sábado, novembro 10, 2012

O Fetiche dos Coitadinhos

Cai a mascara a Isabel Jonet. Economista, mãe de cinco filhos, dedica-se ao voluntariado. Nunca lhe faltou nada calculo. Católica, bem comportada. Trás a caridade ao peito com orgulho. Virá um dia dizer que nada ganha com o que faz sem perceber que isso insulta ainda mais aqueles que todos os dias saem de casa para trabalhar porque não se podem dar ao luxo de passar a vida a voluntariar-se. Imagino que, tal como o cardeal patriarca, sonhe com um país de pobrezinhos. Para ela poder reinar e ir para o céu.


Rejubila com a austeridade e a notoriedade que lhe caberá no futuro. Será a salvadora, distribuidora do arroz e da massa e dos feijões que eu e tu, parvos, pagamos e entregamos generosamente àqueles miúdos à saída do supermercado. Eu a pensar que estava a tirar a fome a alguém e percebo que, pelo caminho, estou a encher o ego de uma Jonet. Um dia uma Jonet, outro dia um Ulrich, enfim...

Nada de salários justos, porque os portugueses que vivem acima das suas possibilidades, têm, já faz tempo, os mais baixos salários da Europa.

Nada de emprego e muito menos de apoios contra a pobreza. Rendimentos Sociais de Inserção ou Subsídios de Desemprego, em Portugal mais baixos do que na generalidade dos países europeus, vão contra os princípios de Jonet porque lhe tiram a clientela.

Este fetiche do coitadinho não é de hoje. Fica bem ao rico ter o seu pobrezinho de estimação. (ler a crónica de António Lobo Antunes "Os pobrezinhos" para perceber, basta procurar no Google)

Esta teoria da caridadesinha cristã redentora dos mais ricos e poderosos é muito popular na América. Políticas para acabar com a pobreza é fugir delas. Reunir camiões de comida enlatada ou distribuir sopa em panelões com as unhas arranjadas por baixo das luvas de plástico isso sim, é de santo.

Não tenho duvidas de que muita gente foi alimentada pelo Banco Alimentar mas imaginaria o seu dirigente máximo a defender políticas de apoio social, de luta contra a pobreza. Pelo contrário, a senhora defende a generalização da pobreza.

Isabel, diz-me tu, o que deste de jantar hoje aos teus filhos?

 

quinta-feira, novembro 01, 2012

No jogo do aguenta, aguenta sempre o mesmo! (republicada do facebook)

A propósito das declarações de Fernando Ulrich acerca da austeridade sobre as quais pode ler esta notícia do Público.

Fernando Ulrich: “O país aguenta mais austeridade?... Ai aguenta, aguenta”

Fernando Ulrich, nascido de família de banqueiros, com origem alemã - vá-se lá perceber o raio da coincidência - não sabe o que é austeridade. Nasceu em berço de ouro e foi sempre rico. Apesar disto nem o seu curso acabou e percebe-se agora porquê (ler páginas da wikipédia a seu respeito tanto em português como em inglês). Ninguém o ouviu tão arrogante quando o banco que dirige recorreu a ajuda do estado neste termos: «O plano de recapitalização inclui a subscrição pelo Estado, em 29 de Junho de 2012, de instrumentos de dívida elegíveis para fundos próprios core tier one (obrigações de conversão contingente), no montante de 1,5 mil milhões de euros, que será reduzido para 1,3 mil milhões de euros logo após a realização do aumento de capital» (retirado do site agenciafinanceira.iol.pt com data de 6 de abril de 2012). A sua incompetência e dos seus parceiros noutras instituições financeiras trouxe-nos até aqui. A um ponto em que para ele continuar a ser rico os nossos impostos têm de pagar os juros e os empréstimos que o estado português tem de contrair para manter os cofres do seu banco cheios. Todos juntos, austeridade incluída, contribuímos para o facto de o BPI apresentar de Janeiro a Setembro de 2012 um lucro líquido consolidado de 117.1 M.€ (subida de 15.3% relativamente aos 101.5 M.€ registados no período homólogo de 2011). Mas não lhe chega. Ele ainda quer mais. É de uma falta de respeito e ignorância que não pode passar em branco. Não há quem aguente estes Ulrichs, Borges e associados e a sua completa e absoluta falta de respeito pelo povo português.

