quarta-feira, dezembro 02, 2009

Today´s Oblique Strategy ou Today's Useless Thought.

Desde 2 de Agosto deste ano dediquei-me a publicar no twitter e no facebook as Oblique Strategies publicadas em 1975 por Brian Eno e Peter Schmidt. Tudo começou com uma aplicação para o iPhone que achei muito curiosa e que me deu a conhecer este trabalho. Durante algum tempo não sou o que fazer com ela até que me surgiu a ideia de publicar uma "oblique strategy" por dia para eu e os meus leitores ou seguidores no twitter e facebook eventualmente reflectirmos sobre outros modos de resolver problemas criativos ou do simples dia a dia. São sugestões tão simples quanto desconcertantes e a sua publicação exigia de mim um pequeno esforço que me obrigava a reflectir sobre cada uma delas. Mais do que simplesmente consultar uma aplicação no telefone e ler uma frase.
Pois bem, acabaram as Oblique Strategies. Devo dizer que espero que o seu resultado seja melhor nos leitores do que em mim porque continuo exactamente onde estava ou mesmo pior. Mas isso já era de esperar.
A minha estratégia para hoje será começar algo novo. Não vou publicar frases com o nome do projecto de Eno e Schmidt porque isso seria uma falha grave de direitos de autor e uma palermice. Por isso decidi iniciar um conjunto novo com frases minhas. Em inglês porque há leitores do twitter e do facebook que não são portugueses e porque mais se irão juntar, espero.
A partir de hoje irei tentar publicar de segunda a sexta um "Useless Thought" e o Useless Thought de hoje é: Start something useless.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Não queria voltar por este motivo mas...

Já há muito que não escrevia no blog. Planeava há algum tempo uma nova estratégia de actuação que envolvesse posts frequentes até que acontece isto: José Saramago faz afirmações sobre o que entende da Bíblia e dos seus ensinamentos e afirmações. É evidente que Saramago sabe que muitos católicos não entendem as escrituras de uma forma literal, mas também é sabido que as interpretações já deram origem a muitas asneiras por gente de muita responsabilidade e que causaram muita morte. Do ponto de vista do comportamento dos seus fieis se não há dúvida que o catolicismo é abrigo de muita "caridade" e boas acções na ajuda do próximo também não podemos escamotear as barbaridades morais, a charlatanice, os falsos princípios e a hipocrisia. Para não esquecer a guerra. Por coincidência vi esta semana o documentário "Religulous" de Bill Maher que tenta provar a completa inutilidade da crença religiosa. Bill Maher dificilmente se pode considerar um estudioso do assunto mas diz coisas interessantes e sobretudo revela um grupo de crentes curioso, tonto, mesmo até perigoso e que representa um número de fiéis muito maior do que se imagina. Malta que acredita na bíblia e noutras escrituras de uma forma literal, no Adão e na Eva. Assustador! Eu não acredito, tenho muitas vezes medo do que pode fazer quem acredita e muito menos acredito que muitas leituras me possam explicar aquilo que os próprios católicos deliberam inexplicável: A existência de Deus, A Santíssima Trindade e os Milagres e essas coisas todas... Pura e simplesmente não acredito e custa-me que a palavra Deus vezes demais tenha sida proferida antes ou depois de uma qualquer agressão bélica que vai matar ou já matou milhares de seres humanos. Claro que nenhum genocída vai ler o blog e os meus amigos católicos são todos pela paz mas a associação entre guerra e religião é inevitável.

Mas o problema não é o que Saramago, eu próprio ou Bill Maher pensam, ou mesmo o que pensam os teólogos do mundo, o problema que me trouxe aqui é o que pensa a BESTA QUADRADA (e o insulto é propositado) do eurodeputado Mário David (e acreditem que queria mesmo que o atrasado mental googlasse o seu próprio nome para aqui chegar, por isso vou repetir O EURODEPUTADO DO PSD MÁRIO DAVID É UMA BESTA QUADRADA!) e é por causa disto. Esse senhor, eleito porque para ser deputado em Portugal também não é preciso ser grande coisa, acha, por qualquer motivo, que fala pelos portugueses e acha que Saramago devia abdicar da nacionalidade portuguesa por não ser católico e não concordar com a Bíblia. Então e eu? Também devia abdicar? e a malta toda das outras religiões? Todos para Espanha? e o nosso Estado LAICO? Tudo para Espanha também? Ou só podemos ser portugueses enquanto mantivermos em silêncio as nossas crenças pagãs? Eu proponho outra coisa... proponho ao eurodeputado Mário David que nunca mais volte, que vá pedir ao Vaticano asilo político ou espiritual se assim o entender ou fique por Bruxelas quero lá saber. Se ele acha que a opinião da maioria dos portugueses não pode ser posta em causa não sei porque é que ele continua a ser do PSD que só tem 29,11% dos Portugueses do seu lado. Aliás, ninguém tem maioria! Como é que ele resolve isto? É uma besta, é a única explicação. Leiam besta no sentido bíblico se acharem mais bonito.

Tenho dito. Desculpem lá o mau feitio...

sexta-feira, agosto 14, 2009

A minha guitarra favorita ficou orfã...



Ontem faleceu Les Paul, guitarrista e inventor, fundamental no desenvolvimento da guitarra eléctrica contemporânea. Foi Les Paul o responsável pela Gibson Les Paul que vemos na fotografia. Tudo começou por uma guitarra a que chamou "the log" por ser basicamente um bloco sólido de madeira com um braço e um pick up, ao contrário das guitarras eléctricas dos anos 30 que mantinham a caixa de ressonância. O bloco sólido resolveu problemas de feedback e permitiu mais ataque no som da guitarra. O Rock nunca mais soaria da mesma maneira. Les Paul não foi o único, mas foi dos mais relevantes. A Gibson demorou 10 anos até aceitar o modelo de Les Paul e foi, curiosamente, o desenvolvimento paralelo da guitarra da Fender - sua concorrente - que os convenceu finalmente. Hoje a Les Paul é a imagem da Gibson e, ao lado da Stratocaster da Fender, a guitarra eléctrica mais popular e mais copiada do mundo. Para além das guitarras, e como se isso não fosse o suficiente, Les Paul foi absolutamente pioneiro na gravação multi-pistas e foi um dos inventores do primeiro gravador multi-pistas em fita magnética - o primeiro 8 track foi construido para si pela Ampex -, algo que possibilitou desde logo os home made studios. O homem é uma lenda! Eu nunca tive uma Gibson Les Paul, fiquei-me por uma imitação barata, mas esta sempre foi e será a guitarra dos meus sonhos. Les Paul deixou-nos ontem mas o seu nome e a sua guitarra ficam para sempre.

Become a Fan of Les Paul on Facebook

quinta-feira, julho 30, 2009

Eu não sei bem o que quero, mas...

Eu não quero um Primeiro Ministro que acha que se está a fazer "uma perseguição social dos ricos". Porque isso não é verdade. Porque os que mais têm mais devem contribuir para a resolução da crise. Porque a crise foi criada pelos "ricos" e pelos seus bancos de investimento. Por tudo isto e porque quem se põe a dizer estas coisas se prepara, de certeza, para aumentar ainda mais o clientelismo público da pseudo iniciativa privada - se tal ainda for possível depois de tantos bail outs. Prepara-se para defender os senhores dos "iates?".

Porra!
Quem é que se lembra de defender os senhores dos "iates"?

Eu acho, ao contrário do que diz essa senhora, que tem sido feita uma perseguição social dos pobres, dos trabalhadores, dos honestos, dos que não têm amigos importantes num ou noutro governo. Eu acho que essa senhora devia estar calada. Eu acho que ela representa um Portugal que já não interessa a ninguém.

Só para rir um bocadinho... ou chorar, daqui por 2 meses.

terça-feira, junho 23, 2009

Noite de S. João vem aí e cá está o mau tempo...


Olha! Os Dead Weather não gostam que a gente faça o "embedding" do seu vídeo!Ou será a NBC? É mais provável que seja a NBC. Troquei por um vídeo da banda...

O Texto original deste post:

"Sendo assim mais vale ouvir The Dead Weather ao vivo no Tonight Show de Conan O'Brien...

...muito Rock n Roll!"

quarta-feira, junho 03, 2009

London calling...

From Photography

From Photography

From Photography

Foi uma viagem relâmpago mas que me deixou muito bem disposto. Tenho de fazer isto mais vezes. Nunca faço muitas fotografias turísticas e a minha câmara de serviço foi o iPhone. A velocidade e o movimento é o que vos deixo desta vez. Sem pretensiosismos.

quinta-feira, maio 28, 2009

Eu não gosto de Geometria Descritiva!



