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artes plásticas... cinema... poesia... política... sei lá! ... basicamente as ideias todas a monte... o que passa pela cabeça e que escapa pelos dedos...
quarta-feira, maio 14, 2008
Robert Rauschenberg 22 de Outubro de 1925 – 12 de Maio de 2008
A propósito da morte de Robert Rauschenberg aqui fica uma pequena entrevista sobre o famoso "Erased De Kooning's Drawing".
quarta-feira, abril 02, 2008
Roadkill
quarta-feira, março 26, 2008
"The Raconteurs" novo album saiu hoje!
O vídeoclip de "Salute your Solution" foi realizado por Autumn de Wilde e consiste em mais de 2500 fotografias editadas de modo a parecerem uma actuação da banda em vídeo.
Como prendinha deixo aqui a música "Consoler of the Lonely"
Mais três filmes...

Mais uma vez fui ao cinema. Mais uma vez três filmes. Há quem diga que não aguenta, que é demais. Ás vezes esqueço-me de como é bom estar no cinema, como me sinto seguro. Esqueço-me e volto para me lembrar. Não se deixem enganar pela minha gulodice cinéfila, vou montes de vezes... nunca são as suficientes.
Comecei com o "Halloween" do Rob Zombie. Remake do clássico de John Carpenter de 1978. É muito caótico o Rob Zombie a realizar. Tão caótico que fica mal. Preconceituoso quanto baste, para um americano, não resistiu a transformar Michael Meyers num filho de uma família completamente disfuncional. Mãe stripper, irmã promiscua (ou não, sei lá, tem um namorado) e um padrasto preguiçoso e violento que por qualquer motivo está entrevado. Esperava que o Zombie fosse um bocadinho menos moralista. Um assassino como Michael Meyers não tem de ser resultado de uma família com problemas. A piada da história vem do facto de não haver motivos para Meyers ser a semente do mal. Esse é o princípio da história de terror. Vem sem motivo e por isso é imparável. Rob Zombie, do alto do trono de estupidez que é a cultura moralista americana, fez um filme onde, sem querer, faz dos pobres a semente do mal.
A realização é tão desorganizada que irrita. Sem identidade cinematográfica. Se Rob Zombie tem um imaginário com uma certa piada, para quem gosta do género de terror, não faz a mínima ideia de como se constrói um filme com identidade, com uma voz do princípio ao fim. Não havia necessidade de estragar mais um clássico do cinema de terror.
O segundo filme foi "Falsificadores" ou "Die Fälscher", no original de Stefan Ruzowitzky. Ao contrário de Zombie, Ruzowitzky sabe fazer cinema e conta muito bem a história de Salomon "Sally" Sorowitsch. Rei dos falsificadores, este judeu russo é apanhado pelos nazis e participa, enquanto preso num campo de concentração, na operação Bernhard. Uma operação destinada a falsificar libras, dollars e outros documentos dos Aliados para ajudar ao esforço de guerra alemão. O filme faz-nos viver a angustia dos prisioneiros que não sabem se devem fazer o seu melhor para salvar a vida ou boicotar os seus inimigos atrasando a produção de dinheiro falso. Sally o personagem principal é muito forte e conforta o espectador com a certeza de que resolverá o problema. O filme começa com Sally cheio de dinheiro depois da guerra. O caminho para a salvação não é fácil e a ambiguidade moral atravessa todo o filme. Não há soluções fáceis e as personagens deste filme foram colocadas com a mão certeira de quem retoca uma chapa de gravura para falsificar uma nota de dollar. Quando achava que já não tinha pachorra para mais filmes sobre a Segunda Guerra eis que me aparece mais um a provar que eu afinal não percebo nada do assunto.
O terceiro filme foi escolhido muito a medo. "August Rush" de Kristen Sheridan é um drama clássico à volta de um puto com dotes musicais para além do imaginável. É ridícula a forma como o miúdo vai aprendendo os instrumentos à velocidade da luz. A trama tem alguma piada mas cai com demasiada facilidade no clássico encontro/desencontro até ao minuto final. Soma-se a isto a velha história do percurso do menino prodígio e temos um filme igual a tantos outros. Todos sabíamos o que ia acontecer no minuto final... foi só esperar. Se não gostasse tanto de ouvir guitarras tinha odiado o filme. Com um bocadinho de sorte, ou azar, como preferirem, este filme far-nos-á companhia numa tarde de sábado qualquer na sua TVI. Salva-se realmente a música que venceu o Oscar com a interpretação fantástica de Jamia Simone Nash, de 11 anos. A performance de Jamia na cerimónia de entrega dos Oscars valeu bem mais do que todo o filme.
