecendo vozes esclarecidas como nos é contado nesta notícia do Público.
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quinta-feira, junho 20, 2013
Sr. Doutor Juiz, posso levar um insulto?
Este texto vem no contexto da notícia «Jornalista condenado a multa e indemnização por chamar "idiota" a ex-secretário de Estado» do jornal Público de 19 de junho de 2013.
Atenção: este texto tem linguagem menos própria para o consumo dos mais pudicos.
Acho muito complicado e perigoso que em Portugal se condene alguém por chamar "idiota" a um governante. Em primeiro lugar porque está em causa a liberdade de expressão e em segundo porque pode, em última análise, impedir que alguém diga a verdade.
Bem sei que o acórdão condena o arguido sobretudo por ter chamado "idiota" a um secretário de estado sem ter apresentado justificação para o efeito. Alguns argumentarão que ter sido secretário de estado de Sócrates é motivo bastante, por exemplo. São livres de pensar isso. Mas seria com certeza, como noutros casos se fez, muito fácil fazer prova da idiotice deste ou daquele secretário de estado em tribunal, bastando para o efeito recorrer à leitura de declarações públicas ou ao enunciado das medidas que se vão tomando nas secretarias de estado.
No caso em apreço o jornalista escreveu que o inatacável funcionário do estado "é o mais idiota dos políticos que conheço e foi durante este último ano e meio secretário de Estado da Agricultura e Florestas" e continua dizendo "um dia será ministro das Finanças, ou da Educação, ou da Justiça de um qualquer governo, a confiar no aparelho partidário do Partido Socialista, onde parece que toda a gente boa foi de férias e só ficaram as galinhas".
As palavras são fodidas (olha, usei uma delas agora mesmo). Se o jornalista em apreço tivesse o talento para desenhar um galinheiro com o símbolo do Partido Socialista pendurado e um grupo de galinhas a bicar no chão sendo uma delas a carinha laroca do dito inominável e inatacável secretário de estado, o senhor doutor juiz nunca o teria condenado. Apesar de sabermos todos que as galinhas são um bicho que só não é idiota quando está no tacho.
Mas os símbolos são do caraças e a semiótica é fodida. Se em vez de galinhas fossem porcos numa pocilga já era diferente e o juiz deste caso, admirador confesso, presumo, dos brilhantes trabalhos na área da liberdade de expressão realizados pela justiça iraniana ou chinesa, já iria franzir o sobrolho e pensava "mil... mil e trezentos, devem bastar". Já, por último, se trocássemos os porcos por cavalos talvez o dito ex-secretário de estado, cujo nome é impronunciável e cuja dignidade está acima de qualquer suspeita, decidisse em vez de um processo presentear o jornalista em causa com um belo cabaz de Natal. É a natureza dos signos.
O que, com certeza, o senhor doutor juiz, se esqueceu de estudar foi que a palavra "idiota" está ligada ao exercício da política desde a Grécia Antiga ou antes ao não exercício – a palavra vem da raíz iδio que significa “em si mesmo” alguém que se exclui e não participa e que por isso rejeita a política (como tão bem explica Papandreou na sua comunicação no TED – ver aos 12m34s).
Neste caso particular talvez o jornalista não se estivesse a referir à falta de exercício e participação política do dito cujo, mas antes a um exercício que, em si mesmo, exclui os outros, exclui a comunidade para a qual trabalha. Por estar distante daqueles a quem se destina é idiota por princípio. Exatamente aquilo que se passa hoje na nossa governação “idiota”.
Mas ser "idiota" toca a todos. Ser o "mais idiota" toca a quase todos, uma vez ou outra. Incluindo-me a mim na galeria dos mais idiotas muitas vezes. É diferente de chamar "gatuno" que implica roubar, ou "cabrão" que implica um exercício específico da sua senhora ou, no máximo dos máximos, "filho da puta" que põe em causa a moral da proveniência dos rendimentos da mãe. "Idiota" em Portugal significa um ignorante ou vaidoso. Dificilmente encontraremos alguém que não pense o mesmo da maioria dos políticos. Estarão proibidos de o dizer sem o justificar?
Os políticos, sobretudo os que governam, estão a jeito. Não são cidadãos comuns. Legislam, afetam a vida das pessoas de forma determinante e andam com seguranças não identificados que batem e dão ordem de prisão. Nas revoluções perdem as cabeças. Literalmente. O exercício de um cargo político obriga a aceitar que nos chamem idiotas sem qualquer justificação. Faz parte. É diferente de dizer que roubamos. É só dizer que fomos maus. Dizer que se é "o mais idiota" é só dizer que fomos os piores.
Não quero um país em que não se possa chamar "idiota" livremente a um governante. Sobretudo sendo este um país de governantes Idiotas, Ignorantes, Vaidosos, Mentirosos e que todos os dias vão governando a favor dos seus interesses sem qualquer tipo de pudor nem compaixão pelos seus cidadãos. Será que é proibido mandá-los "à merda"?
Quanto custa senhor doutor juiz?
Neste mercado de insultos que se tornaram alguns tribunais portugueses, na inútil e impossível defesa da dignidade dos que nos governam, apetece-me entrar e dizer: Vou levar três "idiotas", uma dúzia de "gatunos" e apenas um "filho da puta"*, mas só porque não me pagam agora em junho. Venho cá em novembro e levo mais...
Tenham juiz(o).
* atenção que estou só a brincar, não me pagam o suficiente para liberdades dessas...
Atenção: este texto tem linguagem menos própria para o consumo dos mais pudicos.
Acho muito complicado e perigoso que em Portugal se condene alguém por chamar "idiota" a um governante. Em primeiro lugar porque está em causa a liberdade de expressão e em segundo porque pode, em última análise, impedir que alguém diga a verdade.
Bem sei que o acórdão condena o arguido sobretudo por ter chamado "idiota" a um secretário de estado sem ter apresentado justificação para o efeito. Alguns argumentarão que ter sido secretário de estado de Sócrates é motivo bastante, por exemplo. São livres de pensar isso. Mas seria com certeza, como noutros casos se fez, muito fácil fazer prova da idiotice deste ou daquele secretário de estado em tribunal, bastando para o efeito recorrer à leitura de declarações públicas ou ao enunciado das medidas que se vão tomando nas secretarias de estado.
No caso em apreço o jornalista escreveu que o inatacável funcionário do estado "é o mais idiota dos políticos que conheço e foi durante este último ano e meio secretário de Estado da Agricultura e Florestas" e continua dizendo "um dia será ministro das Finanças, ou da Educação, ou da Justiça de um qualquer governo, a confiar no aparelho partidário do Partido Socialista, onde parece que toda a gente boa foi de férias e só ficaram as galinhas".
As palavras são fodidas (olha, usei uma delas agora mesmo). Se o jornalista em apreço tivesse o talento para desenhar um galinheiro com o símbolo do Partido Socialista pendurado e um grupo de galinhas a bicar no chão sendo uma delas a carinha laroca do dito inominável e inatacável secretário de estado, o senhor doutor juiz nunca o teria condenado. Apesar de sabermos todos que as galinhas são um bicho que só não é idiota quando está no tacho.
Mas os símbolos são do caraças e a semiótica é fodida. Se em vez de galinhas fossem porcos numa pocilga já era diferente e o juiz deste caso, admirador confesso, presumo, dos brilhantes trabalhos na área da liberdade de expressão realizados pela justiça iraniana ou chinesa, já iria franzir o sobrolho e pensava "mil... mil e trezentos, devem bastar". Já, por último, se trocássemos os porcos por cavalos talvez o dito ex-secretário de estado, cujo nome é impronunciável e cuja dignidade está acima de qualquer suspeita, decidisse em vez de um processo presentear o jornalista em causa com um belo cabaz de Natal. É a natureza dos signos.