Fala-se agora da refundação do Estado. Cheira-me a golpe de estado. Em boa verdade o Presidente da Republica assim que ouvisse alguém dizer que o FMI está em Portugal a negociar com o Governo a refundação do Estado deveria mandar chamar o Primeiro Ministro e ameaça-lo de eleições antecipadas. Ninguém votou a refundação do Estado, muito menos feita para beneficiar os interesses do FMI e da Europa rica.

sábado, outubro 27, 2012

Um Autarca verdadeiramente generoso.

As coisas que se dizem podem ter várias leituras. Uma das leituras possíveis, pelo menos, vai revelar as ideias que estão realmente por trás do que se diz ou escreve. Corremos todos esse risco, de revelar quem realmente somos. Eu corro esse risco revelando, talvez até demais, aquilo que penso de determinados políticos e/ou as suas políticas. Tantas vezes fui avisado para ficar calado. Não tenho vergonha do que penso ou vou dizendo. Não acho que Rui Rio tenha vergonha e, pelos vistos, também não tem muito cuidado. Mas não deixo de o ouvir e sentir que há coisas ali que estão ocultas. Provavelmente até para ele.

Escreve um texto a criticar a política social do governo, a sua falta de apoio a programas de solidariedade, mas não resiste a dizer o que pensa do Rendimento Social de Inserção. Prémio, para ele, imerecido para os que "não querem trabalhar e acham que os outros os devem sustentar". Foi um pouco bruto para quem usufrui deste apoio e precisa dele. Com certeza não gostaria de estar num aperto, precisar da ajuda do estado, e chamarem-lhe automaticamente preguiçoso e oportunista. Equivaleria talvez a pensar... Autarca igual a corrupto ou vigarista... exemplos a provar esta última teoria não faltam. Rui Rio, caso lhe chamassem estes dois últimos adjectivos, correria para um advogado a pedir a devolução da dignidade. Mas não se coíbe de fazer juízos sobre os outros. Dirá que são só alguns e eu direi que é responsabilidade dos políticos desenhar sistemas justos e que não permitam a burla. Nem todos os cidadãos são honestos é verdade, mas as generalizações não deveriam agradar aos políticos porque eles não se saem nada bem na fotografia.

Outro aspecto interessante é Rui Rio achar positivo pôr esta gente, que tão pouco recebe, a trabalhar na Câmara Municipal do Porto. O R.S.I. é uma prestação de apoio, não é, até pelo seu valor, um vencimento. Ainda que o valor seja aumentado para prestar o trabalho que estão a prestar estes trabalhadores merecem o mesmo tratamento que os outros, um contrato, uma avaliação, até uma carreira, mas não... porque o R.S.I. é antes demais um castigo da sociedade aos poucos produtivos e portanto se assim é tem de se pôr esta gente a trabalhar. No fim, ironia das ironias, diz-nos que são óptimos trabalhadores e pessoas honestas. A minha sugestão é esta: ofereça-lhes trabalho, igual aos outros, até porque precisa deles caso contrário não os tinha colocado nas tarefas. O trabalho dos beneficiários do R.S.I. representa uma poupança ilegítima no valor do trabalho e é o principio de um novo modelo de escravatura. Alguém é despedido e vai cumprir funções iguais em empresa parecida mas a receber um "subsídio" abaixo do seu vencimento original e ainda deve agradecer.