Há muito mais a dizer sobre estes filmes mas agora não me apetece...
... maybe another time, another place.
terça-feira, março 25, 2008
A imagem roubada pelo espelho

pensas tu que sabes...
se sabes alguma coisa.
penso eu que sei...
que não sei nada.
vivo eu, se é que vivo,
a ilusão de ser,
a ilusão de ter,
a ilusão de querer.
nada me pertence,
tudo é alugado.
um dia, que esteja claro,
abdicamos do trono,
oferecido ou trocado.
troca demasiado cara,
ou oferta envenenada.
um dia deixei de ser eu
e troquei-me
pela minha imagem no espelho.
descobri, mais tarde,
que me tinha esquecido
da origem da imagem,
desse reflexo.
esqueci-me de mim.
sexta-feira, março 21, 2008
O que ela queria, eu não dei...
Saí de casa
Pa ir pa escola
Top preto, jeans de ganga
E ténis de mola
Cheguei ah aula
E tava o quim
A mandar mensagens
No telm para mim
Estava eu tao sossegada
A mandar mensagens e mais nada
Veio a prof e disse assim:
Da-me o telemovel
Da-me o teu telefone
Da-me a caderneta
"Vou por la o teu nome"
E eu botei-lhe a mão:
É meu(é teu)
Não dou,(não,não)
Foi com a reforma
Que o meu avo o pagou(ah pois foi)
É meu(é teu)
Não dou,(não,não)
Foi com a reforma
Que o meu avo o pagou(ah pois foi)
Oh gorda sai da frente
Que eu quero gravar
Baza borrachona, tás a atrapalhar
Vamos ser famosos vamos pro ar
Vai pa internet, vai tvi
Isto caso mundial, vai po csi
e eu disse-lhe assim:
É meu(é teu)
Não dou,(não,não)
Foi com a reforma
Que o meu avo o pagou(ah pois foi)
BiDiAr
quarta-feira, março 19, 2008
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Fantasporto 2008
Mais um ano, mais um Fantas... Para mim este já é o vigésimo!
20 anos de Fantasporto é muita coisa, são muitos filmes, muitas noitadas, muita cerveja, mas principalmente muitos amigos. A maior recompensa que o Fantasporto me deu forma os amigos que fiz durante estes 20 anos.
Não me posso esquecer que se não fosse o Fantas dificilmente seria hoje professor de audiovisuais na Soares dos Reis. Aprendi no Fantas a ver Cinema, a falar sobre cinema, a respirar cinema. Conheci o Shynia Tsukamoto, o Dario Argento, o Guillermo del Toro, o Doug Bradley, sei lá... tanta gente...
O meu amigo de sempre, o António Pascoalinho, conheço-o há exactamente 20 anos. O Filipe Lopes, O Ricardo Clara, O Ivan, o Fred, nunca mais acaba a lista de amigos. Sempre o Carlão que me levou pela primeira vez em 1988 e que entretanto já não aparece porque a vida lhe exige outros hábitos. Os alunos e alunas da Soares que se juntaram a este grupo de amigos, que até já serviu de notícia de jornal, engrossaram a lista em anos mais recentes. Os namoros que se fizeram. São muitas as coisas boas que o Fantas me deu e deu-me muitos, muitos filmes. "A Chinese Ghost Story" de Siu-Tung Ching foi o vencedor em 88. Chineses voadores em lutas de artes marciais fantásticas a antever a maluqueira que se seguiu no consumo de manga e anime. Vi o Reservoir Dogs, o Se7en, o Braindead, Dead Ringers, Tetsuo, Ichi the Killer, o Cubo, a lista nunca mais acaba. Isto tudo filmes em primeiríssima mão, com direito a acesas e intermináveis discussões no saudoso Carlos Alberto ou no mais recente Rivoli. Dificilmente conseguirei aqui sintetizar 20 anos de Fantasporto, tantas são as histórias. Fazem-se novas todos os anos e as amizades, não é possível eu traduzir a importância das amizades que fiz no Festival.