O que, com certeza, o senhor doutor juiz, se esqueceu de estudar foi que a palavra "idiota" está ligada ao exercício da política desde a Grécia Antiga ou antes ao não exercício – a palavra vem da raíz iδio que significa “em si mesmo” alguém que se exclui e não participa e que por isso rejeita a política (como tão bem explica Papandreou na sua comunicação no TED – ver aos 12m34s).
Neste caso particular talvez o jornalista não se estivesse a referir à falta de exercício e participação política do dito cujo, mas antes a um exercício que, em si mesmo, exclui os outros, exclui a comunidade para a qual trabalha. Por estar distante daqueles a quem se destina é idiota por princípio. Exatamente aquilo que se passa hoje na nossa governação “idiota”.
Mas ser "idiota" toca a todos. Ser o "mais idiota" toca a quase todos, uma vez ou outra. Incluindo-me a mim na galeria dos mais idiotas muitas vezes. É diferente de chamar "gatuno" que implica roubar, ou "cabrão" que implica um exercício específico da sua senhora ou, no máximo dos máximos, "filho da puta" que põe em causa a moral da proveniência dos rendimentos da mãe. "Idiota" em Portugal significa um ignorante ou vaidoso. Dificilmente encontraremos alguém que não pense o mesmo da maioria dos políticos. Estarão proibidos de o dizer sem o justificar?
Os políticos, sobretudo os que governam, estão a jeito. Não são cidadãos comuns. Legislam, afetam a vida das pessoas de forma determinante e andam com seguranças não identificados que batem e dão ordem de prisão. Nas revoluções perdem as cabeças. Literalmente. O exercício de um cargo político obriga a aceitar que nos chamem idiotas sem qualquer justificação. Faz parte. É diferente de dizer que roubamos. É só dizer que fomos maus. Dizer que se é "o mais idiota" é só dizer que fomos os piores.
Não quero um país em que não se possa chamar "idiota" livremente a um governante. Sobretudo sendo este um país de governantes Idiotas, Ignorantes, Vaidosos, Mentirosos e que todos os dias vão governando a favor dos seus interesses sem qualquer tipo de pudor nem compaixão pelos seus cidadãos. Será que é proibido mandá-los "à merda"?
Quanto custa senhor doutor juiz?
Neste mercado de insultos que se tornaram alguns tribunais portugueses, na inútil e impossível defesa da dignidade dos que nos governam, apetece-me entrar e dizer: Vou levar três "idiotas", uma dúzia de "gatunos" e apenas um "filho da puta"*, mas só porque não me pagam agora em junho. Venho cá em novembro e levo mais...
Tenham juiz(o).
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José António Fundo
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quarta-feira, junho 19, 2013
Uma questão de empatia...
O relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, intitulado "duas faces da saúde", revela aquilo que é já uma doença clássica nacional. A total e absoluta falta de empatia da classe política, dos governantes em particular, relativamente aos graves problemas da população portuguesa.
Quem ouviu ontem o Ministro Poiares Maduro na TVI ficou com a ideia de que para este governante Portugal é um caso de sucesso. Como somos todos ignorantes ficamos a saber que não vai haver despedimentos na função pública, apenas "requalificações" e que a coligação está forte. Ora, na mesma altura o outro partido da coligação estava a realizar um congresso em que prometia o oposto do que o governo anuncia. A "requalificação" só se for na situação no trabalho para efeitos de IRS que será requalificado para "desempregado" pois os números de redução de efetivos na função pública prometidos à Troika ultrapassam em muito as reformas e os contratados que vão ser postos a andar. Finalmente todos os números relativos ao nível de vida dos portugueses estão no pior de sempre desde que temos liberdade mas Maduro acha que este é o caminho certo. Para Maduro este é o Portugal com que ele sempre sonhou, um em que ele é Ministro e que os outros se f****. O grau de irrealidade e de desplante na distorção dos factos chega a ser cómico.
Mas voltando ao relatório da OPSS. O que me chocou é que se concluiu que o acesso à saúde piorou, sobretudo para os mais pobres e para os idosos, a aquisição de medicamentos deixou, em muitos casos, de ser feita e que o governo ultrapassou em muitos milhões a poupança prevista ou aconselhada pela Troika para o sector. Ou seja, segundo Maduro, Gaspar ou Passos, estaremos no sentido certo e o Ministro da Saúde Paulo Macedo é, considerado por todos, o melhor do mundo. Tirando para os velhinhos e os pobrezinhos claro, mas o que é que esses interessam no grande esquema das coisas?
Lá na Europa e nos Bildenbergs, G20s e G8s ninguém quer saber. A vida é tratada ao quilo. Como foi tratada a vida dos cerca de mil cidadãos do Bangladesh que morreram soterrados ao lado dos nossos pólos cor-de-rosa da Benetton. Ninguém quer saber. Os números dos gráficos são grandes demais e a riqueza das nações, como é o exemplo dessa grande nação que é o Brasil, não representa os problemas sociais e as dificuldades da grande massa de pobres que não participa desse sucesso económico feito de polícia militar, balas e condomínios de luxo muito fechadinhos.
Conclusão. Há mais gente a deixar de ir aos médicos e a deixar de tomar os medicamentos, há mais suicídios, há mais fome e muito mais pobreza, mas os ministros são bons, são académicos competentes e a sua palavra é rainha. Portugal está bem, a Europa recomenda-se, no Brasil as pessoas que se calem porque a FIFA quer fazer uma festa e quer silêncio, tirando o ruído irritante das "caixirolas" oficiais. Na Turquia vai tudo a eito que os parques não são para as pessoas, são para os governos mostrarem quem manda. No G8 a Rússia defende um criminoso no poder na Síria porque lhe interessa vender umas armas (boa estratégia económica, o rating da Rússia ainda vai subir). A China agora é de todos os que lá vão molhar o pincel, na mão de obra barata, menos dos pobres chineses. Obama anda a espionar a malta toda, a culpa é do rapaz que o denunciou, e na América matam-se na rua todos os dias sem que se legisle contra as armas porque dão muito guito nos bolsos dos políticos republicanos que querem que se ensine o Adão e a Eva na escola primária em vez do Darwin (possa que ainda há pior que o Crato), etc e etc e etc... tenho de deixar de ler jornais e ver notícias. Começa a ser demasiado difícil.
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José António Fundo
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2013,
crise,
democracia,
economia,
OPSS,
Poiares Maduro,
política,
saúde
segunda-feira, junho 17, 2013
Pela profissão e pela educação.
A luta dos professores, a nossa luta, é uma luta por melhores condições de trabalho. Por melhores remunerações. Contra a precariedade do trabalho docente. Por uma melhor e mais justa organização do nosso trabalho. É uma luta contra as regras que permitem ao governo descartar, como se faz com as fraldas, docentes efetivos com muitos anos de trabalho. É uma luta por melhores condições para todos os milhares de fantásticos professores que são essenciais ao sistema e que, apesar disso, todos os anos são chamados de contratados e estão impedidos de serem profissionais com estabilidade no emprego.
Todos estes motivos são legítimos. Ao contrário do que nos querem fazer crer é totalmente legítimo fazer greve por motivos estritamente ligados ao exercício da profissão. Todos o fazem. E quando não o fazem é porque chantagens ilegítimas os impedem de se manifestar. É um execício de liberdade e tem consequências. Tem de ter consequências para fazer sentido.
Mas há motivações acrescidas. Este Ministério da Educação já provou que pouco ou nada lhe interessa a qualidade da oferta educativa pública. A injustiça cometida sobre os alunos da Soares dos Reis é exemplo da falta de ética e valores de justiça nas suas decisões. E os professores sabem que o Ministro mente e que o que promete hoje amanhã desmente. Sabem também que cada vez mais apresentarão como inevitável um sistema em que empresas privadas organizam e enriquecem com o ensino público por via de concessões. A greve dos professores é um alerta de que a classe não vai admitir a privatização da escola pública. Não vai admitir a degradação progressiva da oferta pública para justificar esta privatização.