A nossa sociedade, a portuguesa, a europeia, a ocidental, está podre e a vergonha não existe, nem nas palavras escritas de um editorial, esse sim, imerecido e que desconsidera o trabalho e o cidadão com dificuldades. O governo é mau, Rui Rio, mas é o teu governo, dos teus amigos e parceiros políticos, com as tuas ideias e preconceitos. Poupa-nos à tua filosofia moralista. Obrigado.



sexta-feira, outubro 26, 2012

Porque descem a prestações sociais e aumenta a desigualdade no pais? (republicação do facebook)

A propósito deste editorial do público:

Um Governo abaixo do limiar da vergonha


O problema do combate às desigualdades no Governo é só um. O Governo não pretende combater as desigualdades. Toda a filosofia económica e todo o sistema financeiro em que o Governo acredita funciona com base nas desigualdades, na meritocracia económica e moral. Simplificando: tens menos porque mereces menos, ou simplesmente, tens o que mereces. Não há aqui qualquer análise complexa de um sistema que favorece determinados tipos de burla e castiga muitos tipos de trabalho. Não há aqui qualquer reflexão sobre as injustiças sociais de um sistema no sentido de o corrigir, de o acertar, de evitar o acentuar das desigualdades. Não há, porque se aceita, sem mais, que a condição de pobre é o resultado justo do sistema. Todos os sistemas falham, não existe o sistema perfeito. Por isso todos os sistemas têm processos de salvaguarda, de ajustamento. 
O que está a acontecer é que temos um Governo fundamentalista do sistema que não acha que se deva corrigir, ou ajustar coisa nenhuma. É assim porque Deus quis e a economia assim o ditou. Por isso, se alguém está desempregado, sem casa ou mesmo doente que se amanhe. Os cortes atuais têm como objetivo moralizar a sociedade e castigar o mais desfavorecidos. Não têm motivações de corte na despesa, já se percebeu que o Governo não sabe por onde começar a cortar. É contra este tipo de moral, contra este tipo de projeto social, que pretende construir uma nova sociedade feudal, povo ariano do norte à frente a comandar, que devemos lutar. 
O Pedro Mota Soares que não se esqueça de que para os alemães ele não é mais do que um usufrutuário de um rendimento social de inserção para países sem abrigo na Europa. Vale para eles menos do que um reformado da linha de montagem da BMW.
Não defender os interesses dos mais desfavorecidos e abdicar de lutar para acabar com as desigualdades é também afirmar que Portugal deixou de ter direito a um futuro na Europa. O nosso Governo não percebe isso.

sábado, outubro 13, 2012

Os Rankings, as Escolas, os Alunos e a Soares dos Reis (re-puplicação do Facebbok)

A propósito desta noticia do Jornal Público de 13 de Outubro,

Rankings: metade das escolas públicas fica aquém do esperado


Parece que descobriram agora que escolas que seleccionam os alunos, cobram couro e cabelo e enchem as crianças de explicações e horas extras, essas crianças a quem não falta quem lhes leia livros nem livros para ler, não falta quem lhes compre computadores, essas crianças a quem a depressão diária das dificuldades económicas não afecta, essas escolas têm melhores resultados naquela coisa dos exames - agora chamam-lhe avaliação externa. Estou para a minha vida de surpreendido! Esta hipocrisia meritocrática tem de acabar. O trabalho de centenas de escolas com alunos a lutar contra todas as adversidades parece que não interessa a ninguém e confunde-se esse facilitismo económico com qualidade. A estupidez generalizada do discurso sobre educação em Portugal tem eco nos media que exultam a cada golpe na escola pública. A Soares dos Reis para já está de fora dos rankings. Um dia que lá esteja não haverá um único ponto ou décima que diga respeito à liberdade que o aluno lá viveu, ao seu crescimento pessoal e artístico, ao seu sucesso e trabalho que a tanta gente deixou os queixos em baixo. Quando um visitante vê a nossa exposição e fica fascinado, que saiba que nenhum daqueles trabalhos, centenas de trabalhos, vale um ponto que seja no nosso ranking. Termos um grupo que apoia os mais necessitados não vale um ponto que seja. Promovermos o Open-source não vale um ponto que seja. Integrarmos os que têm necessidades educativas diferentes não vale nada. Trabalharmos horas a fio com os alunos no Projeto e ganhar prémios com muitos desses trabalhos vale zero. Mas sobretudo a felicidade de cada aluno, as lágrimas por perder aquele curso e ganhar outro e a coragem de abraçar cada arte cada novo desafio, a alegria que a escola dá quando ajuda a aprender a fazer coisas, coisas que ficam, o amor e respeito que todos nós ex-alunos sentimos pela escola e a vontade de que os nossos filhos a frequentem, vale absolutamente zero nos rankings. Mas ainda há gente que acredite neles e perca a oportunidade de ter os filhos a aprender coisas reais entre colegas reais e procure as escolas da realeza para aprender a sentar e a marrar para aquela coisa dos exames. É triste.