Este ano mais filmes e mais histórias! Mais um Takashi Miike, o novo Dario Argento - Mother of Tears, Park Chan-wook com I'm A Cyborg and that's OK e Kim Ki Duk com Breath. Para além disto vimos já na abertura o espectacular No Country for Old Men dos irmãos Coen, merecido vencedor do Oscar para o melhor filme. Opium: Diary of a Madwoman do húngaro János Szász é um filme que promete, já premiado em vários festivais. Muita expectativa para [REC] de Jaume Balagueró um filme de zombies que, tal como Cloverfield, Radacted e outros, recorre a um estilo tipo documentário ficcionado ou found footage como estratégia narrativa. Há muita curiosidade por ver Interview de Steve Buscemi com a lindíssima Sienna Miller a contrastar com a cara feia do costume de Buscemi. Mais um filme sobre notícias e jornalistas. Há espaço para uma curta de 3 minutos de Lars Von Trier chamada Occupations e o mais recente Bill Plympton, Shut-Eye Hotel. You, the Living, um filme de Roy Anderson foi o vencedor do Festival de Chicago, mereceu uma longa ovação em Cannes e promete surpreender o público do Fantasporto. The Tattooist e One Missed Call na versão americana (nunca na vida alguém ultrapassa o original de Takashi Miike) são mais dois filmes de terror que completam o cartaz e prometem criar ódios de estimação ou talvez não, quem sabe?
O festival encerra com The Mist de Frank Darabont, um verdadeiro filme de terror baseado na história de Steven King. A não perder!
Este é o Fantas 2008. Uma colecção muito interessante de filmes para envergonhar La Féria que se imagina dono do nosso Teatro Municipal e nos enche de musicais foleiros como se isso fosse a única cultura desejada para o país. É fundamental manter o Fantasporto forte. É o nosso Festival de Cinema, um dos melhores do mundo e, pelo menos por uma semana no ano, é a minha casa.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
22 de Fevereiro de 2008
É suposto esta ser uma data importante. Pelo menos para mim. Há uma todos os anos... não sei o que fazer com ela.
Fui ao cinema, como é costume. Vi o Michael Clayton e o Juno. São ambos bons filmes. Ás vezes há tão pouco a dizer sobre os filmes... ou então sou eu. Ontem vi o There Will Be Blood do Paul Thomas Anderson. Outro bom filme, mas que me desiludiu... muito.
Porque é que o Paul tentou agora fazer o seu Citizen Kane? Pronto, percebemos a piada... sempre que mete petróleo dá merda! É isso que o título quer dizer, acho. Há um pastor baptista que é espancado... duas vezes... e isso é bom. Há um Daniel Day-Lewis perfeito. Será? Um personagem tem de ter contradições, vários vectores... este pareceu-me plano demais para o Paul. Sem surpresas. Não há nada no filme que me surpreenda. Antes de o ver já sabia tudo o que se ia passar... e basta saber que é sobre a ascensão (mas não necessariamente a queda) de um garimpeiro de ouro negro. Um homem que não gosta de homens, nem de mulheres, enfim... não gosta de ninguém. E pronto, qual é a relevância? Fica rico na mesma, ou melhor, claro que fica rico... é mais fácil quando se não gosta de pessoas. A música do nosso Jonny Greenwood dos Radiohead é o que mais marca o filme e o que suporta a tensão que este consegue criar. Há gente que não sabe fazer mal as coisas. Será que o filme é sobre os dias de hoje? Sobre as vidas de americanos e o sangue que rola por causa da questão do petróleo. P. T. Anderson filma este ouro negro sem glamour de qualquer tipo. Para todos os efeitos o petróleo suja tudo à sua volta, até o coração de um homem. O filme mostra sempre um negócio tão vil e desumano como escuro e sujo. Acho que por esta altura o Paul pensa daquela matéria negra e viscosa o mesmo que a maioria do humanos deste planeta. Só dá ganancia, morte e fome! Mesmo assim achei que faltava qualquer coisa... para um filme tão longo (esta mania de fazer filmes com mais de duas horas já me começa a irritar e a cheirar a pretensiosismo).
Michael Clayton é o filme que o António Pedro gostava de ter feito e só não fez porque é mais difícil do que dizer uma banalidade qualquer sobre o Benfica. Grandes empresas, corrupção, advogados, mercedes caros e fato e gravata como quem usa pijamas do snoopy. A história conta-se aqui em linguagem cinematográfica. Imagens daqui e dali. Grandes falas, não em tamanho mas em significado. O melhor início de um filme nos tempos mais recentes. George Clooney a fazer dele mesmo, com umas olheiras que me fazem crescer a auto-estima. Afinal o homem é humano. O filme tem surpresas - o que falta no There will be blood - e funciona como um todo. Boa história e muito bem filmada.