É isto tudo que está em causa, são muitos os motivos. Não se esqueçam que a greve vem depois de trapalhadas e desmentidos, de mega agrupamentos e de novos "programas" realizados contra os professores. Não há motivos para confiar na qualidade do trabalho e na veracidade da palavra do Ministro. A greve é apenas o corolário de uma má governação, sempre contra os portugueses.
Por outro lado a tarefa primeira dos professores é ensinar e só depois avaliar. Os professores ao fazer greve às vigilâncias estão, na prática, a fazer greve a uma tarefa menor da profissão que nem sequer a dignifica. Apenas se prejudica uma função administrativa do ensino. Não se prejudicam os alunos.
Os professores levam hoje a escola às costas. Contra tudo e contra todos. Cumprem todo o tipo de tarefas e fazem muitos sacrifícios. São os artífices de uma das mais significativas melhorias de resultados na Europa. Recuperaram uma sociedade marcada pelo analfabetismo e pelo abandono escolar. Têm poucos a defendê-los, na sua maioria alunos que diariamente testemunham o seu entusiasmo, competência e dedicação.
Os professores merecem mais respeito e estão de facto a dar uma lição de democracia aos seus alunos. Nunca nos devemos resignar às lógicas utilitaristas desta selvajaria liberal. Nunca nos devemos calar na defesa dos nossos direitos e liberdades.
No dia 27 de Junho, dia da greve geral, devemos estar lá todos, alunos, professores, pais, trabalhadores do público e do privado, juntos lado a lado por um país com identidade, por um país que respeita as pessoas, por uma Europa de todos e não só de alguns.
domingo, junho 16, 2013
O trabalho dos professores é ensinar os alunos. Verdade?
Nunca vi uma classe profissional ter de defender uma greve desta maneira. É inédito. Alguém sabe os motivos da greve dos controladores aéreos franceses? Não, pois não?
É sobre o "Céu Único Europeu". Primeiro pensei que fosse uma ideia do Papa Francisco, mas depois percebi que era um projeto que, na prática, retira a soberania dos ares aos países Europeus para a dar aos do costume. Só a Ryan Air é que disse que se deveria proibir a greve dos controladores. Cá em Portugal, com tanta gente, já em férias, apeada em aeroportos, ninguém quer saber. A greve é bem justa, já agora.
O que pergunto é:
Os alunos vão à escola para aprender. Verdade?
O trabalho dos professores é ensinar os alunos. Verdade?
Se nenhum aluno perdeu uma única aula com esta greve como pode sair prejudicado?
Se faço greve a uma vigilância, uma vez que não sou nem polícia, nem segurança, estarei a falhar no meu dever cívico e profissional aos meus alunos?
A Malta está qualificada é para dar aulas e apoiar alunos. As notas são um processo administrativo e os exames também.
Esta greve é, na verdade, aquela que menos prejudica os alunos!
Numa escola aprende-se e ninguém deixou de aprender este ano. O resto são tretas. E treteiros não faltam.
sábado, maio 25, 2013
Um Ministério que presta um serviço mínimo.
Gostava de saber qual é o conceito de serviço mínimo adaptado aos conselhos de turma ou às vigilâncias de exames nacionais.
Podem-se realizar conselhos de turma só com um terço dos professores (a lei parece dizer que não)? E estes, em greve, entregarão as classificações?
Poderão os exames funcionar só com um vigilante?
A questão é esta: se o professores são tão importantes porque é que são tratados como inúteis?
As greves atingem onde dói mais, nada mais natural. E acontecem em situações extremas, por exemplo:
- Quando se prepara o despedimento indiscriminado de professores do quadro.
- Depois de provado que se paga a colégios privados para abrir turmas que as escolas públicas estão proibidas de abrir.
- Depois de congelamentos intermináveis da carreira.
- Quebras brutais em salários e benefícios.
- Aumento das horas de trabalho e do número de funções paralelas.
- Processos kafkianos de avaliação criados para dividir a classe.
- Legislação avulsa, fora de tempo e pedagogicamente perversa que altera programas, métodos de acesso ao ensino superior e regras de funcionamento das escolas e dos concursos.
Os professores têm sido atacados não apenas como classe ou grupo profissional, em assuntos diretamente relacionados com concursos, colocações, salários, horário de trabalho e funções. O próprio sistema de ensino e a qualidade do processo educativo, onde têm um papel absolutamente esencial, estão a ser postos em causa por medidas contrárias à qualidade da educação.
A greve só é surpresa e só é injusta para quem ou anda a dormir ou não tem respeito nenhum pelos portugueses que são ou foram alunos.
Devemos refletir sobre a natureza destas medidas, cuja maioria não foi exigida por nenhuma troika. Foi a ideologia retrógrada, conservadora e sobretudo protecionista dos mais favorecidos que criou esta miséria de ideias em que se tornou o mais importante ministério de uma democracia.
Andam secretários de estado (Poiares Maduro) a dizer que a Constituição é um entrave à livre iniciativa legislativa democrática porque lhes falta escola, falta escola democrática a estes governantes. Porque não sabem que a liberdade pertence aos cidadãos e não aos governos que os exploram e desrespeitam. A Constituição existe para impedir que tais governantes tenham poder sem limites e falhem nos seus deveres aos cidadãos.
Uma escola livre e autónoma, verdadeiramente democrática e centrada no aluno e nas suas necessidades, irá derrotar esta ideologia passadista e criar cidadãos maduros e responsáveis diferentes desta "gente".
O futuro anda na escola e merece o melhor de nós.
domingo, maio 12, 2013
domingo, maio 05, 2013
Será que 40 horas chegam para tanto trabalho?
Os professores em Portugal têm de realizar 1100 minutos de aulas por semana. São, de facto, 22 aulas de 50 minutos, os chamados "tempos". Para leccionar uma disciplina que, por semana, ocupe 4 destes tempos, ou seja 200 minutos, cada professor terá de ter 5 turmas e meia. Seja lá o que "meia" for. Nas regras actuais isso significa cerca de 150 alunos. Se por mês o professor dedicar 30 minutos de trabalho de casa a avaliar e a reflectir sobre cada um destes alunos - que dedica mais, tendo em conta toda a preparação de aulas, correcções de trabalhos, etc. - isso representa 4500 minutos por mês, 90 tempos de 50 minutos por mês ou seja 22,5 tempos por semana.
Quer isto dizer que os professores, sem muita dedicação, facilmente atingem os 44 ou 45 tempos (de 50 minutos) por semana. 36 horas de trabalho no mínimo.
A juntar a isto estão as Componentes Não Lectivas (trabalho realizado na escola diferente de aulas - apoios, clubes e outras tarefas) que representam mais 150 minutos no mínimo legal.
São, no total, 39 horas de trabalho hoje, sem aumentos nenhuns!
Agora imaginem em disciplinas com menos de 200 minutos semanais e com o respectivo aumento do número de turmas para 6, 7 ou 8. Mais de 200 alunos. Será que chega?
Isto para explicar que o aumento do horário do trabalho na função pública é uma farsa quando se aplica aos professores e terá consequências terríveis na qualidade do sistema educativo se for aplicado às horas lectivas.
Um caminho sem retorno?
Pode parecer que não, para quem ouça os economistas, mas o caminho que seguimos todos tem retorno. Chama-se respeito próprio. E esse respeito próprio deve expressar-se na rejeição total e absoluta desta visão da escola como uma empresa pecuária.
Não somos trabalhadores de um matadouro nem os alunos são animais para serem tratados como tal!
Esta escola está a ser construída para realizar uma triagem social e os professores são os funcionários encarregues do trabalho sujo que os ideólogos do poder exigem mas não admitem.