A Propósito das Declarações do patriarca de Lisboa, D. José Policarpo (republicação do facebbok)


A propósito desta notícia do Jornal Público de 12 de Outubro...

Patriarca diz que democracia na rua corrompe a democracia


‎"Não se resolve nada contestando"..."até que ponto se consegue uma saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar." ... "Penso que este sacrifício levará a resultados positivos". Este senhor tem uma ideia de democracia diferente. Em que as pessoas participam pouco ou nada e um líder, escolhido entre pares de uma elite, comanda sem a possibilidade de ser contestado. Da ultima vez que me lembro esta "democracia" tinha outro nome. Para ele, manter o coletivo a acreditar numa quimera só alcançável pelo sacrifício é o seu dia a dia. Não tem qualquer problema com o aumento da pobreza porque é nela que encontra os seus apoiantes e sabe que fica a ganhar com tudo isto. Mas, apesar de tudo, este senhor não tem objectivos pérfidos. Ele acredita realmente nisto. Tem uma educação tolhida e encolhida. É evidente que acredita na representatividade. Só é pena que não acredite no conceito do fim da representatividade, algo que surge naturalmente quando um representante quebra um laço de confiança com quem o elegeu com outros pressupostos. Mas quando um país inteiro é levado a sacrifícios para atingir um dia a salvação económica este senhor entra em êxtase religioso. O discurso do nosso governo é um discurso católico. Estamos a pagar o nosso pecado, com o sacrifício, e um dia virá a salvação. Quando? Isso só Deus sabe... É a forma mais fácil de pastorear o cordeiro luso. Nota final: O Padre Carreira das Neves quando lhe ocorre falar sobre escola (agora mesmo na SIC notícias) a primeira palavra que diz é "disciplina" e nunca refere educação ou formação. Deve querer dizer alguma coisa acerca da escola destes dois senhores. Tenham cuidado, tenham muito cuidado.

sexta-feira, outubro 05, 2012

O Presidente e a Bandeira Invertida.

Um Presidente hasteia a bandeira do seu país ao contrário. Este acto está carregado de simbolismo. Ainda que tenha sido involuntário. Este Presidente já nos habituou a actos desprovidos de sentido, de intenção e de alma. Uma bandeira invertida é sinal de um país vitima de um golpe de estado, um navio tomado por piratas. É um pedido de auxilio causado por uma tomada violenta e ilegítima do poder, a perca de autonomia e liberdade. Portugal foi tomado por um governo que defende interesses estrangeiros, por uma troika que quer criar um exército de escravos europeus, por falsos políticos que protegem interesses económicos nefastos. Cavaco Silva não se desgasta muito para defender o interesse dos Portugueses. Sem querer realizou o mais simbólico e preocupante acto que acompanha a comemoração da República. A Republica está no fim. A democracia também. A bandeira deveria manter-se invertida. Até lhe agradecia a ironia mas estou farto de aturar as suas tolices.



quarta-feira, setembro 26, 2012

Protestos em Madrid (republicação do facebook)