Juno não é suposto ser uma comédia romântica. Se eu tivesse leitores neste blog tinha já afastado uma boa quantidade de gente do filme. Ellen Page fenomenal. A dupla de Arrested Development, Michael Cera e Jason Bateman deu-me a sensação de ver um filme com velhos amigos. Excelentes diálogos, cheios de pequeninos detalhes deliciosos provavelmente desperdiçados naqueles que procuram a comédia romântica que lhes vai prolongar o namoro por mais umas horas. O filme mente e mente e mente. A gravidez de uma menina de 16 anos não é assim tão fácil, fica bem em filme e pronto. Mas acabei por sair com um sorriso. Por vezes é bom ver uma boa mentira... afinal o cinema não é isso?
22 de Fevereiro é só mais um dia... sinto falta do meu fantasporto.
Fui ao cinema, como é costume. Vi o Michael Clayton e o Juno. São ambos bons filmes. Ás vezes há tão pouco a dizer sobre os filmes... ou então sou eu. Ontem vi o There Will Be Blood do Paul Thomas Anderson. Outro bom filme, mas que me desiludiu... muito.
Porque é que o Paul tentou agora fazer o seu Citizen Kane? Pronto, percebemos a piada... sempre que mete petróleo dá merda! É isso que o título quer dizer, acho. Há um pastor baptista que é espancado... duas vezes... e isso é bom. Há um Daniel Day-Lewis perfeito. Será? Um personagem tem de ter contradições, vários vectores... este pareceu-me plano demais para o Paul. Sem surpresas. Não há nada no filme que me surpreenda. Antes de o ver já sabia tudo o que se ia passar... e basta saber que é sobre a ascensão (mas não necessariamente a queda) de um garimpeiro de ouro negro. Um homem que não gosta de homens, nem de mulheres, enfim... não gosta de ninguém. E pronto, qual é a relevância? Fica rico na mesma, ou melhor, claro que fica rico... é mais fácil quando se não gosta de pessoas. A música do nosso Jonny Greenwood dos Radiohead é o que mais marca o filme e o que suporta a tensão que este consegue criar. Há gente que não sabe fazer mal as coisas. Será que o filme é sobre os dias de hoje? Sobre as vidas de americanos e o sangue que rola por causa da questão do petróleo. P. T. Anderson filma este ouro negro sem glamour de qualquer tipo. Para todos os efeitos o petróleo suja tudo à sua volta, até o coração de um homem. O filme mostra sempre um negócio tão vil e desumano como escuro e sujo. Acho que por esta altura o Paul pensa daquela matéria negra e viscosa o mesmo que a maioria do humanos deste planeta. Só dá ganancia, morte e fome! Mesmo assim achei que faltava qualquer coisa... para um filme tão longo (esta mania de fazer filmes com mais de duas horas já me começa a irritar e a cheirar a pretensiosismo).
Michael Clayton é o filme que o António Pedro gostava de ter feito e só não fez porque é mais difícil do que dizer uma banalidade qualquer sobre o Benfica. Grandes empresas, corrupção, advogados, mercedes caros e fato e gravata como quem usa pijamas do snoopy. A história conta-se aqui em linguagem cinematográfica. Imagens daqui e dali. Grandes falas, não em tamanho mas em significado. O melhor início de um filme nos tempos mais recentes. George Clooney a fazer dele mesmo, com umas olheiras que me fazem crescer a auto-estima. Afinal o homem é humano. O filme tem surpresas - o que falta no There will be blood - e funciona como um todo. Boa história e muito bem filmada.
Juno não é suposto ser uma comédia romântica. Se eu tivesse leitores neste blog tinha já afastado uma boa quantidade de gente do filme. Ellen Page fenomenal. A dupla de Arrested Development, Michael Cera e Jason Bateman deu-me a sensação de ver um filme com velhos amigos. Excelentes diálogos, cheios de pequeninos detalhes deliciosos provavelmente desperdiçados naqueles que procuram a comédia romântica que lhes vai prolongar o namoro por mais umas horas. O filme mente e mente e mente. A gravidez de uma menina de 16 anos não é assim tão fácil, fica bem em filme e pronto. Mas acabei por sair com um sorriso. Por vezes é bom ver uma boa mentira... afinal o cinema não é isso?
