quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Mais um desenho...



... mais um jantar. Enquanto o Porto lutava contra a má sorte no jogo com o Atlético e vozes mais ou menos agressivas insultavam tudo o que era madrileno, saiu-me mais este. Ao som rouco do Lopes que cantava "Rape me... Rape me... Rape me..." dos Nirvana sem cessar, até ao limite, até me saiu melhor.

Cada vez falo menos de filmes durante o Fantasporto mas hoje vi um bem bonito. Chama-se "Absurdistan" e é do alemão Veit Helmer que realizou "Tuvalu" vencedor em 2000. É uma história de amor entre dois adolescentes numa aldeia perdida no oriente europeu. A luta entre os sexos ganha contornos de comédia quando nesta sociedade absurda e dividida um género deixa de cumprir o seu papel e o outro leva o protesto à consequência mais inevitável, não mais sexo. As mulheres mandam e o amor conquista tudo... isso já nós sabíamos, mas soube-me muito bem este filme.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Ghostbusters princesses and songs



As noites míticas estão de volta? ou nunca desapareceram... espantar fantasmas esteve na ordem do dia e há mesmo noites em que tudo é possível.

Os meus dedos, rotos de maltratar aquelas cordas velhas, parecem hoje de manhã a cara do Mickey Rourke. A minha voz, tão melodiosa como um Buttgereit de dar umas cabeçadas na parede e muito abaixo do recomendável, arrasta-se pela minha garganta com uma dificuldade melosa, enfim, cheia de muco.

O Armando, no entanto, não teve culpa nenhuma e lá ouviu espantado a minha história em que comia os rins da Dalila com vinho branco depois de uma noite tórrida e violenta com o coelhinho da Mónica. Porque pelos vistos ele gosta de sofrer trabalha na Qimonda e foi quase como conhecer uma celebridade. Ou então não...

Será que aconteceu mesmo?

No princípio e no fim pontuaste o meu dia e hoje o Sol pode inundar a tartaruga, aquecer-me o rosto, mas já não me fere os olhos... e eu sorrio, sorrio muito.

ps I: se não há uma palavrinha para os Oscars é porque não vale a pena. Lembro-me sobretudo de te afagar o cabelo.

ps II: a fatiota era genial!

domingo, fevereiro 22, 2009

Mais um jantar do Fantas...



... mais um desenho. Este meio a pedido do Filipe Lopes. Sim porque desta vez já estavam o Lopes, o Pascoalinho e a Tita, sempre com o Ricardo Clara. Grandes amigos de viagem! Na televisão o Sporting - Benfica afastou-me dos desenhos durante quase todo o jantar e a saborosa picardia entre o Lopes e o Pascoalinho soube ainda melhor do que a surpreendente picanha no bar dos bombeiros. Não era a melhor picanha mas muitos de vós também nunca viram o bar dos bombeiros...

... a noite seguiu e tornou-se num dia especial por obrigação de calendário. Como é da praxe fiquei um bocadinho mais emo e fiz uma fita à menina mas dancei muito e tive bons abraços. O Abreu e o Danilo não sairam dali e a Marta Joana ficou quase até ao fim com o grande Lopes. Gosto sempre da presença do economista liberal que é o mano Fundo que me tenta em vão ensinar as proezas do sistema económico e as virtudes do crédito, faz-me bem (ele, não o crédito).

Mas hoje quando acordo só uma frase me vem à cabeça...

O Amor dói muito!

não me perguntem porquê.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O primeiro jantar do Fantas...


... deu nisto. Com o Clara, o Ivan, o Henrique, a Suska, a Catarina Castelejo e mais uma moça de cujo nome não me lembro e que também trabalha pelo fantas. Foi na Brasileira que nos serviu uns pregos em prato tão frios como os seus homónimos em aço.

a conversa descambou algumas vezes como é costume mas cabe aqui fazer o esclarecimento...

... para quem lá estava: O senhor em causa é o Bob Saget que ficou famoso na série "Full House" nos anos 80 e o filme dos pinguins é o "Farce of the Penguins". Pronto, está dito.