Apesar do jornal Público se entreter com as trivialidades do número de detidos e feridos nos protestos de Madrid o facto é que os Espanhóis, a sofrer menos do que os Portugueses, foram bem mais agressivos nos seus protestos e montaram uma manifestação justa e digna desse nome. O motivo é o mesmo. A ausência de uma governação democrática em defesa dos direitos dos cidadãos, da igualdade e do respeito pela dignidade humana. Não valerá muito a pena ser pacífico, pensarão muitos espanhóis, na verdade nisto das revoluções nunca funcionou muito bem o pacifismo. Aquelas barreiras metálicas também não estão ali a fazer nada. São barreiras ideológicas que protegem os governantes da opinião e do embaraço do confronto com os seus eleitores. Os governos europeus estão a precisar de governo. Em Espanha a sombra da guerra civil, a dúvida sobre a legitimidade governativa e a falsa coesão política estão sempre muito presentes num povo com sangue na guelra. O res
ultado foi uma manifestação que parecia verdadeiramente assustadora para qualquer governante. Não um protesto pacífico que serve para Paulo Portas ainda mandar mais no país. Não digo para começar-mos todos à pancada, não quer dizer que não resulte, mas há sempre gente que se magoa e vê a sua propriedade destruída e isso deve evitar-se até ao limite. É fundamental, apesar de tudo, que a classe política sinta que está a ser governada pelo povo. Devem sentir-se cercados até nos devolverem a confiança. Nesse sentido as declarações da comissão Europeia e do Banco Central Europeu sobre as medidas de austeridade a adotar em Portugal são inaceitáveis vindas de duas instituições responsáveis pelo mau governo Europeu e dominadas por políticos não eleitos. Essa ingerência na soberania, mesmo da parte de um credor - agiota que à força se impôs - noutro tempo teria outra resposta. É importante que os governos e instituições europeias se sintam cercados pelos cidadãos que estão a ser chamados a pagar uma dívida que lhes foi imposta e que serviu apenas para encher os bolsos de uma elite financeira mundial. O cerco do Congresso dos Deputados em Madrid é importante por muitos mais motivos do que os feridos e os detidos.

sábado, setembro 15, 2012

Manifestação de 15 de Setembro (republicação do facebook)

Hoje foi um dia importante mas é apenas um começo. Devemos tomar o controlo do nosso próprio destino. O governo deve demitir-se, o seu caminho estava errado e dirige-nos para uma situação ainda pior. O clientelismo político/financeiro tem de acabar e esta geração de políticos já provou que nada tem para nos dar.

quinta-feira, setembro 13, 2012

A crise da dívida na Zona Euro (republicação do facebook)

Como facilmente se comprova por estes gráficos publicados no site da BBC  as obrigações que nos são impostas pela troika são uma moda, mais ou menos cruel, sem um histórico de sentido. Ou seja, no passado outros países tiveram deficits e dívidas superiores sem que por isso tenham sido 
castigados. O único motivo para este programa é a vontade dos credores de receber mais pela mesma dívida. Para isso basta que digam - via agências de rating - que acreditam menos que somos capazes de pagar. Não há, ao contrário do propagado, nenhuma fórmula específica que defina a possibilidade de um país pagar ou não a sua dívida. Isso é pura especulação. Por outro lado está estatisticamente comprovado que os economistas são pura e simplesmente incapazes de fazer previsões coerentes sobre o futuro das economias. Os economistas limitam-se a um exercício de "wishful thinking" mais pessimista ou mais otimista. Depois fazem umas contas que dão o resultado que eles antecipadamente desejaram - ver o caso da TSU e do governo. Há uma generalizada ignorância por entre aqueles que apregoam a técnica de contar moedas, sobretudo quando se fala em grandes números. Chamam-lhe macro-economia. O nosso atual presidente dava aulas disso, imaginem! Esta crueldade externa sobre o nosso país é um novo tipo de invasão. Um expediente que moralisa e justifica a passagem de dinheiro das pessoas para os grandes grupos financeiros. Até os holandeses falam em austeridade e os alemães (o povo) sempre a conheceram. Para os ditadores do sec. XXI um país rico é um país com um povo pobre, uma classe política corrupta e instituições financeiras muito ricas. Ver o caso do Brazil e das suas favelas e dos seus traficantes. Cheio de pobreza, bem pior do que a nossa, uma classe política de fugir, mega-empresas comandadas a partir do exterior.
A insanidade que nos comanda até ao precipício tem por objetivo não apenas o enriquecimento pessoal de alguns mas também um desejo estranho e estranhamente familiar de purga do país, por uma nova ordem que vê a pobreza como uma espécie de superioridade moral e o sacrifício como um exercício de limpeza. Estão a mandar-nos ir a pé a Fátima a pão e água convencendo-nos que nos trará o céu. Mas o céu não existe e esta crise durará até que os bolsos dos seus autores estejam cheios. Não depende em absolutamente nada dos nossos sacrifícios.

quarta-feira, agosto 22, 2012

O que já fez François Hollande em França...