Os alunos que sairão destes modelos de organização da escola vão andar nas ruas amanhã e não se vão esquecer do que lhes fizeram. Quando a violência, a falta de respeito pelo outro, o caos tomar as nossas ruas os dedos estarão apontados aos professores, esses tarefeiros. Serão então exigidas medidas para repor a ordem, mais polícia, mais autoridade.
Nessa altura os políticos de hoje estarão todos a viver muito bem e longe da confusão que criaram.
Que não se esqueçam também aqueles que se ficam a rir ou aplaudem estas medidas com esgares de vingança porque, se um professor ou funcionário do estado pode dar mais, daqui a pouco tempo o seu patrão irá concluir que ele próprio pode dar ainda mais e a ganhar ainda menos.
Os padrões de tempo de trabalho e vencimento estabelecidos pelo estado têm sempre reflexo nas empresas privadas e em contexto de crise tudo se admite.
Que a divisão que nos semeiam no meio do povo não floresça. Que o nosso respeito próprio vença a estupidez do "hunger game" neo-liberal. É necessário resistir sempre e cansar os ouvidos dos que ainda não acordaram.
quinta-feira, abril 25, 2013
Hoje posso gritar "Passos para a rua!"
Dei este título porque quero escrever algo positivo neste 25 de Abril. Não sei se consigo mas vou tentar.
Este título vale, no dia de hoje, não tanto pelo meu desejo que tal se concretize ou porque seja esse o assunto desta crónica, mas mais pela celebração da minha liberdade de o escrever. É absolutamente inegável que o 25 de Abril marca o início de um processo de libertação dos portugueses das amarras das concepções perversas e curtas do que é um Estado, um País, um Povo. Mas não foi só nesse dia que se conquistou a liberdade. Em muitos dias seguintes, em 39 anos, esta foi sendo conquistada e trabalhada e vivemos hoje uma democracia.
O trabalho está longe de estar concluído. Percebemos hoje que as tentações totalitárias dos que estão no poder se mantêm e que é necessário vigiar a democracia. Percebemos hoje que a democracia é sobretudo fruto de uma educação para a liberdade. Só um povo educado em liberdade vai conseguir viver e exercer totalmente a democracia. O papel dos outros, dos que não foram educados em liberdade, será o de garantir que os mais novos o sejam.
Esta é uma questão absolutamente essencial para aqueles que, no nosso país, se sentem donos da democracia apenas porque já vestiam calças em 1974. A democracia não pertence a ninguém. Uns não são mais dignos dela do que outros. Não se reclama totalmente conquistada. Conquista-se todos os dias.
Existe em Portugal uma geração que se considera a "da democracia". Todos os anos se esforça em provar que o povo português, mais novo, raramente é digno de tão nobre e generosa oferta.
Todos os anos, nos jornais e na TV se torcem todos de alegria nervosa quando vêem um jovem ou uma criança a errar um detalhe histórico ou demonstrar desconhecimento sobre os conceitos em causa. Gemem felizes com a ignorância dos mais novos e vangloriam-se da sua consciência democrática e histórica.
É uma hipocrisia. Se os mais jovens não sabem mais é porque nós temos vergonha de falar do 25 de Abril. Guardamos um dia do ano para o assunto. Cantamos umas músicas e vendemos aquela flor. Mas não falamos de política.
Para uns o 25 de Abril é uma cena de comunistas. Ainda estão sob efeito da era Mccarthy. Para os políticos é mais um dia de discursos e oportunidade para uma aparição televisiva. Para os sindicalistas um dia de manifestações e mais uma aparição televisiva. Para a maior parte é mais um feriado e folclore.
No fundo é como o Natal. A discussão é exatamente a mesma e não vou estar para aqui a enumerar as mais do que óbvias semelhanças nos discursos sobre a natureza, significado e importância de ambas as coisas.
Isto para dizer que para mim o 25 de Abril é todos os dias (como se diz do Natal). Para dizer que a liberdade é um ar que se respira. Ás vezes aparece degradada e cheira mal, está poluída. Por isso é necessária uma proteção da liberdade e da democracia tal como se protege o meio ambiente, ou os animais. É necessário que grupos de pessoas discutam opções políticas democráticas, práticas de liberdade. E devemos olhar para isso com satisfação e não com enfado. Com interesse e não com indiferença.
Nas escolas é necessário ensinar a liberdade e com liberdade. A escola não é neutra portanto é importante que não finja uma neutralidade que não existe. Que assuma o seu papel democrático.
Temos de aceitar que mais importante do que saber coisas sobre este dia é saber como exercer a liberdade, pensar em liberdade. É mais importante saber se os nossos jovens se sentem livres e percebem a importância da democracia. Se se sentem parte do sistema democrático e defendidos dentro do sistema democrático.
A escola existe para fazer entender mas também para criar o desejo de entender, o desejo de crescer. A escola não serve para prescrever pilhas de memórias e de conteúdos.
A liberdade não se entende por um conjunto de factos históricos. Entende-se por uma prática e um exercício em conjunto. Do querer aprender e do viver essa aprendizagem.
Só pela educação se realiza o 25 de Abril. Abdicar dos valores da escola para todos é abdicar da ideia de que nascemos iguais.
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José António Fundo
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sexta-feira, abril 19, 2013
O caso do "Excel" avariado
Tenho andado a seguir esta notícia em sites internacionais. É um caso curioso. Em 2010 Carmen Reinhart e Ken Rogoff publicaram um artigo "Growth in a time of debt". Nesse artigo, após uma extensa análise de cerca de 200 anos de dados económicos, afirmam categoricamente que o crescimento económico de um país diminuía sempre que a dívida era mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).
Este artigo foi um tiro de partida para as medidas de austeridade que a Europa adoptou com tanta dedicação.
Vem-se a ver agora que os dados analisados no artigo, ou seja a folha de "Excel" usada para fazer as contas continha erros. Seria no mínimo cómico caso não tivesse consequências trágicas para milhões de trabalhadores europeus.
Vamos então ver isto por partes:
1- O conteúdo do artigo não foi inteiramente revisto por pares, como a academia exige, nem os dados citados como fonte foram publicados para serem revistos aquando da sua publicação. Só agora foi possível rever os dados. Esta crítica é generalizada. É este o grau de exigência dos economistas europeus a este nível...
2- Pessoalmente acho estranho que, com "ferramentas tão potentes" de análise de dados, se tenha recorrido ao Excel para tão importante empreitada.
3- A notícia do Público não explora a questão como deveria. Os investigadores Thomas Herndon, Michael Ash, e Robert Pollin da Universidade de Massachusetts, ao reverem os dados descobriram que Reinhart e Rogoff cometeram 3 tipos de falhas: exclusão de dados arbitrária, ponderação de dados incorreta e erros de fórmulas de calculo.
4- Uma outra análise dos mesmos dados pode levar a concluir o contrário daquilo que afirmam os autores. Que uma retração económica pode levar a um aumento da dívida em percentagem do PIB e não o contrário. Isto é fácil de perceber, não é preciso nenhum "excel". Quando são tomadas medidas de austeridade que retiram dinheiro das carteiras das pessoas por via de quebra de salários e aumento de impostos, e simultaneamente o Estado reduz o seu investimento na economia, o dinheiro a circular diminui porque sai para o exterior em juros de dívida inflacionados, diminui a produtividade porque a procura não existe e a economia retrai-se e o PIB cai. Como os juros são insustentáveis e o pagamento da dívida é suportado por nova dívida, as medidas de austeridade vão provocar um aumento da dívida em percentagem do PIB. É o que está a acontecer em Portugal.
Por isso estamos em espiral recessiva. Acreditar em milagres ou conversas como "com sacrifício vamos ultrapassar as dificuldades" é uma treta. Só se resolve a crise com medidas políticas e económicas europeias concretas e inteligentes. A larga escala.