Mais para a frente no Festival as brancas que me vão acontecer serão por filmes e nomes bem mais interessantes... espero.

Adivinhem onde estive ontem...


terça-feira, fevereiro 03, 2009

You are the Sun

"You are the sun
You are the only one
You are so cool
You are so rock and roll

Be my, be my, be my little rock and roll queen"

Mesmo com 50 tipos suados e bêbados à minha volta só me lembro daquele sorriso! Esqueci-me dos olhares, dos empurrões, da cerveja que se entorna, esqueci-me das horas, das consequências... esqueci-me de pensar "para onde vai esta gente que está sempre a atravessar a pista?"

... a sério, há gente que sai à noite e que a passa a atravessar um bar sobre lotado de um lado para o outro sem qualquer orientação... só pode ser isso, uma tara, necessidades educativas especiais, sei lá!

Os Kaiser Chiefs fizeram entrar em delírio uma Angry Mob que sabia as letras todas - não eu, a memória nunca ajudou muito - e a malta pinchou e saltou e eu pressenti que a noite ainda estava a começar...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Esta é para ti Zé Ramone!

"He's in love with rock'n'roll woaahh
He's in love with gettin' stoned woaahh
He's in love with Janie Jones
But he don't like his boring job, no..."

Mas tu gostas e isso também é engraçado.

Ninguém rocka como tu Zé Ramone!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Can they?



Hoje pode ter sido o primeiro dia do resto das nossas vidas... Ou então não.
Obama fez o seu discurso para a América mas também para fora. Foi um discurso conciliador mas não deixou de ser muito crítico da política americana dos últimos anos "Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age." Apesar de tudo ainda há sinais de um qualquer eixo do mal e da ideia de que deus comanda o destino dos homens. A palavra "God" faz parte do discurso político americano quase tanto como num discurso de um qualquer mullah a anunciar a sua fatwa. Quase nunca vejo grandes diferenças. Obama tentou ser diferente mas não deixou de lembrar quem manda por aqueles lados... Deus. Pelo menos assumiu a posição de governante e apresentou metas políticas e sociais louváveis. A consciência de que o trabalho é de todos e o caminho é duro. Realçou a importancia de criar empregos e um sistema de saúde sólido e mais barato à custa de mais tecnologia e ciência. Saír do Iraque e fomentar a paz com todos. É interessante analisar as "word clouds" dos vários discurssos dos presidentes americanos. Aqui ninguém quer saber.

Barack Hussein Obama pode salvar vidas só pela cor da sua pele e pelo seu nome, mas promete mais. Quero adormecer a imaginar que é um super-homem e cumpre as sua promessas. Amanhã quando acordar tudo irá ser mais cinzento e os desafios menos poéticos do que um discurso inflamado. O cartaz de Shepard Fairey diz "HOPE" e eu tento ter alguma esperança. Custa-me, no entanto, que uma nação como os Estados Unidos da América tenha tanto poder e influência nas nossas vidas, enfim, custa-me isso com qualquer nação. Custa-me muito. Hoje vou ter uma centelha de esperança. Por uma noite.

...

nota de rodapé:

falei ao telefone com a Martha que está no México e ela está bem melhor de saúde. está a aprender espanhol. fiquei muito contente. ela está feliz e vai ver os Radiohead em Março na Cidade do México! Grrrrrrr..... (inveja)!

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Dás-me vontade de pintar...

Faltam-me os filmes... Faltam-me muito os meus filmes!
Na sala, naquele escuro mágico que me transporta para lá das coisas.

Falta-me a pintura... Faltam-me muito as minhas tintas!
As minhas formas e cores falam muito mais do que eu consigo dizer.

Abandonei o meu reino por outro várias vezes, agora tenho um reino desgovernado, gigante e cruel.
Quero voltar para casa.

Um dia escrevi num desenho:

"I kissed your pierced lip and died"

... gosto muito dessa frase

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Pois... 2009.