O meu amigo o pintor José Miguel Gervásio reenviou-me este texto. É difícil saber quanto disto é verdade ou está realmente bem contado mas também já desisti de procurar estas notícias nos nossos jornais. Tudo leva a crer que este texto é a mais pura verdade. Leiam...

Isto é o que fez o François Hollande (não palavras ... actos) ... em 56 días no cargo:

- Suprimiu 100% dos carros oficiais e mandou que fossem leiloados; os rendimentos destinam-se ao Fundo da Previdência e destina-se a ser distribuido pelas regiões com maior número de centros urbanos com os suburbios mais ruinosos.

- Tornou a enviar um documento (doze linhas) para todos os órgãos estaduais que dependem do governo central em que comunicou a abolição do "carro da empresa" provocativa e desafiadora, quase a insultar os altos funcionários, com frases como "se um executivo que ganha € 650.000/ano, não se pode dar ao luxo de comprar um bom carro com o seu rendimento do trabalho, significa que é muito ambicioso, é estúpido, ou desonesto. A nação não precisa de nenhuma dessas três figuras ". Fora os Peugeot e os Citroen. 345 milhões de euros foram salvos imediatamente e transferidos para criar (a abrir em 15 ago 2012) 175 institutos de pesquisa científica avançada de alta tecnologia, assumindo o emprego de 2560 desempregados jovens cientistas "para aumentar a competitividade e produtividade da nação."

- Aboliu o conceito de paraíso fiscal (definido "socialmente imoral") e emitiu um decreto presidencial que cria uma taxa de emergência de aumento de 75% em impostos para todas as famílias, líquidas, que ganham mais de 5 milhões de euros/ano. Com esse dinheiro (mantendo assim o pacto fiscal) sem afetar um euro do orçamento, contratou 59.870 diplomados desempregados , dos quais 6.900 a partir de 1 de julho de 2012, e depois outros 12.500 em 01 de setembro, como professores na educação pública.

- Privou a Igreja de subsídios estatais no valor de 2,3 milhões de euros que financiavam exclusivas escolas privadas, e pôs em marcha (com esse dinheiro) um plano para a construção de 4.500 creches e 3.700 escolas primárias, a partir dum plano de recuperação para o investimento em infra-estrutura nacional.

- Estabeleceu um "bónus-cultura" presidencial, um mecanismo que permite a qualquer pessoa pagar zero de impostos se se estabelece como uma cooperativa e abrir uma livraria independente contratando, pelo menos, dois licenciados desempregados a partir da lista de desempregados, a fim de economizar dinheiro dos gastos públicos e contribuir para uma contribuição mínima para o emprego e o relançamento de novas posições sociais.

- Aboliu todos os subsídios do governo para revistas, fundações e editoras, substituindo-os por comissões de "empreendedores estatiais" que financiam acções de actividades culturais com base na apresentação de planos de negócios relativos a estratégias de marketing avançados.

- Lançou um processo muito complexo que dá aos bancos uma escolha (sem impostos): Quem porporcione empréstimos bonificados às empresas francesas que produzem bens recebe benefícios fiscais, quem oferece instrumentos financeiros paga uma taxa adicional: é pegar ou sair.

- Reduzido em 25% o salário de todos os funcionários do governo, 32% de todos os deputados e 40% de todos os altos funcionários públicos que ganham mais de € 800.000 por ano. Com essa quantidade (cerca de 4 milhões) criou um fundo que dá garantias de bem-estar para "mães solteiras" em difíceis condições financeiras que garantam um salário mensal por um período de cinco anos, até que a criança vai à escola primária e três anos se a criança é mais velha. Tudo isso sem alterar o equilíbrio do orçamento.