22 de Fevereiro é só mais um dia... sinto falta do meu fantasporto.
domingo, fevereiro 10, 2008
Hase, gelitin 2005


Hase ou Coelho, como preferirem, é uma instalação do grupo gelitin que consiste num enorme coelho de peluche (6500 x 2500 x 600 cm) 'pousado' na montanha de Colleto Fava a 1600 metros de altitude nos Alpes Italianos, perto da cidade de Artesina, Piemonte.
Levou 5 anos a tricotar este coelho, inaugurado a 18 de Setembro de 2005, que deverá manter-se neste local durante 20 anos.
É suposto subirmos e habitarmos por momentos este coelho gigante que parece caído dos céus. Explorar as suas entranhas espalhadas, provavelmente resultado da queda. Curiosos e gulosos como os vermes que comem uma carcaça de um animal atropelado numa estrada, vamos consumindo esta obra que mais não faz do que lembrar-nos da nossa condição última de parasitas.
Ver no Google Maps.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Zeitgeist


O documentário Zeitgeist, produzido por Peter Joseph, deixou-me triste e zangado, mas não surpreendido. Este filme sobre a grande teoria da conspiração mesmo quando visto com um olhar de desconfiança deixa alguns bichinhos incómodos na nossa consciência. Apesar das duas horas de duração a narração alimenta a nossa curiosidade de tal modo que vemos o filme sem esforço.
O filme é distribuido pela net de forma gratuita e vendido em dvd sem margens de lucro. Não aceites o que vem no filme como a verdade. Pesquisa e procura porque a verdade não se ouve... descobre-se e percebe-se.
Aconselho o visionamento e a consulta do site oficial para contextualizar e compreender melhor o filme. Partilhei-o pelo google também na versão com legendas em português (que eu confesso que não vi).
terça-feira, novembro 20, 2007
Ter tudo para o caminho...
Ter tudo para o caminho...
Sim, porque é de um caminho que se trata e é esse caminho que é saboroso, que nos fica no paladar dos olhos. Conheço o Zé Miguel há muitos anos, desde as assembleias gerais de alunos nas belas artes, desde as visitas às casas de máquinas no centro comercial STOP onde construimos uma intimidade para além das tintas e das politicas. Ainda hoje somos confidentes apesar da distância que as estradas, mandadas construir por velhos inimigos, tentam encurtar.
O que me impressiona mais, o que sempre me impressionou, foi esse sentido de caminho, de processo continuado. O Gervásio é um pintor que trabalha muito, que se zanga, que lê tudo e que se zanga novamente, mas também se apaixona e zanga-se outra vez, sempre cuidadoso, atencioso, muito educado e no entanto, quem não o conhece entende-o como um gozão cruel incorrigível, quase ofensivo, que brinca com a cegueira de quem abre os olhos demais para não ver nada à frente.
A pintura do Gervásio anda ultimamente a fugir das palavras, sempre às voltas com as cores, que ele tão bem conhece, mas é também uma forma de escrita e re-escrita. Uma escrita secreta feita de códigos indecifráveis mas legíveis em que o palimpsesto parece sempre a chave para tudo mas que engana. Como se o que está por baixo da superfície fosse fundamental para a leitura e a cada camada revelada mais dúvidas surgissem. O Zé agora senta-se mais e os seus desenhos de viagem começam a aparecer na sua pintura. Por cima desses mapas de uma vida, dessas paisagens, lá está uma coisa dele, uma provocação, um outro desenho e assim se vai construindo uma imagem. Sobre papel, porque os papeis parecem mais gulosos e pedem sempre mais desenhos e as coisas vão-se fazendo e nunca se resolvem e depois porque sobre o papel imprime-se e o Gervásio é um impressor. As imagens, os desenhos que se repetem na impressão, podem ficar sempre diferentes e podemos sempre ver as coisas por outro lado, porque hoje toda a gente quer ver a mesma coisa pelo mesmo lado e o Zé Miguel gosta de tirar o tapete de baixo das pessoas todas empilhadas do mesmo lado a tentar ver as mesmas coisas. Há quem pense que falta lá o discurso político. Porque não sabem, não entendem, que o discurso se pode fazer com outras linguagens e que aquelas que mais falam são as que se afastam das palavras mais fáceis ou das palavras todas e que o sangue anda por debaixo da pele e corre furiosamente e poucas vezes o vemos até que alguém nos abre uma ferida.