Para primeiro post do ano tinha pensado escrever algo verdadeiramente significativo, mas isso nunca aconteceu antes e não era agora que ia começar...

O país está em recessão, o mundo todo está em recessão. Isso significa que alguns tipos ricos, daqueles que investem dinheiro em coisas verdadeiramente luminosas em flatcreens alojados em cubículos entre Lisboa, Londres, Berlim, Nova Yorque ou Tóquio vão começar a pensar seriamente em fazer correr lâminas afiadas ao longo dos seus pulsos antes cobertos por pulseiras de relógios suiços que davam para pagar a minha casa. Já não era sem tempo. Não consigo ter pena.

Claro que a minha existência eminentemente burguesa me deveria conduzir a uma opinião mais ou menos conservadora e reservada sobre isto tudo, mas não resisto. Adoro todos os minutos e observo nervoso o avançar do cancro alimentado por esta gente criativa e engraçada - os contadores de moedas desajeitados do século XXI. Quando é que me vai chegar? Revejo na minha cabeça imagens da Farm Security Administration, que registou por intermédio de fotografos como Dorothea Lange ou Walker Evans imagens da depressão de 1930, e fico à espera da grande fome. Há quem me diga que a corrupção em que vivemos é uma espécie de fungo sem o qual não podemos existir... tipo penicilina. Ás vezes acredito mais do que outras mas não gosto nada da ideia e custa-me reconhecer que pouco faço para desmascarar a burla e ainda menos para ajudar quem realmente precisa.

O meu exército enfraquece à medida que se afasta do falso general e sinto-me fraco para comandar tropas neste momento. A mensagem anda fraca e igualmente em recessão por estes lados.

Apetece-me falar de amor mas o blog do meu irmão encarrega-se disso muito melhor do que eu. Devo dizer que tenho tido momentos bonitos com um rosto bonito que me faz sentir bem e esquecer que tenho de me apaixonar de vez em quando. A felicidade faz-se sobretudo de coisas pequenas e simples.

Um 2009 cheio de obras para os meus soldados e cheio de mim para as minhas musas...

...e já agora cheio de saúde para o pai fundo e força para a mãe sameiro,

é o que desejo.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Eu não sou isto!

Eu não sou isto! Eu não sou este tipo que diz que não sente. Que mentira! O medo reconheço-o, mas o resto... Como vim aqui dar? Projecto inacabado como tudo o resto, dor silenciosa, aguda e lenta. Nem um desenho, nem uma pintura, nem uma música, nem um filme... nem sequer um texto.
Nada.

"The Post that never was"

Isto já estava escrito há algum tempo, cá vai...

... para quebrar o vazio.

"estou a meter estas palavras no papel, sem crítica, não pretendo ter graça, não pretendo ser profundo, não pretendo impressionar ninguém: recuperei a infância, sou um miúdo espantado. E, tal como quando era miúdo, não morrerei nunca, qualquer fada obscura parece condenar-me à felicidade, uma dia dura que tempos, peguem-me ao colo."

António Lobo Antunes in Público 2008

Com tanta coisa a acontecer. Com o anunciado fim da confiança que depositámos nos nossos contadores de moedas. Com a revolta dos meus colegas professores com qualquer coisa mal feita que nem sequer quero entender bem. Com a morte do Paul Newman mais um filme dos Cohen e outro do Clint. A MacDonalds quer patentear a ordem pela qual montam uma "sandes" de carne picada. Tudo isto não me faz sair da letargia que me impede de opinar, de participar, de contribuir para este blog só meu. Pelo contrário estas palavras de António Lobo Antunes impelem-me a caneta sobre um bloco de papel. Nem sequer é no computador, como já me acostumei.
Porque ando preocupado com estas marcas no meu rosto, com os traços do tempo que cada vez mais me fazem companhia. "Estás um bocado acabado." disse-me, comigo ainda deitado na cama. Não me parece justo, não tive tempo.
Ainda me lembro de querer ser guarda-redes do Porto, de ainda ser possível. De querer passar a vida com uma guitarra pendurada nas costas e insultar o sistema mais os seus contadores de moedas, mas os meus dedos lentos e gordos nunca concordaram com esse projecto. Agora, no intervalo da escrita deste texto, ainda tento convencer um aluno a chegar às aulas a horas. Não faz sentido.
O António Lobo Antunes abriu uma janela. Há um lado de lá, uma paisagem pelo menos. Eu não aguento é este intervalo, esta necessidade de ser engraçado ou profundo, esta necessidade de impressionar. Estou cansado deste meio termo e ainda agora começou. Sempre fui de me cansar depressa, bem sei, à custa da minha rinite ou sinusite crónicas. Fiquei a saber bem cedo que nunca poderia jogar à bola a sério... Há quem diga que nunca me esforcei verdadeiramente. Provavelmente têm razão. Percebi há algum tempo que não se pode esperar porque não chega nunca... deve-se sempre ir buscar. Todos os dias.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Nelson de Ouro em Pequim!