Os nossos sacrifícios não estão a servir para nada excepto um programa de emagrecimento dos serviços do Estado que vai deixar os mais desfavorecidos entregues a si mesmo e garantir uma prática de transferência do dinheiro dos impostos para a iniciativa privada empresarial, sobretudo o sector financeiro da economia. Teremos um páis economicamente rico mas com um povo pobre.
Quem vier dizer que é o contrário está a enganar-nos. Foi o que aconteceu na América de Bush e é o que querem que aconteça aqui.
O facto de Vítor Gaspar citar o "estudo" de Reinhart e Rogoff não é de estranhar. Os políticos liberias no poder "tratam-nos como shamans, não economistas" e vão continuar a acreditar nas suas conclusões ainda que sejam provadas erradas. Nada disto é ciêntifico e fingir que é tem consequências desastrosas.
Gaspar não é um bom técnico, é só um mau político. É preciso perder o pudor de pôr em causa estes deuses de pés de barro da ciência exacta que de exacta não tem nada.
quinta-feira, abril 11, 2013
Investir nas pessoas ou no dinheiro?
Do meu ponto de vista todo o dinheiro gasto, pelo Estado, em salários ou pensões tem um efeito positivo para a economia. Na verdade a classe média gasta o seu dinheiro em Portugal e o que poupa guarda-o em bancos dentro de portas. Estes trabalhadores/consumidores põem a economia e a procura interna a funcionar e permitem o crescimento.
É o principal investimento do estado na economia, é o investimento nas pessoas, deveria ser o princípio destes liberais, não o oposto. O bem estar dos cidadãos promove os índices de confiança. Uma nação optimista pode investir e avançar. Uma nação deprimida e castigada dificilmente investe no que quer que seja. São promovidos sentimentos de insegurança, desconfiança e de revolta social.
Emprestar dinheiro aos bancos para sanear as suas contas, agregar compras em contratos gigantes para empresas gigantes, concessionar serviços públicos para gerar receitas a grandes empresas (as que ganham as concessões) à base de serviços piores com salários mais baixos, aceitar as chantagens de agiotas como são o FMI ou o BCE com empréstimos com garantias ruinosas, contratar escritórios de advogados para fazer o trabalho dos deputados e dos acessores (pagos a peso de ouro), baixar os salários aos cidadãos de modo a que não gastem mais do que o absolutamente essencial (pelos vistos uma prática moral purificadora dos valores) e outras aventuras são práticas habituais do estado capitalista e conservador contemporâneo.
Assiste-se hoje a uma dependência total e absoluta do grande capital em relação aos estados para o seu financiamento e para a manutenção de negócios e contratos altamente rentáveis. Esta dependência faz-se igualmente no modo como o tráfico de influências garante um fluxo constante de legislação que desregula o comportamento incorrecto e vai garantindo ferramentas de resgate e saneamento económico quando tudo corre mal.
Passamos de ter pessoas dependentes do estado para ter bancos e corporações dependentes totalmente dos estados. Não é, com certeza, apenas o Estado Português mas é também o Estado Europeu na figura do seu banco central e da comissão europeia.
Por isso, hoje, o trabalho do Estado tem sido financiar uma economia sem pessoas (ou com muito poucas pessoas) com o dinheiro que retira às pessoas e aos organismos que garantem qualidade de vida às pessoas, como são as escolas, os hospitais ou organismos e instituições produtores e promotores de cultura.
Não aceito discursos catastrofistas que apresentem Portugal como um país sem viabilidade económica. Não aceito os discursos que dizem que para haver país temos de ser pobres e muito menos os aceito vindo daqueles que não sofrem com a crise. Ouvimos todos os dias banqueiros e grandes empresários a dizer que devemos fazer sacrifícios mas eles próprios vêem os seus lucros a aumentar com as contradições da crise. Para eles, a desgraça alheia, mais não é do que uma oportunidade de negócio. E eles próprios, como cidadãos, não fazem um único sacrifício.
A verdade é que estamos ao serviço de interesses mais altos do que nós. Interesses que põem a vida das pessoas em segundo lugar.
A única solução passa pela demissão deste governo e por eleições. Passa pela discussão alargada das soluções possíveis para a gestão desta crise. Sim, porque não há saída para a crise, pelo menos enquanto os nossos parceiros europeus acharem que a Europa se faz com os interesses só de alguns.
Deixarmo-nos levar por discursos económicos falsamente pragmáticos é abandonar a ideia de que as soluções são necessariamente políticas, como sempre foram na história, e que passam por opções estratégicas que abram oportunidades de crescimento aos mais fracos. Essa é a margem de crescimento da Europa.
quinta-feira, abril 04, 2013
A demissão de Miguel Relvas.
"Ministro Miguel Relvas pede demissão"
no site do jornal Público.
Miguel Relvas demite-se. Até que enfim! O ar está mais limpo...
Passos Coelho ainda teve menos coragem do que o próprio Relvas e esperou que este saísse nas suas próprias condições, "por vontade própria", "sem condições anímicas" mas estranhamente "como entrou". Já tinha combinado a saída e ainda assim falou de coesão do governo. É só um exemplo da falta de coerência do que habitualmente diz.
Nuno Crato, que deveria seguir o mesmo caminho, guardou o resultado da investigação até que este decidisse sair e recusou-nos ver feita a justiça feita a um ministro. Ficamos a saber que um Ministro que falha ou que mente se mantém no cargo o tempo que quer e que inclusive a justiça do Ministério da Educação espera que se demita para cumprir o seu dever. Viva a dignidade do Governo!
Relvas gaba-se do trabalho feito pela RTP e pelas autarquias que extinguiu. Também se gaba do programa "impulso jovem" com "mais de dez mil candidatos a estágios" ou por exemplo "na igualdade de género". Pois, foi o que eu pensei...
Ou seja, está a pedir-nos a equivalência a Ministro sem ter feito realmente o curso, sem ter cumprido o seu trabalho.
Uma mão cheia de nada, muitas más ideias, algumas mal intencionadas, outras inúteis, e a indignidade do cargo são as únicas coisas que Relvas nos deixou em dois anos.
Relvas deveria agora ir fazer os exames do secundário e tentar o acesso ao ensino superior público, antes que ponham em causa o seu 12º ano. Era de homem sentar-se ao lado dos que verdadeiramente se esforçam e estudam para o seu futuro.
Vamos voltar a ouvir falar de Relvas mas para mim, honestamente, é um político sem interesse mas com interesses, sem ideais mas cheio de ideias, alguém que deveria desaparecer da esfera pública para sempre.
no site do jornal Público.
Miguel Relvas demite-se. Até que enfim! O ar está mais limpo...
Passos Coelho ainda teve menos coragem do que o próprio Relvas e esperou que este saísse nas suas próprias condições, "por vontade própria", "sem condições anímicas" mas estranhamente "como entrou". Já tinha combinado a saída e ainda assim falou de coesão do governo. É só um exemplo da falta de coerência do que habitualmente diz.
Nuno Crato, que deveria seguir o mesmo caminho, guardou o resultado da investigação até que este decidisse sair e recusou-nos ver feita a justiça feita a um ministro. Ficamos a saber que um Ministro que falha ou que mente se mantém no cargo o tempo que quer e que inclusive a justiça do Ministério da Educação espera que se demita para cumprir o seu dever. Viva a dignidade do Governo!
Relvas gaba-se do trabalho feito pela RTP e pelas autarquias que extinguiu. Também se gaba do programa "impulso jovem" com "mais de dez mil candidatos a estágios" ou por exemplo "na igualdade de género". Pois, foi o que eu pensei...
Ou seja, está a pedir-nos a equivalência a Ministro sem ter feito realmente o curso, sem ter cumprido o seu trabalho.