Eu não gosto de Geometria Descritiva. Nem tenho de gostar. Nem sequer tenho de fingir que gosto, ou tenho? Pelos vistos há quem pense que eu deveria fingir.
Já dei aulas da coisa. Não correu mal, antes pelo contrário. Foi uma paz de alma ensinar a fazer aqueles exercícios. Mas não gosto.
Expliquei milhões de vezes a razão pela qual a Geometria Descritiva deveria ser substituida no currículo por uma disciplina de representação rigorosa que, ainda que aproveitando algumas das bases da anterior, deveria enveredar por técnicas e soluções de representação mais actuais e, sobretudo, deveria primar pela simplicidade e pelo sentido prático ao contrário dos quebra-cabeças abstractos e sem sentido que acabam por moer a paciência de candidatos às Belas Artes nos exames nacionais. Faz bem à moleirinha, vão dizer os mais conservadores, treina o entendimento do espaço, dirão outros assim assim. Eu digo que isso tudo se pode fazer com outras ferramentas e que representar as projecções e sombras nos planos horizontal e vertical de um cone assente num plano projectante vertical, seccionado por um plano oblíquo, etc, etc... é uma chatice que serve apenas para alimentar o monstro.
Não presumo ser o rei da verdade e este é um assunto polémico. Não é pacífico. Nem a minha opinião sobre este assunto se esgota nestas linhas.
Devo dizer ainda, para quem me lê e ainda tem de fazer a disciplina, que raramente um currículo nos agrada na totalidade e que por vezes há desafios que parecem mais tontos ou mais complicados. A verdade é que estão lá e, como não há forma de os contornar, devem ser encarados com responsabilidade. A Geometria Descritiva não é um bicho de sete cabeças Aprende-se e pratica-se e pode, na conjuntura actual, ser uma óptima opção para tirar 20 num exame nacional de acesso ao ensino superior. Só por isso merece a atenção dos alunos. E depois há quem goste muito e muita gente que a acha fundamental. Eu é que não e pronto. Em muitos países civilizados outras disciplinas substituem a exaustiva prática dos ensinamentos de Gaspard Monge (1946 - 1918), não estou a proferir nenhuma blasfémia, ou estou?

imagem de Gaspard Monge retirada do blog Napoleon Bonapart en BD.

quinta-feira, abril 23, 2009

They come out in the sun...


Não sei se já repararam mas os senhores que multam e bloqueiam carros mal estacionados saíram da toca, agora no bom tempo, e andam muito atarefados. Onde estiveram no Inverno, quando havia frio e chuva? Nessa altura não era importante passar as multas? Agora ao sol os carros irritam mais? hummm... Pagaram a esta gente durante o defeso climatérico? Nunca percebi estas políticas de conveniência. Que raio de estupidez, alguém se esqueceu de distribuir impermeáveis aos senhores da Polícia Municipal ou eles só trabalham quando lhes convém? Outra coisa engraçada é que são capazes de entupir uma rua, estacionando em segunda fila ou demorando eternidades para rebocar carros que estão em estacionamento pago mas sem o bilhete, minando o trânsito por completo apenas para cobrar ao cidadão. Isto significa que não servem ninguém a não ser a si próprios. Cobram multas para se financiar, estragam carros de pessoas por falta de 60c., e nunca perdoam o dinheiro do reboque mesmo quando a malta chega a tempo. Com o reboque estacionado em segunda fila cobram o dinheiro e passam ao carro que está à frente. Espectacular! Mais uma coisa que existe e não tem explicação...

fotografia gentilmente gamada do blog Aquela Opinião... é por uma boa causa.

Sobre os eventos do evento...

Tão perto do 25 de Abril, a partir de um evento sobre o evento, lembrei-me de dizer duas ou três coisas sobre o assunto dos eventos sobre o evento. Há um folclore ligado ao 25 de Abril e aos anos setenta portugueses, resultado da nossa cultura e património artístico musical, imagético, literário e poético dessa época. A celebração de uma revolução pode ser sempre contextualizada no facto histórico devidamente datado e não passar disso. Acontece assim quando a relevância política da mesma desaparece da memória colectiva e deixa de fazer sentido na vida diária dos povos. Quando é apenas uma lembrança dos livros de história. Não acho que isso se passe com o 25 de Abril. Não acredito que as vitórias da nossa revolução sejam apenas lembranças de um livro de história ou motivo de estudo de um doutorando qualquer na Torre do Tombo. Acredito que as lições do 25 de Abril são relevantes hoje mais do que o foram nos anos quentes do período pós-revolucionário. É necessário reflectir sobre a guerra, sobre o conceito de guerra, sobre as guerras racistas que insistimos hoje em fazer. Sobre o facto de ter sido a guerra e os guerreiros (leia-se soldados, militares) a alimentar a revolução e a acordar de uma letargia politica aflitiva e asfixiante um povo que, na sua maioria, prefere sempre deixar-se estar como está e não mudar nada, porque mudar incomoda. Essa letargia existe hoje tanto como ontem. Neste contexto questiono-me sobre o interesse de fixar a ideia de 25 de Abril à música do Zeca e do Adriano, aos cravos, ao imaginário estético do realismo socialista de raiz Estalinista (sim porque a revolução de Outubro de 1917 foi a das vanguardas e depois de 1927 as pinturas começaram a ter punhos no ar e foices e martelos e operários e só isso, só isso mesmo), à poesia da Sophia de Melo Breyner, da Natália Correia ou do Manuel Alegre. Questiono-me se não será redutor associar insistentemente a celebração da data a este património cultural tão localizado no tempo. Atenção que a importância artística destes autores não está em causa, antes pelo contrário alguns deveriam ser lembrados mais vezes do que apenas no 25 de Abril. Acho, por outro lado, que as obras dos artistas de hoje também são as da liberdade, as da democracia. Devemos procurar a democracia na nossa cultura actual, na nossa arte. Afirmar a vitória da revolução pela liberdade de fazer novo, de fazer diferente. Chamam-me por vezes pós-moderno, algo que nem sequer está bem definido do ponto de vista teórico, mas creio que verdadeiramente pós-moderno é o burguês que põe o cravo na lapela e canta a Grândola uma vez por ano e que no dia seguinte defende políticas elitistas nas escolas públicas, se opõe aos rendimentos mínimos e compra acções da EDP e da Portugal Telecom e vende ao sabor do mercado anarco-liberal que nos abafa. Aquele que acha normal pagar nos hospitais e nos tribunais e cobrar €1500 por ano a um aluno que frequenta o ensino superior público. O revolucionário da aparência e do folclore é que é o pós-moderno. A democracia serviu e serve também para esses se manifestarem à vontade mas hoje a censura é severa e dura, é perigosa e está legislada como na altura. A censura é aceite e a manifestação controlada, o mais possível muda. Os direitos são lineares e as responsabilidades cívicas deixadas para as polícias que se exigem mais musculadas e violentas com os excluídos. Já me alonguei, já me estiquei demasiado. Para mim o 25 de Abril foi obrigatório, veio tarde demais, é fundamental para que hoje possa escrever este blog e vale pelos princípios da liberdade, da democracia, pelo respeito pelos direitos humanos, de cidadania, pela solidariedade social, pela igualdade, muito pela igualdade, vale por uma ideia de sociedade e de governo que protege os mais necessitados que distribui os recursos e se defende da acumulação ilícita, abusiva, que garante a justiça, combate a fome, recusa a guerra e todos os dias, todos os dias mesmo, trabalha para que os mais novos possam ter uma educação que está enraizada neste valores. Para que eles nunca acabem.

segunda-feira, abril 20, 2009

J.G.Ballard (1930 - 2009)



O mais visionário dos escritores contemporâneos, o homem que escreveu sobre o nosso futuro da forma mais brilhante, extraordinária e acertada, o Júlio Verne que o século XXI merecia, J. G. Ballard, faleceu este domingo aos 78 anos. Autor de "Atrocity Exhibition", "Crash", "Empire of the Sun", "Cocaine Nights", "Super-Cannes" e tantos outros romances e contos deixa-nos uma obra que começa por ser de ficção ciêntifica e entretanto, lentamente, se transforma num relato frio e detalhado do presente como se tivéssmos concretizado finalmente as profecias Ballardianas. A violência do mundo contemporâneo, a separação do real, brutal e absoluta, uma relação fetichista com objectos como automóveis e aviões, desertos pós-modernos como parques de estacionamento, aeroportos e condomínios fechados, um futuro/presente de catástrofe ecológica sem moral e re-escrevendo a ética toda do início... Ballard era tanto que eu nem consigo imaginar a perda!