O nosso Nelson Évora venceu a medalha de ouro no concurso de Triplo-salto que se disputou hoje em Pequim, nos Jogos Olímpicos.
O atleta português fez um salto de 17,67 m e superiorizou-se ao britânico Philips Idowu que saltou apenas 17,62 m. A medalha de bronze ficou para Leevan Sands das Bahamas com 17,59 m.

Parabéns Nelson e obrigado por salvares a honra do convento!

terça-feira, agosto 12, 2008

Isaac Hayes faleceu a 10 de Agosto de 2008



Isaac Hayes foi um enorme músico da funk e da soul americana. Dono de uma voz incrível Hayes foi produtor, compositor, cantor e actor durante a sua carreira. Trabalhou durante os anos 60 na editora Stax Records como compositor e produtor.

Em 1972 Hayes venceu o Oscar para a melhor música com o tema do filme "Shaft", o primeiro para um afro-americano sem ser como actor, assim como dois Grammy Awards.

Em 1997 aceitou a medo ser a voz de "Chef", uma personagem da famosa série de animação "South Park" do Comedy Central. Acabou por ser um sucesso e trouxe-o de novo para a ribalta. Até 2006 deleitou os fans da série com a sua fantástica voz.

Agora que nos despedimos de Isaac Hayes deixo aqui um pequeno vídeo que editei para nos lembrar-mos dele. Uma actuação em 20 de Dezembro de 2005 no Late Night with Conan O'Brien em que dirigiu a banda e cantou o tema "Shaft" de 1971, com a participação especial de muitos membros dos Max Weinberg 7...

...Isaac i'll miss you

sexta-feira, agosto 01, 2008

Este é o motivo pelo qual eu não tenho feito Posts no Blog...


A nova Soares dos Reis...

... a minha menina tem-me retirado algum tempo, sobretudo mental, de modo que tenho tido menos vontade de fazer Posts no blog.

Desculpem-me os 3 ou 4 leitores habituais...

terça-feira, maio 27, 2008

Mobile Museum of Gem Sweaters

Leslie Hall é uma artista americana que não tem qualquer pudor em utilizar os aspectos mais populares e/ou banais da nossa cultura ocidental a seu favor e executa-o de uma forma genial. Este museu das camisolas decoradas é um pequena preciosidade.

Leslie começou por ficar celebre quando rompeu com os padrões e concorreu para rainha do baile no seu secundário, a famosa Prom Queen, e ganhou. Tem três albums de música editados e não se sai nada mal na pintura. A internet é, no entanto, o meio no qual tem feito mais sucesso.

Força Leslie!

as fotos acima foram retiradas de uma sessão feita para o site viceland e são da fotógrafa Laura Waal.

Uma praga do século XXI ou a mais antiga ocupação feminina?

Muitos dirão que eu tenho demasiado tempo livre para descobrir estas coisas... Não é verdade. O que eu tenho é o vício de procurar estas coisas.