Uma mão cheia de nada, muitas más ideias, algumas mal intencionadas, outras inúteis, e a indignidade do cargo são as únicas coisas que Relvas nos deixou em dois anos.
Relvas deveria agora ir fazer os exames do secundário e tentar o acesso ao ensino superior público, antes que ponham em causa o seu 12º ano. Era de homem sentar-se ao lado dos que verdadeiramente se esforçam e estudam para o seu futuro.
Vamos voltar a ouvir falar de Relvas mas para mim, honestamente, é um político sem interesse mas com interesses, sem ideais mas cheio de ideias, alguém que deveria desaparecer da esfera pública para sempre.
domingo, março 03, 2013
Carta aberta a Rudolfo Rebelo.
Esta carta vem no contexto desta notícia publicada no jornal Público de 1 de Março de 2013.
Meu querido Ruddy,*
Tendo lido uma carta que tu de modo tão socialmente hábil publicaste no teu mural do facebook venho por este meio enviar-te esta missiva. Espero que compreendas.
Já percebi que és um adepto da epistolografia e que conheces bem a política e os políticos. Usas de muita familiaridade para com todos, pelos vistos. Para além disso imitas muito bem Christine Lagarde, menos o seu penteado prateado, como é visível na fotografia, mas hás-de lá chegar. Também dominas as redes sociais e tens, até ao momento, 28 amigos que gostam da carta que enviaste a António José Seguro. Adivinha quantos amigos vão gostar desta minha carta?
Estás convencido que os problemas de Portugal estão resolvidos. Pagamos tudo a tempo, os juros desceram, está tudo no bom caminho. A crise está a caminho do fim. Bem... ou não lês jornais, para os quais trabalhaste, nem artigos de economia sobre a situação da Europa ou andas a tomar qualquer coisa porque não podias estar mais iludido.
A verdade é que o teu patrono e patrocinador está a destruir o país. Com a ajuda de liberaizinhos de pacote como tu que se armam que percebem muito do assunto e pervertem os verdadeiros resultados desta política.
Ora nem Passos, que sempre foi mau aluno na escola, nem tu, percebem realmente o que está a acontecer. Porque acreditam numa cartilha que divide a sociedade em dois. Os privilegiados chicos espertos dum lado e o povo burro do outro. Porque acreditam que é pela pobreza do povo que se alcança a riqueza da nação. Porque acreditam que uma economia dominada pelo grande capital e sem regras se auto-regula e que o trabalho barato e o Estado mínimo é meio caminho andado para o lucro. Nada mais parvo!
Portugal empobrece a cada minuto. A cada minuto mais portugueses prescindem de uma refeição que não conseguem pagar e tu gozas. Ris-te e tratas o líder da oposição por Tozé numa carta a zombar das suas pretensões e a armar em especialista. Com o teu chefinho Relvas já é outra coisa. O fulano é aquilo que sabemos mas não se pode tocar no senhor. Já é feio gozar com Relvas. Ou, como diz o teu outro amigo Mendes Bota, é crime.
Tu não foste eleito Rudolfo. És um contratado para fazer sabe-se lá o quê com dinheiro nosso. Tem respeito! Não estás em posição de ensinar nada a ninguém. Aliás nem que estivesses terias essa competência. Não chegas lá e a presunção de que o teu paizinho político vai resolver a crise é a prova disso mesmo.
És um lacaio de um partido. Um boy. Um pretenso jornalista que na realidade nunca foi imparcial. E andas nestas lides para ganhar dinheiro. Ganhas dinheiro com a crise Rudolfo. E gozas com os portugueses.
Imagino o gozo que te deve dar observar o modo como os teus patrocinadores destroem o país, o tecido empresarial, a educação, a cultura, a saúde publica.
Por causa de tipos como tu Portugal deixou de existir e tu gozas! E és pago por nós! E gozas com a situação.
Um qualquer amiguito teu poderia brincar com António José Seguro. Não é que ele também não mereça. Mas tu Rudolfo, és pago pelo Estado para aconselhar o Primeiro Ministro. Deverias ser um fulano com mais nível. Mais qualidade.
Afinal quanto te pagam mesmo? E o que é que fazes pelo país mesmo que ainda não percebi? Dás conselhos? Tu?
Quantos colegas teus de escola se estarão a rir agora?
Envio-te esta carta aberta em meu nome. Não estou a fingir que seja outro. Mas se preferires posso dizer que isto também é humor. Só tenho um bocadinho de melhor gosto do que tu.
Se vires este texto no facebook vê bem quantos "likes" tenho e compara e repara bem para que lado pende a balança.
* entenda-se como diminutivo de "rude" em inglês e que significa mal-educado.
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
A responsabilidade social e o seu significado
Hoje, por acaso, na procura do significado de uma palavra, fui dar a um site de uma empresa de consultoria financeira e gestão e aconselhamento de investimentos. Os tempos recentes deixaram-me curioso em relação a estas empresas. À sua organização, estrutura e princípios.
Ponho-me a pensar se, há 4 ou 5 anos atrás, aconselharam ou não a comprar dívida grega ou produtos tóxicos do BPN ou outras coisas igualmente desagradáveis. Ponho-me a pensar na complexidade da tomada de decisões e na responsabilidade envolvida no aconselhamento. Tenho algum respeito pelos desafios que este trabalho implica e tenho bem a noção dos perigos e das perversões que pode implicar.
No site desta empresa em particular descubro uma área intitulada "Responsabilidade Social". Vou ler.
Fiquei de boca aberta. Então não é que os senhores doutores, mestres do investimento, do pouco e do muito risco, se preocupam com questões de responsabilidade social. Gostei.
Mas há um problema. Não estão a falar de responsabilidade nas suas funções como consultores e investidores mas sim de caridade. Afinal a empresa entrega uma parte do seu lucro, pequena suponho mas pouca diferença faz, para instituições de apoio social. Isto porque, dizem eles que os sistemas de segurança social se revelam cada vez mais incapazes de responder às necessidades da sociedade. Nada de mal aparentemente.
O problema reside exactamente no que está ausente. Um compromisso de responsabilidade social nos próprios investimentos que aconselham. Ou seja... podemos aconselhar o investimento em fundos que financiam guerras ou o trabalho escravo. Podemos aconselhar comprar dívida má contraída em situações de desespero planeado. Podemos investir em industrias poluentes ou em grupos económicos sustentados por ditaduras. Desde que pareça limpo e prometa resultados não perguntamos de onde vem nem para onde vai o dinheiro. Mas damos algum para caridade.
Enfim, investimos na criação de pobreza mas no fim pagamos a sua sopa a uns pobres.
Falta lá dizer que a empresa investe na sustentabilidade, no respeito pelo ser humano e pelo meio ambiente e que faz um rastreio ético dos seus investimentos. Isto é que é responsabilidade social. Mas ninguém quer saber disto pois não?
Como professor a minha responsabilidade social é mais do que ser bom professor mas é sobretudo ser um bom professor. Isso significa ensinar as matérias mas também orientar para a educação de valores éticos. Isso significa ter um comportamento profissional socialmente responsável. Não me chega ser um professor qualquer e depois dar uns euros por mês para a Unicef.
É por estas e por outras, por não existir uma deontologia do investidor e do mercado financeiro, que podemos estar certos que a crise não terminará. Tornar-se-á eterna. Vamos habituar-nos à condição de cidadãos menores. Os sem capital. A força trabalhadora. E vamos aceitar a caridade destes e de outros que ganham dinheiro sem querer saber se investiram na nossa desgraça. O que os levará para o céu é que nos pagaram a sopa e por isso estaremos eternamente gratos.
Não sei se esta empresa investe bem ou mal. Devemos sempre presumir que cumprem a lei e acredito que sejam bons rapazes (só homens nos órgãos sociais). O que interessa aqui é a questão teórica e de comunicação que revela uma forma particular de ver as coisas, de definir um conceito de responsabilidade. Só isso.