"The writer’s task is to invent the reality."
J.G. Ballard

"The fact that an event has taken place is no proof of its valid occurrence."
The Atrocity Exhibition



Para quem não conhece podem sempre adquirir algum dos livros acima citados ou ver os filmes "Crash" de David Cronenberg e "Empire of the Sun" de Steven Spielberg, ou mesmo "Aparelho Voador a Baixa Altitude" de Solveig Nordlund, o único filme português sobre um conto de Ballard.

domingo, abril 19, 2009

I Was Once Shot in the Back of My Head


Shot In The Back Of The Head from Moby on Vimeo.
"Shot in the Back of the Head" é a uma música nova do Moby e este é o video feito pelo David Lynch. São 3 minutos de uma animação muito lowfi completamente a pensar na web. Devo dizer que soube disto pelo twitter do Lynch e que agora acompanho minuto a minuto a vida da Amanda Palmer porque ela está completamente viciada naquilo. Vai passar como tudo passa, essa mania, essa urgência de partilhar-mos todos os minutos da nossa vida com milhares de estranhos. Muitos dirão que é puro marketing para estes músicos e artistas que lutam contra as forças do mal simbolizadas em vilões como os do Pirate Bay (outra visão do mesmo assunto) o falecido Baudrillard diria com certeza algo que eu não consigo aqui reproduzir mas que passaria provavelmente pela noção de que esse hiper-realismo é mais um obstáculo à realidade e promove um ciclo infinito de simulacros que nos afasta cada vez mais de uma qualquer noção de realidade, ainda que remota. Já ninguém quer saber da realidade e comportamo-nos como se isto fosse um filme. Até para esta crise, que sempre aqui esteve mas que não existia só porque não era noticiada, imaginamos um final feliz como se isso fosse inevitável, como se a nossa vida fosse construída com as regras de um argumento de Hollywood. Um dia, com os avanços do DNA e tudo, os pais poderão fazer um post no seu twitter com a sinopse da vida do filho que vai ainda nascer... espectacular!

PS: Vi ontem um filme de 2006 "This is England" de que gostei muito. O filme passa-se em 1983 e devo ter, mais coisa menos coisa, a mesma idade de Shaun - Thomas Turgoose do filme Eden Lake, é genial neste filme dedicado à sua mãe falecida em 2005 -, o protagonista . Um miúdo, filho de um militar morto no conflito das Falklands, acaba por encontrar o único refúgio num grupo de skinheads e vive uma experiência de realidade mais brutal do que procurava mas mais rica também. O crescimento da cultura Nacionalista no Reino Unido veio de um sentimento de crise muito próximo do actual e, em última análise, este filme ensina-nos que o ódio e a violência vêm quase sempre de frustrações muito interiores e pessoais. As ideologias fomentam mais violência quanto mais pobres e infelizes são as pessoas nas suas vidas pessoais e são muitas vezes os mais fundamentalistas os que estão mais distantes dos verdadeiros motivos ideológicos, políticos ou religiosos. O ódio está no lado oposto da convicção mas às vezes odeio tanto tanta coisa...

sábado, abril 04, 2009

Coisas que existem e não têm explicação...

<a href="http://amandapalmer.bandcamp.com/track/creep">Creep by Amanda Palmer</a>
Não tem explicação só encontrar isto agora, não tem explicação o poder desta música, não tem explicação outra menina a tocar ukelelee no Gosto Duvidoso (atenção ao bónus), não tem explicação o facto de gostar do twitter, não tem explicação estar, neste preciso momento, a olhar para uma tartaruga que é minha e a adorar, não tem explicação a confusão que está esta casa, não tem explicação este amor novo que sentes, não tem explicação o anjo que dorme na minha cama...

...e ainda bem que nada disto tem explicação. Como deve ser.

A nossa vida às vezes é épica e tu mano sabes isso ainda melhor do que eu...

sexta-feira, abril 03, 2009

From Pinturas e Desenhos

Há coisas que não têm explicação. Como o amor forte, por exemplo. Acontecem e pronto. Também há coisas que se explicam demasiado, são previsíveis e lógicas. Eu tenho a mania de tentar explicar tudo mas continuo a preferir as coisas que não têm explicação e a vivê-las da forma mais intensa que consigo.

segunda-feira, março 02, 2009

Estás de volta...

... e eu sabia que ias voltar mais tarde ou mais cedo. Na verdade não me preparei convenientemente para isto, embora me tenha convencido que sim. És a minha velha amiga e não ias ficar sempre distante. Agora tenho de entender como te mando embora outra vez. Com que armas. Já aprendi, isso sim, que nunca irás embora eternamente. Esperei por hoje para ter a certeza. Agora sei. Tenho menos forças do que no passado por isso espero que também venhas com menos intensidade.

Tenho de me convencer que é só mais um desafio. Só queria despedir-me de ti para sempre...

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Mais um desenho...



... mais um jantar. Enquanto o Porto lutava contra a má sorte no jogo com o Atlético e vozes mais ou menos agressivas insultavam tudo o que era madrileno, saiu-me mais este. Ao som rouco do Lopes que cantava "Rape me... Rape me... Rape me..." dos Nirvana sem cessar, até ao limite, até me saiu melhor.

Cada vez falo menos de filmes durante o Fantasporto mas hoje vi um bem bonito. Chama-se "Absurdistan" e é do alemão Veit Helmer que realizou "Tuvalu" vencedor em 2000. É uma história de amor entre dois adolescentes numa aldeia perdida no oriente europeu. A luta entre os sexos ganha contornos de comédia quando nesta sociedade absurda e dividida um género deixa de cumprir o seu papel e o outro leva o protesto à consequência mais inevitável, não mais sexo. As mulheres mandam e o amor conquista tudo... isso já nós sabíamos, mas soube-me muito bem este filme.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Ghostbusters princesses and songs



As noites míticas estão de volta? ou nunca desapareceram... espantar fantasmas esteve na ordem do dia e há mesmo noites em que tudo é possível.

Os meus dedos, rotos de maltratar aquelas cordas velhas, parecem hoje de manhã a cara do Mickey Rourke. A minha voz, tão melodiosa como um Buttgereit de dar umas cabeçadas na parede e muito abaixo do recomendável, arrasta-se pela minha garganta com uma dificuldade melosa, enfim, cheia de muco.

O Armando, no entanto, não teve culpa nenhuma e lá ouviu espantado a minha história em que comia os rins da Dalila com vinho branco depois de uma noite tórrida e violenta com o coelhinho da Mónica. Porque pelos vistos ele gosta de sofrer trabalha na Qimonda e foi quase como conhecer uma celebridade. Ou então não...

Será que aconteceu mesmo?

No princípio e no fim pontuaste o meu dia e hoje o Sol pode inundar a tartaruga, aquecer-me o rosto, mas já não me fere os olhos... e eu sorrio, sorrio muito.

ps I: se não há uma palavrinha para os Oscars é porque não vale a pena. Lembro-me sobretudo de te afagar o cabelo.

ps II: a fatiota era genial!

domingo, fevereiro 22, 2009

Mais um jantar do Fantas...



... mais um desenho. Este meio a pedido do Filipe Lopes. Sim porque desta vez já estavam o Lopes, o Pascoalinho e a Tita, sempre com o Ricardo Clara. Grandes amigos de viagem! Na televisão o Sporting - Benfica afastou-me dos desenhos durante quase todo o jantar e a saborosa picardia entre o Lopes e o Pascoalinho soube ainda melhor do que a surpreendente picanha no bar dos bombeiros. Não era a melhor picanha mas muitos de vós também nunca viram o bar dos bombeiros...

... a noite seguiu e tornou-se num dia especial por obrigação de calendário. Como é da praxe fiquei um bocadinho mais emo e fiz uma fita à menina mas dancei muito e tive bons abraços. O Abreu e o Danilo não sairam dali e a Marta Joana ficou quase até ao fim com o grande Lopes. Gosto sempre da presença do economista liberal que é o mano Fundo que me tenta em vão ensinar as proezas do sistema económico e as virtudes do crédito, faz-me bem (ele, não o crédito).

Mas hoje quando acordo só uma frase me vem à cabeça...

O Amor dói muito!

não me perguntem porquê.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O primeiro jantar do Fantas...


... deu nisto. Com o Clara, o Ivan, o Henrique, a Suska, a Catarina Castelejo e mais uma moça de cujo nome não me lembro e que também trabalha pelo fantas. Foi na Brasileira que nos serviu uns pregos em prato tão frios como os seus homónimos em aço.

a conversa descambou algumas vezes como é costume mas cabe aqui fazer o esclarecimento...

... para quem lá estava: O senhor em causa é o Bob Saget que ficou famoso na série "Full House" nos anos 80 e o filme dos pinguins é o "Farce of the Penguins". Pronto, está dito.

Mais para a frente no Festival as brancas que me vão acontecer serão por filmes e nomes bem mais interessantes... espero.