O lado negro, o mais escondido, da violência doméstica. O abuso de homens. Homens indefesos, presos, tal como tantas mulheres, a relações doentes e carregadas de violência. Homens agredidos física e psicologicamente todos os dias. Homens violados. Homens com vontade de permanecer indefinidamente no seu cubículo lá na empresa.

É preciso ter coragem para falar, para quebrar o ciclo vicioso.

Alguns sinais preocupantes:

A tua companheira quer saber SEMPRE onde tu estás?
A tua companheira acusa-te frequentemente de a traíres? (nota bem que se de facto a estás a enganar provavelmente mereces algumas das coisas que ele te faz)
A tua companheira desencoraja-te de teres relações sociais com amigos e família?
A tua companheira força-te a teres relações sexuais com ela?

Se respondeste que sim a, pelo menos, três destas perguntas, então deves procurar ajuda.
Reparem que não coloquei a pergunta "A tua companheira costuma dar-te porrada frequentemente?". Achei que nesses casos um gajo já percebeu que qualquer coisa deve andar mal.

Provavelmente é mais barato, mas não necessariamente mais fácil, arranjar outra mulher ou então desistir delas para sempre e abraçar, com todo o entusiasmo e nenhuma vergonha, o fantástico mundo da pornografia descarregada da internet. De qualquer das formas dar porrada de volta ou rebater com o mesmo tipo de atitudes só vai prolongar o sofrimento de ambos.

A América, origem de todos os males e de todas as curas, chega a ter mais de 400 000 casos, por ano, de objectos arremessados a cabeças masculinas por mulheres e é estatisticamente mais provável um homem abusado ser esfaqueado do que uma mulher. Por outro lado a violência feminina contra os homens é por vezes escondida por vergonha ou ignorada porque muitas delas não têm realmente força suficiente para magoar um tipo. Um homem só se apercebe quando está a levar com a torradeira na mona.

Existe o site BatteredMen.com onde podes procurar ajuda.

quarta-feira, maio 14, 2008

Goodnight Irene ou o sorrateiro avanço da minha velhice


Já há algum tempo que não escrevo no blog e tenho pendente um post sobre o filme "I'm Not There" de Todd Haynes, mas a morte de Robert Rauschenberg aos 82 anos e o filme "Goodnight Irene" de Paolo Marinou-Blanco fizeram-me pensar um pouco sobre a dificuldade que é envelhecer e sobre a forma como, de um modo ou de outro, eu me coloco sempre como o mais velho - algo cada vez mais frequente - ou então o mais novo. Estes extremos definem as duas posturas fundamentais da minha existência perante os outros, quer pela minha profissão, quer pelo meu feitio de eterno adolescente. Definem porque, por qualquer motivo, eu vou deixando que definam e as posturas paternalistas alternam com as rebeldes e inconformadas constantemente. No filme "Goodnight Irene" o personagem Alex diz não ter aprendido nada à medida que foi envelhecendo. Ele sabe que não é verdade mas ao mesmo tempo não consegue perceber que processo é esse que não o deixa agir em conformidade com o que aprendeu. Entendo perfeitamente o que ele diz. A idade adulta é sorrateira na forma como, num ápice, nos invade o rosto, planta alguma solidão e nostalgia mas deixa sinais interessantes de auto-segurança e de firmeza. O filme de Paolo Marinou-Blanco é interessante. Tem diálogos muito inteligentes e um projecto bem definido. A resolução da história não me parece tão bem resolvida como o seu miolo e a utilização da voz off acaba por solucionar problemas narrativos mas sem a convicção necessária. A morte, essa etapa final para todas as histórias, ainda não me assusta mas assusta-me a ideia de uma retirada demorada porque tal como Alex o diz "Toda a gente respeita quem está a morrer mas ninguém tem muita paciência para os que demoram demasiado tempo". Este é um filme sobre a amizade e a solidão, sobre a forma como uma não pode nunca existir sem se conhecer a outra.

Robert Rauschenberg 22 de Outubro de 1925 – 12 de Maio de 2008



A propósito da morte de Robert Rauschenberg aqui fica uma pequena entrevista sobre o famoso "Erased De Kooning's Drawing".