A exposição está patente na Plumba, na Rua Adolfo Casais Monteiro, junto a Miguel Bombarda, até ao dia 15 de Dezembro.
segunda-feira, novembro 12, 2007
After all these years you still don't like us!

9 de Novembro de 2007, Carling Academy Brixton.
O concerto que nunca pensei vir a assistir... os Sex Pistols.
Fantasia da adolescência concretizada plenamente já em idade adulta.
Johnny Lydon voltou a ser Johnny Rotten para estes concertos na Brixton. A banda tocou o seu repertório do album "Never Mind the Bollocks, here's the Sex Pistols" de forma muito profissional mas, obviamente, sem a energia que as barriguinhas crescidas e a idade já não permitem.
Punks pais, punks filhos, outros menos punks, foram 5000 a assistir a um concerto em que Lydon foi igual a si próprio nos comentários polémicos entre as músicas. A tónica foi só uma "Nós somos Ingleses, vocês são Ingleses". Bocas para Tony Blair, para o treinador inglês Steve MacClaren - a lembrar o tristemente célebre Malcom MacClaren, primeiro manager da banda - tudo numa tónica nacionalista revolucionária sem se confundir com o nacionalismo de extrema direita.
Foi um concerto espectacular, numa sala cheia de rebeldes que, ao contrário dos Portugueses, aceitam bem o conceito de Não Fumar em espaços públicos fechados. Quem diria que se pode assistir a um concerto Punk Rock numa sala isenta de fumo... pois é... é possível e a malta divertiu-se à mesma!
A frase que me ficou na cabeça foi a última de Johnny Lydon "After all these years you still don't like us!". Já bem entradito na idade Lydon continua mimado e à espera de ser adorado pelo público mesmo depois de já ser uma lenda viva. Crise de meia idade que a gente desculpa vindo de quem vem.
Fica aqui um cheirinho feito com o telemovel... documento da minha presença mais do que qualquer outra coisa.
Punk is Not Dead, Long Live the Sex Pistols!
quarta-feira, setembro 19, 2007
sexta-feira, agosto 10, 2007
Um Mundo Catita

Quando se pensava que a comédia de ficção portuguesa era toda muito má - ver os exemplos dos canais nacionais e os seus falhanços sucessivos - eis que surge uma boa ideia!
"Um Mundo Catita", série de seis episódios co-produzida pela Pato Profissional e Indivídeo. Escrita e realizada por Filipe Melo e João Leitão.
Claro que teve de vir de fora das televisões e é bem verdade que pode muito bem nunca chegar às casas dos portugueses (o diabo seja cego, surdo e mudo!) - ainda não está vendida a nenhum canal - mas é uma lufada de ar fresco.
O Filipe Melo convidou-me para ser beta tester da série e vi, acompanhado por outros amigos, os seis episódios de seguida. Está neste momento ainda em fase de pós-produção mas já se adivinha um produto diferente. Na onda de "My name is Earl" (referência minha e não dos autores), episódios curtos e cheios de momentos divertidos com Manuel João Vieira (Ena Pá 2000 e Irmãos Catita) ao melhor nível.
Os episódios estão repletos de referências cinematográficas que vão agradar muito a uma audiência de jovens adultos e informados que até agora dependem da produção americana ou britânica para se rirem um pouco em frente a uma televisão. Alternativa nacional credível para séries como a já referida "My Name is Earl" ou "Curb Your Enthusiasm" ou a comédia britânica de domingo à noite no canal 2 -"The Office", "Extras", "Little Britain" ou "The League of Gentlemen" - espero sinceramente que este projecto tenha algum sucesso porque o merece. Seis episódios da vida atribulada de um personagem torturado pela nacionalidade portuguesa e todos os inconvenientes que lhe estão associados... muitas invejas e má língua, amores impossíveis, picos altos e baixos de auto-estima e muito álcool, assim como todas as características felizes deste pobre mas desenrascado povo afro-latino-europeu! Enfim, Manuel João Vieira um português a Catita que deveria ser o nosso Presidente...
"Um Mundo Catita" é uma produção independente que prova que as boas ideias não vêm das empresas mas sim das cabeças dos bons autores!