Adivinhem onde estive ontem...


terça-feira, fevereiro 03, 2009

You are the Sun

"You are the sun
You are the only one
You are so cool
You are so rock and roll

Be my, be my, be my little rock and roll queen"

Mesmo com 50 tipos suados e bêbados à minha volta só me lembro daquele sorriso! Esqueci-me dos olhares, dos empurrões, da cerveja que se entorna, esqueci-me das horas, das consequências... esqueci-me de pensar "para onde vai esta gente que está sempre a atravessar a pista?"

... a sério, há gente que sai à noite e que a passa a atravessar um bar sobre lotado de um lado para o outro sem qualquer orientação... só pode ser isso, uma tara, necessidades educativas especiais, sei lá!

Os Kaiser Chiefs fizeram entrar em delírio uma Angry Mob que sabia as letras todas - não eu, a memória nunca ajudou muito - e a malta pinchou e saltou e eu pressenti que a noite ainda estava a começar...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Esta é para ti Zé Ramone!

"He's in love with rock'n'roll woaahh
He's in love with gettin' stoned woaahh
He's in love with Janie Jones
But he don't like his boring job, no..."

Mas tu gostas e isso também é engraçado.

Ninguém rocka como tu Zé Ramone!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Can they?



Hoje pode ter sido o primeiro dia do resto das nossas vidas... Ou então não.
Obama fez o seu discurso para a América mas também para fora. Foi um discurso conciliador mas não deixou de ser muito crítico da política americana dos últimos anos "Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age." Apesar de tudo ainda há sinais de um qualquer eixo do mal e da ideia de que deus comanda o destino dos homens. A palavra "God" faz parte do discurso político americano quase tanto como num discurso de um qualquer mullah a anunciar a sua fatwa. Quase nunca vejo grandes diferenças. Obama tentou ser diferente mas não deixou de lembrar quem manda por aqueles lados... Deus. Pelo menos assumiu a posição de governante e apresentou metas políticas e sociais louváveis. A consciência de que o trabalho é de todos e o caminho é duro. Realçou a importancia de criar empregos e um sistema de saúde sólido e mais barato à custa de mais tecnologia e ciência. Saír do Iraque e fomentar a paz com todos. É interessante analisar as "word clouds" dos vários discurssos dos presidentes americanos. Aqui ninguém quer saber.

Barack Hussein Obama pode salvar vidas só pela cor da sua pele e pelo seu nome, mas promete mais. Quero adormecer a imaginar que é um super-homem e cumpre as sua promessas. Amanhã quando acordar tudo irá ser mais cinzento e os desafios menos poéticos do que um discurso inflamado. O cartaz de Shepard Fairey diz "HOPE" e eu tento ter alguma esperança. Custa-me, no entanto, que uma nação como os Estados Unidos da América tenha tanto poder e influência nas nossas vidas, enfim, custa-me isso com qualquer nação. Custa-me muito. Hoje vou ter uma centelha de esperança. Por uma noite.

...

nota de rodapé:

falei ao telefone com a Martha que está no México e ela está bem melhor de saúde. está a aprender espanhol. fiquei muito contente. ela está feliz e vai ver os Radiohead em Março na Cidade do México! Grrrrrrr..... (inveja)!

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Dás-me vontade de pintar...

Faltam-me os filmes... Faltam-me muito os meus filmes!
Na sala, naquele escuro mágico que me transporta para lá das coisas.

Falta-me a pintura... Faltam-me muito as minhas tintas!
As minhas formas e cores falam muito mais do que eu consigo dizer.

Abandonei o meu reino por outro várias vezes, agora tenho um reino desgovernado, gigante e cruel.
Quero voltar para casa.

Um dia escrevi num desenho:

"I kissed your pierced lip and died"

... gosto muito dessa frase

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Pois... 2009.


Para primeiro post do ano tinha pensado escrever algo verdadeiramente significativo, mas isso nunca aconteceu antes e não era agora que ia começar...

O país está em recessão, o mundo todo está em recessão. Isso significa que alguns tipos ricos, daqueles que investem dinheiro em coisas verdadeiramente luminosas em flatcreens alojados em cubículos entre Lisboa, Londres, Berlim, Nova Yorque ou Tóquio vão começar a pensar seriamente em fazer correr lâminas afiadas ao longo dos seus pulsos antes cobertos por pulseiras de relógios suiços que davam para pagar a minha casa. Já não era sem tempo. Não consigo ter pena.

Claro que a minha existência eminentemente burguesa me deveria conduzir a uma opinião mais ou menos conservadora e reservada sobre isto tudo, mas não resisto. Adoro todos os minutos e observo nervoso o avançar do cancro alimentado por esta gente criativa e engraçada - os contadores de moedas desajeitados do século XXI. Quando é que me vai chegar? Revejo na minha cabeça imagens da Farm Security Administration, que registou por intermédio de fotografos como Dorothea Lange ou Walker Evans imagens da depressão de 1930, e fico à espera da grande fome. Há quem me diga que a corrupção em que vivemos é uma espécie de fungo sem o qual não podemos existir... tipo penicilina. Ás vezes acredito mais do que outras mas não gosto nada da ideia e custa-me reconhecer que pouco faço para desmascarar a burla e ainda menos para ajudar quem realmente precisa.

O meu exército enfraquece à medida que se afasta do falso general e sinto-me fraco para comandar tropas neste momento. A mensagem anda fraca e igualmente em recessão por estes lados.

Apetece-me falar de amor mas o blog do meu irmão encarrega-se disso muito melhor do que eu. Devo dizer que tenho tido momentos bonitos com um rosto bonito que me faz sentir bem e esquecer que tenho de me apaixonar de vez em quando. A felicidade faz-se sobretudo de coisas pequenas e simples.

Um 2009 cheio de obras para os meus soldados e cheio de mim para as minhas musas...

...e já agora cheio de saúde para o pai fundo e força para a mãe sameiro,

é o que desejo.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Eu não sou isto!

Eu não sou isto! Eu não sou este tipo que diz que não sente. Que mentira! O medo reconheço-o, mas o resto... Como vim aqui dar? Projecto inacabado como tudo o resto, dor silenciosa, aguda e lenta. Nem um desenho, nem uma pintura, nem uma música, nem um filme... nem sequer um texto.
Nada.

"The Post that never was"

Isto já estava escrito há algum tempo, cá vai...

... para quebrar o vazio.

"estou a meter estas palavras no papel, sem crítica, não pretendo ter graça, não pretendo ser profundo, não pretendo impressionar ninguém: recuperei a infância, sou um miúdo espantado. E, tal como quando era miúdo, não morrerei nunca, qualquer fada obscura parece condenar-me à felicidade, uma dia dura que tempos, peguem-me ao colo."

António Lobo Antunes in Público 2008

Com tanta coisa a acontecer. Com o anunciado fim da confiança que depositámos nos nossos contadores de moedas. Com a revolta dos meus colegas professores com qualquer coisa mal feita que nem sequer quero entender bem. Com a morte do Paul Newman mais um filme dos Cohen e outro do Clint. A MacDonalds quer patentear a ordem pela qual montam uma "sandes" de carne picada. Tudo isto não me faz sair da letargia que me impede de opinar, de participar, de contribuir para este blog só meu. Pelo contrário estas palavras de António Lobo Antunes impelem-me a caneta sobre um bloco de papel. Nem sequer é no computador, como já me acostumei.
Porque ando preocupado com estas marcas no meu rosto, com os traços do tempo que cada vez mais me fazem companhia. "Estás um bocado acabado." disse-me, comigo ainda deitado na cama. Não me parece justo, não tive tempo.
Ainda me lembro de querer ser guarda-redes do Porto, de ainda ser possível. De querer passar a vida com uma guitarra pendurada nas costas e insultar o sistema mais os seus contadores de moedas, mas os meus dedos lentos e gordos nunca concordaram com esse projecto. Agora, no intervalo da escrita deste texto, ainda tento convencer um aluno a chegar às aulas a horas. Não faz sentido.
O António Lobo Antunes abriu uma janela. Há um lado de lá, uma paisagem pelo menos. Eu não aguento é este intervalo, esta necessidade de ser engraçado ou profundo, esta necessidade de impressionar. Estou cansado deste meio termo e ainda agora começou. Sempre fui de me cansar depressa, bem sei, à custa da minha rinite ou sinusite crónicas. Fiquei a saber bem cedo que nunca poderia jogar à bola a sério... Há quem diga que nunca me esforcei verdadeiramente. Provavelmente têm razão. Percebi há algum tempo que não se pode esperar porque não chega nunca... deve-se sempre ir buscar. Todos os dias.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Nelson de Ouro em Pequim!




O nosso Nelson Évora venceu a medalha de ouro no concurso de Triplo-salto que se disputou hoje em Pequim, nos Jogos Olímpicos.
O atleta português fez um salto de 17,67 m e superiorizou-se ao britânico Philips Idowu que saltou apenas 17,62 m. A medalha de bronze ficou para Leevan Sands das Bahamas com 17,59 m.