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
Os Donos de Portugal.
Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.
Já tem 9 meses e já passou na RTP2 este documentário de Jorge Costa. Passou tarde. Para estarmos todos a dormir. Como se não fosse costume andarmos todos a dormir...
Ficamos a perceber Portugal e porque é que seremos sempre um povo pobre, miserável. Porque somos canibais, desprovidos de auto-estima e respeito próprio. Porque somos submissos e aguardamos, nesse estado conformado e acrítico, uma oportunidade para explorar e lixar os nossos parceiros de miséria. E por isso fechamos os olhos a evidências como as que são contadas neste interessante filme.
Já tem 9 meses e já passou na RTP2 este documentário de Jorge Costa. Passou tarde. Para estarmos todos a dormir. Como se não fosse costume andarmos todos a dormir...
Ficamos a perceber Portugal e porque é que seremos sempre um povo pobre, miserável. Porque somos canibais, desprovidos de auto-estima e respeito próprio. Porque somos submissos e aguardamos, nesse estado conformado e acrítico, uma oportunidade para explorar e lixar os nossos parceiros de miséria. E por isso fechamos os olhos a evidências como as que são contadas neste interessante filme.
O caso do doutoramento da ministra alemã da educação.
"Doutoramento retirado a Ministra da Educação Alemã" in Público de 6 de fevereiro de 2013.
O caso do doutoramento copiado da ministra da educação alemã tem muito que se lhe diga. Temos, em Portugal, o irritante hábito de comparar nestas notícias o que aconteceu lá fora com o que acontece cá dentro. Por isso peço antecipadas desculpas.
Antes de mais, neste caso como noutros, resta dizer que as trincheiras políticas, lá como cá, estão repletas de chicos espertos com pouca ou nenhuma ética. Não há como confiar nos políticos que nos governam e quando falamos de ministros alemães também estamos a falar de políticos que nos governam. O sistema está doente porque atrai os piores e os qualifica. A meritocracia partidária favorece o descaramento e a falta de escrúpulos em desfavor da inteligência, da ética e do mérito cientifico ou profissional. Podemos facilmente perceber isso sobretudo durante o mandato de um pretenso governo tecnocrata que cada vez mais percebemos como ideologicamente comprometido. Sem mérito e sem ideias reais de como realmente governar o país, o nosso governo vai governando os seus interesses e as fortunas.
Do ponto de vista do caso estritamente académico quero dizer pouco. Apenas que, em defesa da senhora, a originalidade é cada vez mais rara e a universidade incentiva a cópia porque, muitas vezes, se encontra incapaz de avaliar o que é realmente novo. Ou se encontra o bosão de Higgs ou então temos de balançar entre o que foi já dito e o que queremos dizer. Mais difícil ainda quando se trata das Ciências Sociais ou das Artes. Neste caso, antes de demitir a senhora do governo, convinha ver que doutores alemães se deixaram levar e perceber se eles também não estarão um pouco aquém. A internet, de todas as opiniões, está hoje a ganhar dez a zero ao elitismo universitário na diversidade, na liberdade e também na correção científica. A cultura fechada de muitas instituições fará delas edifícios do saber obsoletos e esquecidos.
Para acabar, e porque não podia deixar de ser, a natural comparação com o caso Relvas. A demissão da ministra parece inevitável. Já um outro ministro alemão levou a mesma sentença pelo mesmo motivo. O governo português, por seu lado, insiste em deixar um senhor com uma licenciatura que desafia as regras mais elementares numa posição de destaque. Dá-lhe, inclusive, a autoridade para retalhar e vender o bem público e não o põe em causa. Ética lusitana.
Somos vítimas diárias de presidentes de banco mal educados e outros que mentem nos impostos e são amnistiados com discursos cheios de cagança. Falam alto e mandam, gozam e insultam. Ética lusitana.
A sociedade portuguesa, vista pelo governo de Passos, não é nem será nunca meritocrática apesar das teorias sombra de Nuno Crato. A sociedade portuguesa é feudal. Por isso a questão de um doutoramento forjado nunca seria aqui levantada contra um senhor ministro. Contra um elemento da corte nunca! No caso de o ser, seria considerada uma questão menor pelo primeiro ministro e ignorada. Ética lusitana.
Cabe-nos construir um sistema educativo que trabalhe para a resolução destes problemas pela educação de todos. Para que o exercício do poder possa ser mais ético e os eleitores estejam em condições de emitir um juízo lógico e participar também nas decisões políticas. A resolução da credibilidade dos políticos resolve-se pela educação. Só uma sociedade educada pode produzir e eleger os melhores representantes governativos. Aquilo a que temos assistido, em termos de cortes e políticas educativas, vai no sentido oposto. No sentido de criar uma sociedade em que uns têm tudo, a riqueza e o poder de decisão e governação, e outros têm apenas o dever de cumprir as necessidades dos primeiros.
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
As tolices de Fernando Ulrich
A propósito de mais um conjunto de declarações infelizes de um presidente de um Banco provindo de uma família de Banqueiros... alemães!?
Publicado no meu facebook.
"Já comecei três vezes um texto sobre Fernando Ulrich. Na verdade não há palavras. Tolice minha. O que podemos dizer sobre este homem? Que tem zero de respeito pelos portugueses? Que tem zero de respeito pelas pessoas que não tiveram, como ele teve, a papinha toda feita a vida inteira? Que não tem respeito por aqueles a quem o Estado não empresta barato milhões de euros para salvar das asneiras que fez nos negócios?
Faço uma pergunta a Fernando Ulrich: Aguentas dar uma volta a pé aqui pela baixa do Porto num dia a combinar?
Não aguentas, acredita. A gente também já não te aguenta."
Publicado no meu facebook.
"Já comecei três vezes um texto sobre Fernando Ulrich. Na verdade não há palavras. Tolice minha. O que podemos dizer sobre este homem? Que tem zero de respeito pelos portugueses? Que tem zero de respeito pelas pessoas que não tiveram, como ele teve, a papinha toda feita a vida inteira? Que não tem respeito por aqueles a quem o Estado não empresta barato milhões de euros para salvar das asneiras que fez nos negócios?
Faço uma pergunta a Fernando Ulrich: Aguentas dar uma volta a pé aqui pela baixa do Porto num dia a combinar?
Não aguentas, acredita. A gente também já não te aguenta."
domingo, janeiro 27, 2013
quarta-feira, janeiro 02, 2013
O discurso de ano novo do nosso PdR. (republicação do facebook)
O nosso querido Professor de Economia acabou agora de falar. Deu uma aula interessante sobre uma teoria impossível.
As contas de que fala têm séculos de existência e só funcionam hoje naquelas cabecinhas quadradas, recitadas como um credo religioso, pontuadas com umas pitadas de elogio fúnebre a um povo moribundo. Sabemos ser pobres bem! Olha que bom!
O senhor não explica, embora fale disso, porque é que a receita aplicada piorou a tal percentagem da dívida de que falou. Piorou a situação que era suposto resolver! Isso não será um sinal? Não, nós somos todos burros.
A minha conclusão? Está preocupado em respeitar acordos, não em resolver problemas. Os tais acordos que em 2010 e 2011 não previram a crise da zona euro. Realizados por gente muito competente vê-se bem. A tal crise já existia e só piorou com os tais maravilhosos acordos e programas. Os que temos de cumprir a qualquer custo.
Ficamos a saber que o nosso PdR tem amigos que acreditam em Portugal. Amigos estrangeiros. Uau! E também que alguns desses precisam de empréstimos para investir. Sugiro o BANIF, acabou de garantir 1100 milhões de euros que não existiam para a educação ou para a saúde e que os tais senhores dos acordos nem se importam que a gente gaste... já se fosse em escolas ou salários seria um escândalo. Não há pachorra senhor Presidente. Para si e para a geração de políticos e economistas que representa em Portugal.