Resultado: Olhem que SURPRESA !!!

O spread com títulos alemães caiu, por magia. A inflação não aumentou. A competitividade da produtividade nacional aumentou no mês de junho, pela primeira vez em três anos.

Após uma pequeníssima busca descobri a origem deste texto neste neste blog.

 

domingo, junho 05, 2011

E o Povo, Pá?

O Povo agora aguenta-se à bronca! Cavaco, Passos e Portas a governar, vai ser uma alegria... Razão têm os homens da luta, isto vai ser bom é para eles! O País estava farto de Sócrates e com a sua razão e o Bloco de Esquerda suicidou-se tornando-se um não partido ou o partido do não. Não, foi o que lhes disse o eleitorado. O PSD esfrega as mãozinhas e alinha os barões. Portas esfrega as mãos e alinha os barõezinhos. A CDU celebra mais uma vitória eleitoral.

Pela primeira vez tomei uma posição e perdi. Fi-lo com convicção e assumo que a derrota foi algo merecida. Os portugueses estavam cansados da figura de Sócrates e queriam uma nova como quem compra um carro usado apenas diferente do anterior mas que parece mais novo. Não fazem a mínima ideia de quem ganhou as eleições. Eu não sei quem é aquele senhor que tudo o que propõe nos deixa a tremer. Na verdade nem aqueles senhores, que ouço ao fundo a comentar na televisão, sabem bem quem ganhou as eleições. Vamos agora ficar a saber... pelo menos a minha curiosidade mórbida vai ficar satisfeita. "Será que eles são mesmo capazes de ir para a frente com aqueles disparates?". Como bons católicos os Portugueses acham que merecem ser castigados por um pecado qualquer. "Vivemos acima das nossas possibilidades" e no entanto somos tão pobres... "Produzimos pouco" e no entanto nem sempre o que parece é. Como tal votam nos partidos que lhes prometem mais castigo. "Temos de fazer sacrifícios" dirão todos. Vamos a isso. Vamos vender a Caixa Geral de Depósitos, a Água e a Luz devem ir para os privados para que a concorrência funcione tão bem como nos combustíveis. Vamos despedir pessoas na função pública, liberalizar os despedimentos nas empresas, trocar as escolas públicas por um cheque de sabe-se lá quanto para o senhor doutor gastar menos no colégio do filho. Vamos trocar a saúde pública por seguradoras ávidas de lucro. Vamos acabar com os luxos nas escolas! Vamos a isso! Respiro fundo, agarro-me ao meu emprego público, luxuosamente pago com dinheiro dos contribuintes, e preparo-me para a viagem acidentada. Os barões vão começar aos saltos como pipocas acabadinhas de estalar. O Dias Loureiro deve estar a regressar do exílio não tarda nada... Mas a vida continua e os Portugueses serão sempre pobres, sempre maus trabalhadores, sempre a viver acima das suas possibilidades, sempre a merecer o tal castigo ou sacrifício. Vamos todos ser mais "troikos" do que a "troika" antes que o fim do mundo nos castigue e o nosso lugar no céu esteja comprometido.

Nunca acreditei que a política se fizesse só do lado de fora das decisões. Para se ser sério a fazer política é preciso querer governar. Por isso votei no único partido de esquerda que disse querer ser governo. Porque acredito na causa pública. Num estado que protege e participa. Que regula e equilibra. Não me identifico com os valores do conservadorismo liberal que criou esta maldita crise a partir dos Estados Unidos da América. Sinto que elegemos a versão adolescente do G. W. Bush, tonto, sem saber muito, mas com o apoio dos banqueiros. Isso nunca é bom sinal, o apoio dos banqueiros.
O Portas vai voltar ao governo, outra boa notícia. Ministro da Agricultura e Pescas era o que ele merecia. E nós também o merecemos, faz parte do castigo.

Continuação de uma boa legislatura para todos e à pergunta "e o povo, pá?" respondo: Que povo? Este é um país de patrões.

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril hoje mais do que nunca!