Parabéns Nelson e obrigado por salvares a honra do convento!

terça-feira, agosto 12, 2008

Isaac Hayes faleceu a 10 de Agosto de 2008



Isaac Hayes foi um enorme músico da funk e da soul americana. Dono de uma voz incrível Hayes foi produtor, compositor, cantor e actor durante a sua carreira. Trabalhou durante os anos 60 na editora Stax Records como compositor e produtor.

Em 1972 Hayes venceu o Oscar para a melhor música com o tema do filme "Shaft", o primeiro para um afro-americano sem ser como actor, assim como dois Grammy Awards.

Em 1997 aceitou a medo ser a voz de "Chef", uma personagem da famosa série de animação "South Park" do Comedy Central. Acabou por ser um sucesso e trouxe-o de novo para a ribalta. Até 2006 deleitou os fans da série com a sua fantástica voz.

Agora que nos despedimos de Isaac Hayes deixo aqui um pequeno vídeo que editei para nos lembrar-mos dele. Uma actuação em 20 de Dezembro de 2005 no Late Night with Conan O'Brien em que dirigiu a banda e cantou o tema "Shaft" de 1971, com a participação especial de muitos membros dos Max Weinberg 7...

...Isaac i'll miss you

sexta-feira, agosto 01, 2008

Este é o motivo pelo qual eu não tenho feito Posts no Blog...


A nova Soares dos Reis...

... a minha menina tem-me retirado algum tempo, sobretudo mental, de modo que tenho tido menos vontade de fazer Posts no blog.

Desculpem-me os 3 ou 4 leitores habituais...

terça-feira, maio 27, 2008

Mobile Museum of Gem Sweaters

Leslie Hall é uma artista americana que não tem qualquer pudor em utilizar os aspectos mais populares e/ou banais da nossa cultura ocidental a seu favor e executa-o de uma forma genial. Este museu das camisolas decoradas é um pequena preciosidade.

Leslie começou por ficar celebre quando rompeu com os padrões e concorreu para rainha do baile no seu secundário, a famosa Prom Queen, e ganhou. Tem três albums de música editados e não se sai nada mal na pintura. A internet é, no entanto, o meio no qual tem feito mais sucesso.

Força Leslie!

as fotos acima foram retiradas de uma sessão feita para o site viceland e são da fotógrafa Laura Waal.

Uma praga do século XXI ou a mais antiga ocupação feminina?

Muitos dirão que eu tenho demasiado tempo livre para descobrir estas coisas... Não é verdade. O que eu tenho é o vício de procurar estas coisas.

O lado negro, o mais escondido, da violência doméstica. O abuso de homens. Homens indefesos, presos, tal como tantas mulheres, a relações doentes e carregadas de violência. Homens agredidos física e psicologicamente todos os dias. Homens violados. Homens com vontade de permanecer indefinidamente no seu cubículo lá na empresa.

É preciso ter coragem para falar, para quebrar o ciclo vicioso.

Alguns sinais preocupantes:

A tua companheira quer saber SEMPRE onde tu estás?
A tua companheira acusa-te frequentemente de a traíres? (nota bem que se de facto a estás a enganar provavelmente mereces algumas das coisas que ele te faz)
A tua companheira desencoraja-te de teres relações sociais com amigos e família?
A tua companheira força-te a teres relações sexuais com ela?

Se respondeste que sim a, pelo menos, três destas perguntas, então deves procurar ajuda.
Reparem que não coloquei a pergunta "A tua companheira costuma dar-te porrada frequentemente?". Achei que nesses casos um gajo já percebeu que qualquer coisa deve andar mal.

Provavelmente é mais barato, mas não necessariamente mais fácil, arranjar outra mulher ou então desistir delas para sempre e abraçar, com todo o entusiasmo e nenhuma vergonha, o fantástico mundo da pornografia descarregada da internet. De qualquer das formas dar porrada de volta ou rebater com o mesmo tipo de atitudes só vai prolongar o sofrimento de ambos.

A América, origem de todos os males e de todas as curas, chega a ter mais de 400 000 casos, por ano, de objectos arremessados a cabeças masculinas por mulheres e é estatisticamente mais provável um homem abusado ser esfaqueado do que uma mulher. Por outro lado a violência feminina contra os homens é por vezes escondida por vergonha ou ignorada porque muitas delas não têm realmente força suficiente para magoar um tipo. Um homem só se apercebe quando está a levar com a torradeira na mona.

Existe o site BatteredMen.com onde podes procurar ajuda.

quarta-feira, maio 14, 2008

Goodnight Irene ou o sorrateiro avanço da minha velhice


Já há algum tempo que não escrevo no blog e tenho pendente um post sobre o filme "I'm Not There" de Todd Haynes, mas a morte de Robert Rauschenberg aos 82 anos e o filme "Goodnight Irene" de Paolo Marinou-Blanco fizeram-me pensar um pouco sobre a dificuldade que é envelhecer e sobre a forma como, de um modo ou de outro, eu me coloco sempre como o mais velho - algo cada vez mais frequente - ou então o mais novo. Estes extremos definem as duas posturas fundamentais da minha existência perante os outros, quer pela minha profissão, quer pelo meu feitio de eterno adolescente. Definem porque, por qualquer motivo, eu vou deixando que definam e as posturas paternalistas alternam com as rebeldes e inconformadas constantemente. No filme "Goodnight Irene" o personagem Alex diz não ter aprendido nada à medida que foi envelhecendo. Ele sabe que não é verdade mas ao mesmo tempo não consegue perceber que processo é esse que não o deixa agir em conformidade com o que aprendeu. Entendo perfeitamente o que ele diz. A idade adulta é sorrateira na forma como, num ápice, nos invade o rosto, planta alguma solidão e nostalgia mas deixa sinais interessantes de auto-segurança e de firmeza. O filme de Paolo Marinou-Blanco é interessante. Tem diálogos muito inteligentes e um projecto bem definido. A resolução da história não me parece tão bem resolvida como o seu miolo e a utilização da voz off acaba por solucionar problemas narrativos mas sem a convicção necessária. A morte, essa etapa final para todas as histórias, ainda não me assusta mas assusta-me a ideia de uma retirada demorada porque tal como Alex o diz "Toda a gente respeita quem está a morrer mas ninguém tem muita paciência para os que demoram demasiado tempo". Este é um filme sobre a amizade e a solidão, sobre a forma como uma não pode nunca existir sem se conhecer a outra.

Robert Rauschenberg 22 de Outubro de 1925 – 12 de Maio de 2008



A propósito da morte de Robert Rauschenberg aqui fica uma pequena entrevista sobre o famoso "Erased De Kooning's Drawing".

quarta-feira, abril 02, 2008

quarta-feira, março 26, 2008

"The Raconteurs" novo album saiu hoje!










O vídeoclip de "Salute your Solution" foi realizado por Autumn de Wilde e consiste em mais de 2500 fotografias editadas de modo a parecerem uma actuação da banda em vídeo.

Como prendinha deixo aqui a música "Consoler of the Lonely"

Mais três filmes...


Mais uma vez fui ao cinema. Mais uma vez três filmes. Há quem diga que não aguenta, que é demais. Ás vezes esqueço-me de como é bom estar no cinema, como me sinto seguro. Esqueço-me e volto para me lembrar. Não se deixem enganar pela minha gulodice cinéfila, vou montes de vezes... nunca são as suficientes.

Comecei com o "Halloween" do Rob Zombie. Remake do clássico de John Carpenter de 1978. É muito caótico o Rob Zombie a realizar. Tão caótico que fica mal. Preconceituoso quanto baste, para um americano, não resistiu a transformar Michael Meyers num filho de uma família completamente disfuncional. Mãe stripper, irmã promiscua (ou não, sei lá, tem um namorado) e um padrasto preguiçoso e violento que por qualquer motivo está entrevado. Esperava que o Zombie fosse um bocadinho menos moralista. Um assassino como Michael Meyers não tem de ser resultado de uma família com problemas. A piada da história vem do facto de não haver motivos para Meyers ser a semente do mal. Esse é o princípio da história de terror. Vem sem motivo e por isso é imparável. Rob Zombie, do alto do trono de estupidez que é a cultura moralista americana, fez um filme onde, sem querer, faz dos pobres a semente do mal.
A realização é tão desorganizada que irrita. Sem identidade cinematográfica. Se Rob Zombie tem um imaginário com uma certa piada, para quem gosta do género de terror, não faz a mínima ideia de como se constrói um filme com identidade, com uma voz do princípio ao fim. Não havia necessidade de estragar mais um clássico do cinema de terror.