Desejo-lhe um ano tão bom quanto o será para um dos nossos milhares de desempregados. Obrigado por tudo.
As contas de que fala têm séculos de existência e só funcionam hoje naquelas cabecinhas quadradas, recitadas como um credo religioso, pontuadas com umas pitadas de elogio fúnebre a um povo moribundo. Sabemos ser pobres bem! Olha que bom!
O senhor não explica, embora fale disso, porque é que a receita aplicada piorou a tal percentagem da dívida de que falou. Piorou a situação que era suposto resolver! Isso não será um sinal? Não, nós somos todos burros.
A minha conclusão? Está preocupado em respeitar acordos, não em resolver problemas. Os tais acordos que em 2010 e 2011 não previram a crise da zona euro. Realizados por gente muito competente vê-se bem. A tal crise já existia e só piorou com os tais maravilhosos acordos e programas. Os que temos de cumprir a qualquer custo.
Ficamos a saber que o nosso PdR tem amigos que acreditam em Portugal. Amigos estrangeiros. Uau! E também que alguns desses precisam de empréstimos para investir. Sugiro o BANIF, acabou de garantir 1100 milhões de euros que não existiam para a educação ou para a saúde e que os tais senhores dos acordos nem se importam que a gente gaste... já se fosse em escolas ou salários seria um escândalo. Não há pachorra senhor Presidente. Para si e para a geração de políticos e economistas que representa em Portugal.
Desejo-lhe um ano tão bom quanto o será para um dos nossos milhares de desempregados. Obrigado por tudo.
quarta-feira, dezembro 12, 2012
quinta-feira, dezembro 06, 2012
Carta aos meus alunos.
Aos meus alunos,
Hoje decidiram protestar nas ruas. Não apoiei a decisão apesar de defender a sua justiça. Creio que o momento certo ainda está para vir. É o meu lado estratega a pôr-se à frente do impetuoso.
Devo, no entanto, salientar a justiça do protesto. As medidas resultantes da aplicação da legislação mais recente no ensino artístico trazem graves injustiças no vosso acesso ao ensino superior.
Em causa estão os exames de Português e Filosofia a aplicar já este ano mesmo ao 12º ano e a não utilização das classificações da P.A.A. e da F.C.T. no cálculo da média de acesso ao ensino superior.
A direção fez propostas para a sua alteração e para uma aplicação gradual dos exames e espera que, pelo menos em parte, estas propostas sejam atendidas pelo M.E.C. Acreditamos verdadeiramente que a justiça das nossas pretensões, que são as vossas, vai prevalecer. Não porque sejamos fortes ou berremos mais alto mas porque temos razão.
Somos uma escola de artistas, artistas cultos que sabem Português e Filosofia, mas artistas ainda assim e é desse modo que os alunos devem ser avaliados.
Somos a escola dos que querem aprender mais e mais cedo, não a escola dos que fogem ao trabalho. É isso que vamos provar àqueles que querem fazer de nós uma escola das Ciências e das Humanidades com umas aulitas de Desenho para enganar. Não há cursos de música sem instrumentos e nós temos o Projeto e as nossas oficinas. Sabemos que não basta pensar nas coisas é preciso fazê-las e devemos rejeitar este modelo em que vos querem dar cada vez menos aulas para terem tempo para estudar para os exames.
A escola existe para ensinar, para dar aulas, para dar espaços de trabalho aos seus alunos, não para os mandar para casa estudar. Não para os ordenar pela sua capacidade de responder a perguntas escritas num determinado tempo.
A vossa Soares dos Reis é a casa onde vocês trabalham tanto como outro qualquer trabalhador numa empresa (o mesmo número de horas por semana). Aprendem e fazem dentro da escola, não lá fora em explicações ou a estudar em casa. É assim que deve funcionar.
Vamos defender o nosso modelo juntos contra os que vos acham incapazes de transformar o mundo.
Como vosso professor proponho que sejamos, em protesto, os melhores do mundo. Que este ano as Provas de Aptidão Artística sejam as mais espectaculares. As notas de Português, História, Desenho ou Filosofia sejam as mais altas. Contra tudo e contra todos porque ninguém pára um artista com uma causa.
Proponho usarmos o artista chinês Ai Weiwei como inspiração contra esta visão preguiçosa do mundo que nos querem impor. A liberdade de um artista nunca termina e é nos momentos difíceis que o seu trabalho se levanta ainda mais relevante e genial. Para nós este é o momento de sermos geniais.
José António Fundo
Professor de Imagem e Som
Escola Artística de Soares dos Reis.
Ai Weiwei fez este vídeo para fazer rir o povo chinês enquanto lutam contra aquilo que o governo lhes tira e o vídeo foi bloqueado pelas autoridades.
Notícia da Agência Lusa (via Jornal Público) neste link.
Hoje decidiram protestar nas ruas. Não apoiei a decisão apesar de defender a sua justiça. Creio que o momento certo ainda está para vir. É o meu lado estratega a pôr-se à frente do impetuoso.
Devo, no entanto, salientar a justiça do protesto. As medidas resultantes da aplicação da legislação mais recente no ensino artístico trazem graves injustiças no vosso acesso ao ensino superior.
Em causa estão os exames de Português e Filosofia a aplicar já este ano mesmo ao 12º ano e a não utilização das classificações da P.A.A. e da F.C.T. no cálculo da média de acesso ao ensino superior.
A direção fez propostas para a sua alteração e para uma aplicação gradual dos exames e espera que, pelo menos em parte, estas propostas sejam atendidas pelo M.E.C. Acreditamos verdadeiramente que a justiça das nossas pretensões, que são as vossas, vai prevalecer. Não porque sejamos fortes ou berremos mais alto mas porque temos razão.
Somos uma escola de artistas, artistas cultos que sabem Português e Filosofia, mas artistas ainda assim e é desse modo que os alunos devem ser avaliados.
Somos a escola dos que querem aprender mais e mais cedo, não a escola dos que fogem ao trabalho. É isso que vamos provar àqueles que querem fazer de nós uma escola das Ciências e das Humanidades com umas aulitas de Desenho para enganar. Não há cursos de música sem instrumentos e nós temos o Projeto e as nossas oficinas. Sabemos que não basta pensar nas coisas é preciso fazê-las e devemos rejeitar este modelo em que vos querem dar cada vez menos aulas para terem tempo para estudar para os exames.
A escola existe para ensinar, para dar aulas, para dar espaços de trabalho aos seus alunos, não para os mandar para casa estudar. Não para os ordenar pela sua capacidade de responder a perguntas escritas num determinado tempo.
A vossa Soares dos Reis é a casa onde vocês trabalham tanto como outro qualquer trabalhador numa empresa (o mesmo número de horas por semana). Aprendem e fazem dentro da escola, não lá fora em explicações ou a estudar em casa. É assim que deve funcionar.
Vamos defender o nosso modelo juntos contra os que vos acham incapazes de transformar o mundo.
Como vosso professor proponho que sejamos, em protesto, os melhores do mundo. Que este ano as Provas de Aptidão Artística sejam as mais espectaculares. As notas de Português, História, Desenho ou Filosofia sejam as mais altas. Contra tudo e contra todos porque ninguém pára um artista com uma causa.
Proponho usarmos o artista chinês Ai Weiwei como inspiração contra esta visão preguiçosa do mundo que nos querem impor. A liberdade de um artista nunca termina e é nos momentos difíceis que o seu trabalho se levanta ainda mais relevante e genial. Para nós este é o momento de sermos geniais.
José António Fundo
Professor de Imagem e Som
Escola Artística de Soares dos Reis.
Notícia da Agência Lusa (via Jornal Público) neste link.
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