No dia 25 de Abril é fundamental lembrarmos os motivos pelos quais fomos fazendo Revoluções. Estamos a precisar de uma nova porque os agiotas voltaram ao poder e estão mais ferozes que nunca!



sexta-feira, dezembro 31, 2010

Dia de mudança!


Nunca o conceito de Ano Novo, Vida Nova! foi vivido de forma tão literal.

O Fundo Azul dedica a todos os seus seguidores fiéis e demais visitantes ocasionais um espectacular ano de 2011.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Art Barter, um novo conceito.


Barter significa, em inglês, a troca comercial de bens sem o uso de dinheiro, troca directa. Este conceito nada tem de original mas tem muita oportunidade nos tempos que correm. Apelos como os de Eric Cantona serão cada vez mais frequentes mas a banca e o sistema financeiro são muito pior do que a heroína. Largar não é fácil e traz consequências, sobretudo sofrimento. De algum modo este sistema monetário trouxe ao de cima o pior do ser humano. A liberdade de trocar dinheiro por dinheiro e bens que não existem por promessas de outros bens que nunca irão existir confundiu-se com outras liberdades mais fundamentais e sobrepôs-se na hierarquia. Este casino online para ricos e poderosos em que se transformaram as bolsas de valores e os bancos nada tem a ver com as lições de economia da oferta e da procura. Quanto vale uma coisa? Está mais do que visto que a abordagem académica e supostamente matemática falhou. Tantos consultores, tantos especialistas e chegamos à conclusão que o seu papel era, no final de contas, trazer-nos até este ponto, até ao ponto de rotura. Nem eles sabiam isto. Tantas contas e ninguém adivinhou que estava tudo errado...

Bem, chegados aqui, mais vale começar de novo. Troca directa. Barter em inglês. A troca directa online não é nada de novo mas a troca directa de Arte, de artistas de relevo, é um conceito que começa a fazer notícia. A 9 de Novembro o primeiro ArtBarter teve lugar em Londres e, entre outras trocas, Tracey Emin trocou um desenho por aulas de francês. O evento viaja agora para Nova Iorque. Vamos ver o resultado. Aqueles que pensavam não ter dinheiro para ter pintura ou escultura em casa têm provavelmente muito para oferecer em troca e merecem mais essa arte do que um qualquer vigarista de Wall Street cheio de dinheiro.

terça-feira, junho 22, 2010

"There are times, however, and this is one of them, when even being right feels wrong"

"There are times, however, and this is one of them, when even being right feels wrong. What do you say, for instance, about a generation that has been taught that rain is poison and sex is death? If making love might be fatal and if a cool spring breeze on any summer afternoon can turn a crystal blue lake into a puddle of black poison right in front of your eyes, there is not much left except TV and relentless masturbation. It's a strange world. Some people get rich and others eat shit and die. Who knows? If there is in fact, a heaven and a hell, all we know for sure is that hell will be a viciously overcrowded version of Phoenix — a clean well lighted place full of sunshine and bromides and fast cars where almost everybody seems vaguely happy, except those who know in their hearts what is missing... And being driven slowly and quietly into the kind of terminal craziness that comes with finally understanding that the one thing you want is not there. Missing. Back-ordered. No tengo. Vaya con dios. Grow up! Small is better. Take what you can get..."

Hunter S. Thompsom

Gonzo Papers, Vol. 2: Generation of Swine: Tales of Shame and Degradation in the '80s (1988)



terça-feira, junho 08, 2010

Quem são realmente os ignorantes deste mundo?

Meus queridos alunos,

Enquanto corrijo os vossos testes podem crer que estou consciente que ignorantes mesmo são os idiotas que criaram esta crise com ganancia e contínua soberba. Os maus alunos do mundo hoje vestem fato e gravata, defendem as regras (ou falta delas) destes mercados selvagens e sem sentido de realidade e ainda ditam as leis e falam de diminuição de despesas enquanto conduzem os seus Mercedes com vidros fumados e desfilam a sua riqueza pornográfica. Vinguem-se destes tipos, por favor! Sejam melhores!


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