O segundo filme foi "Falsificadores" ou "Die Fälscher", no original de Stefan Ruzowitzky. Ao contrário de Zombie, Ruzowitzky sabe fazer cinema e conta muito bem a história de Salomon "Sally" Sorowitsch. Rei dos falsificadores, este judeu russo é apanhado pelos nazis e participa, enquanto preso num campo de concentração, na operação Bernhard. Uma operação destinada a falsificar libras, dollars e outros documentos dos Aliados para ajudar ao esforço de guerra alemão. O filme faz-nos viver a angustia dos prisioneiros que não sabem se devem fazer o seu melhor para salvar a vida ou boicotar os seus inimigos atrasando a produção de dinheiro falso. Sally o personagem principal é muito forte e conforta o espectador com a certeza de que resolverá o problema. O filme começa com Sally cheio de dinheiro depois da guerra. O caminho para a salvação não é fácil e a ambiguidade moral atravessa todo o filme. Não há soluções fáceis e as personagens deste filme foram colocadas com a mão certeira de quem retoca uma chapa de gravura para falsificar uma nota de dollar. Quando achava que já não tinha pachorra para mais filmes sobre a Segunda Guerra eis que me aparece mais um a provar que eu afinal não percebo nada do assunto.

O terceiro filme foi escolhido muito a medo. "August Rush" de Kristen Sheridan é um drama clássico à volta de um puto com dotes musicais para além do imaginável. É ridícula a forma como o miúdo vai aprendendo os instrumentos à velocidade da luz. A trama tem alguma piada mas cai com demasiada facilidade no clássico encontro/desencontro até ao minuto final. Soma-se a isto a velha história do percurso do menino prodígio e temos um filme igual a tantos outros. Todos sabíamos o que ia acontecer no minuto final... foi só esperar. Se não gostasse tanto de ouvir guitarras tinha odiado o filme. Com um bocadinho de sorte, ou azar, como preferirem, este filme far-nos-á companhia numa tarde de sábado qualquer na sua TVI. Salva-se realmente a música que venceu o Oscar com a interpretação fantástica de Jamia Simone Nash, de 11 anos. A performance de Jamia na cerimónia de entrega dos Oscars valeu bem mais do que todo o filme.

Há muito mais a dizer sobre estes filmes mas agora não me apetece...

... maybe another time, another place.

terça-feira, março 25, 2008

A imagem roubada pelo espelho



pensas tu que sabes...
se sabes alguma coisa.
penso eu que sei...
que não sei nada.
vivo eu, se é que vivo,
a ilusão de ser,
a ilusão de ter,
a ilusão de querer.

nada me pertence,
tudo é alugado.
um dia, que esteja claro,
abdicamos do trono,
oferecido ou trocado.
troca demasiado cara,
ou oferta envenenada.


um dia deixei de ser eu
e troquei-me
pela minha imagem no espelho.
descobri, mais tarde,
que me tinha esquecido
da origem da imagem,
desse reflexo.

esqueci-me de mim.

sexta-feira, março 21, 2008

O que ela queria, eu não dei...



Saí de casa
Pa ir pa escola
Top preto, jeans de ganga
E ténis de mola

Cheguei ah aula
E tava o quim
A mandar mensagens
No telm para mim

Estava eu tao sossegada
A mandar mensagens e mais nada
Veio a prof e disse assim:

Da-me o telemovel
Da-me o teu telefone
Da-me a caderneta
"Vou por la o teu nome"
E eu botei-lhe a mão:

É meu(é teu)
Não dou,(não,não)
Foi com a reforma
Que o meu avo o pagou(ah pois foi)

É meu(é teu)
Não dou,(não,não)
Foi com a reforma
Que o meu avo o pagou(ah pois foi)

Oh gorda sai da frente
Que eu quero gravar
Baza borrachona, tás a atrapalhar
Vamos ser famosos vamos pro ar

Vai pa internet, vai tvi
Isto caso mundial, vai po csi
e eu disse-lhe assim:

É meu(é teu)
Não dou,(não,não)
Foi com a reforma
Que o meu avo o pagou(ah pois foi)

BiDiAr

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Fantasporto 2008



Mais um ano, mais um Fantas... Para mim este já é o vigésimo!

20 anos de Fantasporto é muita coisa, são muitos filmes, muitas noitadas, muita cerveja, mas principalmente muitos amigos. A maior recompensa que o Fantasporto me deu forma os amigos que fiz durante estes 20 anos.
Não me posso esquecer que se não fosse o Fantas dificilmente seria hoje professor de audiovisuais na Soares dos Reis. Aprendi no Fantas a ver Cinema, a falar sobre cinema, a respirar cinema. Conheci o Shynia Tsukamoto, o Dario Argento, o Guillermo del Toro, o Doug Bradley, sei lá... tanta gente...
O meu amigo de sempre, o António Pascoalinho, conheço-o há exactamente 20 anos. O Filipe Lopes, O Ricardo Clara, O Ivan, o Fred, nunca mais acaba a lista de amigos. Sempre o Carlão que me levou pela primeira vez em 1988 e que entretanto já não aparece porque a vida lhe exige outros hábitos. Os alunos e alunas da Soares que se juntaram a este grupo de amigos, que até já serviu de notícia de jornal, engrossaram a lista em anos mais recentes. Os namoros que se fizeram. São muitas as coisas boas que o Fantas me deu e deu-me muitos, muitos filmes. "A Chinese Ghost Story" de Siu-Tung Ching foi o vencedor em 88. Chineses voadores em lutas de artes marciais fantásticas a antever a maluqueira que se seguiu no consumo de manga e anime. Vi o Reservoir Dogs, o Se7en, o Braindead, Dead Ringers, Tetsuo, Ichi the Killer, o Cubo, a lista nunca mais acaba. Isto tudo filmes em primeiríssima mão, com direito a acesas e intermináveis discussões no saudoso Carlos Alberto ou no mais recente Rivoli. Dificilmente conseguirei aqui sintetizar 20 anos de Fantasporto, tantas são as histórias. Fazem-se novas todos os anos e as amizades, não é possível eu traduzir a importância das amizades que fiz no Festival.

Este ano mais filmes e mais histórias! Mais um Takashi Miike, o novo Dario Argento - Mother of Tears, Park Chan-wook com I'm A Cyborg and that's OK e Kim Ki Duk com Breath. Para além disto vimos já na abertura o espectacular No Country for Old Men dos irmãos Coen, merecido vencedor do Oscar para o melhor filme. Opium: Diary of a Madwoman do húngaro János Szász é um filme que promete, já premiado em vários festivais. Muita expectativa para [REC] de Jaume Balagueró um filme de zombies que, tal como Cloverfield, Radacted e outros, recorre a um estilo tipo documentário ficcionado ou found footage como estratégia narrativa. Há muita curiosidade por ver Interview de Steve Buscemi com a lindíssima Sienna Miller a contrastar com a cara feia do costume de Buscemi. Mais um filme sobre notícias e jornalistas. Há espaço para uma curta de 3 minutos de Lars Von Trier chamada Occupations e o mais recente Bill Plympton, Shut-Eye Hotel. You, the Living, um filme de Roy Anderson foi o vencedor do Festival de Chicago, mereceu uma longa ovação em Cannes e promete surpreender o público do Fantasporto. The Tattooist e One Missed Call na versão americana (nunca na vida alguém ultrapassa o original de Takashi Miike) são mais dois filmes de terror que completam o cartaz e prometem criar ódios de estimação ou talvez não, quem sabe?
O festival encerra com The Mist de Frank Darabont, um verdadeiro filme de terror baseado na história de Steven King. A não perder!

Este é o Fantas 2008. Uma colecção muito interessante de filmes para envergonhar La Féria que se imagina dono do nosso Teatro Municipal e nos enche de musicais foleiros como se isso fosse a única cultura desejada para o país. É fundamental manter o Fantasporto forte. É o nosso Festival de Cinema, um dos melhores do mundo e, pelo menos por uma semana no ano, é a minha casa.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

22 de Fevereiro de 2008

É suposto esta ser uma data importante. Pelo menos para mim. Há uma todos os anos... não sei o que fazer com ela.
Fui ao cinema, como é costume. Vi o Michael Clayton e o Juno. São ambos bons filmes. Ás vezes há tão pouco a dizer sobre os filmes... ou então sou eu. Ontem vi o There Will Be Blood do Paul Thomas Anderson. Outro bom filme, mas que me desiludiu... muito.
Porque é que o Paul tentou agora fazer o seu Citizen Kane? Pronto, percebemos a piada... sempre que mete petróleo dá merda! É isso que o título quer dizer, acho. Há um pastor baptista que é espancado... duas vezes... e isso é bom. Há um Daniel Day-Lewis perfeito. Será? Um personagem tem de ter contradições, vários vectores... este pareceu-me plano demais para o Paul. Sem surpresas. Não há nada no filme que me surpreenda. Antes de o ver já sabia tudo o que se ia passar... e basta saber que é sobre a ascensão (mas não necessariamente a queda) de um garimpeiro de ouro negro. Um homem que não gosta de homens, nem de mulheres, enfim... não gosta de ninguém. E pronto, qual é a relevância? Fica rico na mesma, ou melhor, claro que fica rico... é mais fácil quando se não gosta de pessoas. A música do nosso Jonny Greenwood dos Radiohead é o que mais marca o filme e o que suporta a tensão que este consegue criar. Há gente que não sabe fazer mal as coisas. Será que o filme é sobre os dias de hoje? Sobre as vidas de americanos e o sangue que rola por causa da questão do petróleo. P. T. Anderson filma este ouro negro sem glamour de qualquer tipo. Para todos os efeitos o petróleo suja tudo à sua volta, até o coração de um homem. O filme mostra sempre um negócio tão vil e desumano como escuro e sujo. Acho que por esta altura o Paul pensa daquela matéria negra e viscosa o mesmo que a maioria do humanos deste planeta. Só dá ganancia, morte e fome! Mesmo assim achei que faltava qualquer coisa... para um filme tão longo (esta mania de fazer filmes com mais de duas horas já me começa a irritar e a cheirar a pretensiosismo).

Michael Clayton é o filme que o António Pedro gostava de ter feito e só não fez porque é mais difícil do que dizer uma banalidade qualquer sobre o Benfica. Grandes empresas, corrupção, advogados, mercedes caros e fato e gravata como quem usa pijamas do snoopy. A história conta-se aqui em linguagem cinematográfica. Imagens daqui e dali. Grandes falas, não em tamanho mas em significado. O melhor início de um filme nos tempos mais recentes. George Clooney a fazer dele mesmo, com umas olheiras que me fazem crescer a auto-estima. Afinal o homem é humano. O filme tem surpresas - o que falta no There will be blood - e funciona como um todo. Boa história e muito bem filmada.

Juno não é suposto ser uma comédia romântica. Se eu tivesse leitores neste blog tinha já afastado uma boa quantidade de gente do filme. Ellen Page fenomenal. A dupla de Arrested Development, Michael Cera e Jason Bateman deu-me a sensação de ver um filme com velhos amigos. Excelentes diálogos, cheios de pequeninos detalhes deliciosos provavelmente desperdiçados naqueles que procuram a comédia romântica que lhes vai prolongar o namoro por mais umas horas. O filme mente e mente e mente. A gravidez de uma menina de 16 anos não é assim tão fácil, fica bem em filme e pronto. Mas acabei por sair com um sorriso. Por vezes é bom ver uma boa mentira... afinal o cinema não é isso?

22 de Fevereiro é só mais um dia... sinto falta do meu fantasporto.

domingo, fevereiro 10, 2008

Hase, gelitin 2005



Hase ou Coelho, como preferirem, é uma instalação do grupo gelitin que consiste num enorme coelho de peluche (6500 x 2500 x 600 cm) 'pousado' na montanha de Colleto Fava a 1600 metros de altitude nos Alpes Italianos, perto da cidade de Artesina, Piemonte.
Levou 5 anos a tricotar este coelho, inaugurado a 18 de Setembro de 2005, que deverá manter-se neste local durante 20 anos.

É suposto subirmos e habitarmos por momentos este coelho gigante que parece caído dos céus. Explorar as suas entranhas espalhadas, provavelmente resultado da queda. Curiosos e gulosos como os vermes que comem uma carcaça de um animal atropelado numa estrada, vamos consumindo esta obra que mais não faz do que lembrar-nos da nossa condição última de parasitas.

Ver no Google Maps.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Zeitgeist




O documentário Zeitgeist, produzido por Peter Joseph, deixou-me triste e zangado, mas não surpreendido. Este filme sobre a grande teoria da conspiração mesmo quando visto com um olhar de desconfiança deixa alguns bichinhos incómodos na nossa consciência. Apesar das duas horas de duração a narração alimenta a nossa curiosidade de tal modo que vemos o filme sem esforço.

O filme é distribuido pela net de forma gratuita e vendido em dvd sem margens de lucro. Não aceites o que vem no filme como a verdade. Pesquisa e procura porque a verdade não se ouve... descobre-se e percebe-se.

Aconselho o visionamento e a consulta do site oficial para contextualizar e compreender melhor o filme. Partilhei-o pelo google também na versão com legendas em português (que eu confesso que não vi).

terça-feira, novembro 20, 2007

Ter tudo para o caminho...



Ter tudo para o caminho...

Sim, porque é de um caminho que se trata e é esse caminho que é saboroso, que nos fica no paladar dos olhos. Conheço o Zé Miguel há muitos anos, desde as assembleias gerais de alunos nas belas artes, desde as visitas às casas de máquinas no centro comercial STOP onde construimos uma intimidade para além das tintas e das politicas. Ainda hoje somos confidentes apesar da distância que as estradas, mandadas construir por velhos inimigos, tentam encurtar.

O que me impressiona mais, o que sempre me impressionou, foi esse sentido de caminho, de processo continuado. O Gervásio é um pintor que trabalha muito, que se zanga, que lê tudo e que se zanga novamente, mas também se apaixona e zanga-se outra vez, sempre cuidadoso, atencioso, muito educado e no entanto, quem não o conhece entende-o como um gozão cruel incorrigível, quase ofensivo, que brinca com a cegueira de quem abre os olhos demais para não ver nada à frente.

A pintura do Gervásio anda ultimamente a fugir das palavras, sempre às voltas com as cores, que ele tão bem conhece, mas é também uma forma de escrita e re-escrita. Uma escrita secreta feita de códigos indecifráveis mas legíveis em que o palimpsesto parece sempre a chave para tudo mas que engana. Como se o que está por baixo da superfície fosse fundamental para a leitura e a cada camada revelada mais dúvidas surgissem. O Zé agora senta-se mais e os seus desenhos de viagem começam a aparecer na sua pintura. Por cima desses mapas de uma vida, dessas paisagens, lá está uma coisa dele, uma provocação, um outro desenho e assim se vai construindo uma imagem. Sobre papel, porque os papeis parecem mais gulosos e pedem sempre mais desenhos e as coisas vão-se fazendo e nunca se resolvem e depois porque sobre o papel imprime-se e o Gervásio é um impressor. As imagens, os desenhos que se repetem na impressão, podem ficar sempre diferentes e podemos sempre ver as coisas por outro lado, porque hoje toda a gente quer ver a mesma coisa pelo mesmo lado e o Zé Miguel gosta de tirar o tapete de baixo das pessoas todas empilhadas do mesmo lado a tentar ver as mesmas coisas. Há quem pense que falta lá o discurso político. Porque não sabem, não entendem, que o discurso se pode fazer com outras linguagens e que aquelas que mais falam são as que se afastam das palavras mais fáceis ou das palavras todas e que o sangue anda por debaixo da pele e corre furiosamente e poucas vezes o vemos até que alguém nos abre uma ferida.

A exposição está patente na Plumba, na Rua Adolfo Casais Monteiro, junto a Miguel Bombarda, até ao dia 15 de Dezembro.

segunda-feira, novembro 12, 2007

After all these years you still don't like us!



9 de Novembro de 2007, Carling Academy Brixton.


O concerto que nunca pensei vir a assistir... os Sex Pistols.
Fantasia da adolescência concretizada plenamente já em idade adulta.


Johnny Lydon voltou a ser Johnny Rotten para estes concertos na Brixton. A banda tocou o seu repertório do album "Never Mind the Bollocks, here's the Sex Pistols" de forma muito profissional mas, obviamente, sem a energia que as barriguinhas crescidas e a idade já não permitem.


Punks pais, punks filhos, outros menos punks, foram 5000 a assistir a um concerto em que Lydon foi igual a si próprio nos comentários polémicos entre as músicas. A tónica foi só uma "Nós somos Ingleses, vocês são Ingleses". Bocas para Tony Blair, para o treinador inglês Steve MacClaren - a lembrar o tristemente célebre Malcom MacClaren, primeiro manager da banda - tudo numa tónica nacionalista revolucionária sem se confundir com o nacionalismo de extrema direita.


Foi um concerto espectacular, numa sala cheia de rebeldes que, ao contrário dos Portugueses, aceitam bem o conceito de Não Fumar em espaços públicos fechados. Quem diria que se pode assistir a um concerto Punk Rock numa sala isenta de fumo... pois é... é possível e a malta divertiu-se à mesma!


A frase que me ficou na cabeça foi a última de Johnny Lydon "After all these years you still don't like us!". Já bem entradito na idade Lydon continua mimado e à espera de ser adorado pelo público mesmo depois de já ser uma lenda viva. Crise de meia idade que a gente desculpa vindo de quem vem.



Fica aqui um cheirinho feito com o telemovel... documento da minha presença mais do que qualquer outra coisa.

Punk is Not Dead, Long Live the Sex Pistols!

sexta-feira, agosto 10, 2007

Um Mundo Catita


Quando se pensava que a comédia de ficção portuguesa era toda muito má - ver os exemplos dos canais nacionais e os seus falhanços sucessivos - eis que surge uma boa ideia!

"Um Mundo Catita", série de seis episódios co-produzida pela Pato Profissional e Indivídeo. Escrita e realizada por Filipe Melo e João Leitão.

Claro que teve de vir de fora das televisões e é bem verdade que pode muito bem nunca chegar às casas dos portugueses (o diabo seja cego, surdo e mudo!) - ainda não está vendida a nenhum canal - mas é uma lufada de ar fresco.
O Filipe Melo convidou-me para ser beta tester da série e vi, acompanhado por outros amigos, os seis episódios de seguida. Está neste momento ainda em fase de pós-produção mas já se adivinha um produto diferente. Na onda de "My name is Earl" (referência minha e não dos autores), episódios curtos e cheios de momentos divertidos com Manuel João Vieira (Ena Pá 2000 e Irmãos Catita) ao melhor nível.
Os episódios estão repletos de referências cinematográficas que vão agradar muito a uma audiência de jovens adultos e informados que até agora dependem da produção americana ou britânica para se rirem um pouco em frente a uma televisão. Alternativa nacional credível para séries como a já referida "My Name is Earl" ou "Curb Your Enthusiasm" ou a comédia britânica de domingo à noite no canal 2 -"The Office", "Extras", "Little Britain" ou "The League of Gentlemen" - espero sinceramente que este projecto tenha algum sucesso porque o merece. Seis episódios da vida atribulada de um personagem torturado pela nacionalidade portuguesa e todos os inconvenientes que lhe estão associados... muitas invejas e má língua, amores impossíveis, picos altos e baixos de auto-estima e muito álcool, assim como todas as características felizes deste pobre mas desenrascado povo afro-latino-europeu! Enfim, Manuel João Vieira um português a Catita que deveria ser o nosso Presidente...
"Um Mundo Catita" é uma produção independente que prova que as boas ideias não vêm das empresas mas sim das cabeças dos bons autores!

Página Oficial "Um Mundo Catita"

Blog "Um Mundo Catita"

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

no fantas: Tetsuo, the Iron Man

Hoje vou ver o Tetsuo, the Iron Man mais uma vez!
Fantasporto Rivoli, pequeno auditório pelas 17.15 h.

Não me canso do Shynia Tsukamoto e dos seus delírios cyberpunk.
Filme absolutamente fundamental para a história do cyberpunk japonês conta a história de dois homens que se cruzam num atropelamento e fuga. A metalofilia do atropelado pega-se como uma doença ao condutor e a partir daí o delírio ultrapassa as normais regras da imaginação. Pedaços de metal são expelidos do corpo como se de vulgares borbulhas se tratassem... estão a ver o esquema...

Sempre achei que as explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki tinham provocado mutações no DNA japonês... o resultado é um conjunto de filmes em que o corpo e a tecnologia se fundem numa única forma híbrida e cibernética. A violência e a loucura que resultam desta estranha mutação já deram muitos frutos e hoje o cinema japonês é um misto de pós-modernismo e tradição prtaicamente sem paralelo no cinema ocidental.
Muita atenção também às criações da Coreia do Sul (por ex: Kim Ki Duk e Chan-Wook Park) e de Hong Kong.

Bons filmes.

Gosto Duvidoso, um blog do fundo

Duvidoso, ou nem tanto assim, é o gosto deste blog (colaboração de sangue) do mano Fundo mais novo.

Quem o conhece sabe que aquilo até chateia... é ouvinte profissional e sabe tudo, tudo mesmo!

O blog é óptimo porque ele (fundo júnior) actualiza-se por nós... manda uns links para uns arquivos rar com os discos mas o melhor mesmo é usar torrents... podia por aqui os links todos mas dá muito trabalho. De qualquer modo tudo o que sai com interesse acaba por aparecer pelo blog. Vou tentar contribuir mas não acompanho o ritmo dele... para além de que o meu gosto é mais do que duvidoso.

Consultem e ouçam música, muita música. E já agora... comprem discos (eu sei que é uma roubalheira) daquilo que gostam realmente... nem que seja online.

Quanto ao vinil, como tanto gosta o mano fundo, parece-me excessivo... mas está bem, todos temos direito a uma mania saudosista.

Gosto Duvidoso

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

de volta pelo Fantas


Estou de volta, mais de seis meses depois. As promessas de regularidade no blog ficarão sempre curtas e insípidas... não sou propriamente de confiança e sou muito, muito mesmo, preguiçoso.

Vem este regresso a propósito do Fantasporto. O maior festival de cinema português. O festival com mais público, com mais cobertura mediática, com mais filmes – dos bons e dos maus – e com menos cobertura dos ditos críticos de cinema deste país.
Todos os anos um grupo enorme de amigos vem de Lisboa para ver o Fantasporto, para viver no Porto por uma semana. Todos os anos, por uma semana, nunca me sinto verdadeiramente sozinho. Sinto-me em casa com os filmes e com os meus amigos, os meus amigos de Lisboa. Desancamos em quase todos os filmes, esgotamos stocks de SuperBock, causamos embaraços ao Mario e à Beatriz com os quais eles raramente se incomodam e conhecemos o Dario Argento pelo meio.
Esta malta que vem de Lisboa – o António, o Filipe, o Fred e muitos outros – sabe muito de filmes. Envergonharia qualquer crítico convidado pela TVI para comentar os Oscars. Debita informação sobre a produção cinematográfica portuguesa e internacional a uma velocidade estonteante e tem uma postura crítica fundamentada e pertinente. O Fantas é uma festa e para nós é quase um vício como o cinema. Nós estamos por lá a partir de sexta-feira a viver mais uma semana memorável.
Mas ainda assim os críticos de cinema – de Lisboa, porque essas profissões só podem existir em Lisboa e quem não morar em Lisboa nunca será realmente importante para o país – raramente vêm ao Porto para ver o Fantas. Volta e meia lá aparece um ou outro, sempre muito vaidosos gostam de ser centro das atenções, gostam de ser estrelas. A SIC patrocina o Fantas mas o seu canal Radical pouco ou nada se vê no festival do cinema fantástico. Entretanto inicia mais um qualquer passatempo sobre a Playstation ou então põe dois tipos ridículos a confessarem que se deslocam aos EUA para assistir a eventos de wrestling!!?? Os críticos de cinema radicais falam dos filmes do Fantas um ano ou mais depois quando compram, ou melhor, lhes oferecem os packs DVD. Para eles a Troma é conhecida pelo programa de televisão e o Takashi Miike deve ser um lutador da WWE. Pronto, estou a ser mau e exagerado eu sei, mas a realidade não anda muito longe.

Vamos ao que interessa.

O Pré-Fantas começa hoje. A arrancar, um conjunto de filmes de super-heróis ocupa durante esta primeira semana o Grande Auditório do Rivoli. A destacar, o Homem Aranha de Sam Raimi, Sin City de Robert Rodriguez (com uma perninha do Tarantino) e o Hellboy do Guillermo del Toro - atenção a Pan's Labyrinth na abertura oficial do festival. De qualquer dos modos, quem não viu estes filmes no grande ecran que faça o favor de os ir ver porque o ecran de lá de casa com certeza que não é a mesma coisa.

No Pequeno Auditório... as peŕolas! Uma semana a não perder.
Bill Plymptom a todo o vapor, animação da melhor qualidade. Desenhos a lápis à moda antiga, ritmo estonteante e mutações, muitas mutações. Vejam todos, incluindo as curtas.

O génio de Shynia Tsukamoto, com especial atenção a Tetsuo - imperdível delírio cyberpunk, anos-luz à frente dos mais radicais videoclips do Chris Cunningham - e Vital, um filme lindíssimo em termos de composição e cor, que mostra Tsukamoto como um fantástico e maduro director de fotografia e realizador. Mestre insuspeito do mise-en-scène japonês em todo o seu esplendor.

Kim Ki Duk - The Isle, Bow, Bad Guy, etc. - é outro realizador a acompanhar. Com um ritmo próprio do oriente as suas histórias de amor nunca são convencionais e revelam sempre um realismo dos sentimentos humanos só comparável com a fantasia e irrealismo dos seus argumentos. Poético e terrível Kim Ki Duk deixa-nos tão apaixonados como chocados com o que vemos na grande tela.

Mais para a frente na semana mando umas bocas sobre os filmes da selecção oficial.

Vão ao Fantasporto!

Pré-Fantas de 19 a 22 de Fevereiro.
Fantasporto de 23 a 5 de Março no Rivoli - Teatro Municipal (ainda).