Página Oficial "Um Mundo Catita"
Blog "Um Mundo Catita"
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
repérage para um atentado 02
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
no fantas: Tetsuo, the Iron Man
Hoje vou ver o Tetsuo, the Iron Man mais uma vez!Fantasporto Rivoli, pequeno auditório pelas 17.15 h.
Não me canso do Shynia Tsukamoto e dos seus delírios cyberpunk.
Filme absolutamente fundamental para a história do cyberpunk japonês conta a história de dois homens que se cruzam num atropelamento e fuga. A metalofilia do atropelado pega-se como uma doença ao condutor e a partir daí o delírio ultrapassa as normais regras da imaginação. Pedaços de metal são expelidos do corpo como se de vulgares borbulhas se tratassem... estão a ver o esquema...
Sempre achei que as explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki tinham provocado mutações no DNA japonês... o resultado é um conjunto de filmes em que o corpo e a tecnologia se fundem numa única forma híbrida e cibernética. A violência e a loucura que resultam desta estranha mutação já deram muitos frutos e hoje o cinema japonês é um misto de pós-modernismo e tradição prtaicamente sem paralelo no cinema ocidental.
Muita atenção também às criações da Coreia do Sul (por ex: Kim Ki Duk e Chan-Wook Park) e de Hong Kong.
Bons filmes.
Gosto Duvidoso, um blog do fundo
Duvidoso, ou nem tanto assim, é o gosto deste blog (colaboração de sangue) do mano Fundo mais novo.
Quem o conhece sabe que aquilo até chateia... é ouvinte profissional e sabe tudo, tudo mesmo!
O blog é óptimo porque ele (fundo júnior) actualiza-se por nós... manda uns links para uns arquivos rar com os discos mas o melhor mesmo é usar torrents... podia por aqui os links todos mas dá muito trabalho. De qualquer modo tudo o que sai com interesse acaba por aparecer pelo blog. Vou tentar contribuir mas não acompanho o ritmo dele... para além de que o meu gosto é mais do que duvidoso.
Consultem e ouçam música, muita música. E já agora... comprem discos (eu sei que é uma roubalheira) daquilo que gostam realmente... nem que seja online.
Quanto ao vinil, como tanto gosta o mano fundo, parece-me excessivo... mas está bem, todos temos direito a uma mania saudosista.
Gosto Duvidoso
Quem o conhece sabe que aquilo até chateia... é ouvinte profissional e sabe tudo, tudo mesmo!
O blog é óptimo porque ele (fundo júnior) actualiza-se por nós... manda uns links para uns arquivos rar com os discos mas o melhor mesmo é usar torrents... podia por aqui os links todos mas dá muito trabalho. De qualquer modo tudo o que sai com interesse acaba por aparecer pelo blog. Vou tentar contribuir mas não acompanho o ritmo dele... para além de que o meu gosto é mais do que duvidoso.
Consultem e ouçam música, muita música. E já agora... comprem discos (eu sei que é uma roubalheira) daquilo que gostam realmente... nem que seja online.
Quanto ao vinil, como tanto gosta o mano fundo, parece-me excessivo... mas está bem, todos temos direito a uma mania saudosista.
Gosto Duvidoso
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
de volta pelo Fantas

Estou de volta, mais de seis meses depois. As promessas de regularidade no blog ficarão sempre curtas e insípidas... não sou propriamente de confiança e sou muito, muito mesmo, preguiçoso.
Vem este regresso a propósito do Fantasporto. O maior festival de cinema português. O festival com mais público, com mais cobertura mediática, com mais filmes – dos bons e dos maus – e com menos cobertura dos ditos críticos de cinema deste país.
Todos os anos um grupo enorme de amigos vem de Lisboa para ver o Fantasporto, para viver no Porto por uma semana. Todos os anos, por uma semana, nunca me sinto verdadeiramente sozinho. Sinto-me em casa com os filmes e com os meus amigos, os meus amigos de Lisboa. Desancamos em quase todos os filmes, esgotamos stocks de SuperBock, causamos embaraços ao Mario e à Beatriz com os quais eles raramente se incomodam e conhecemos o Dario Argento pelo meio.
Esta malta que vem de Lisboa – o António, o Filipe, o Fred e muitos outros – sabe muito de filmes. Envergonharia qualquer crítico convidado pela TVI para comentar os Oscars. Debita informação sobre a produção cinematográfica portuguesa e internacional a uma velocidade estonteante e tem uma postura crítica fundamentada e pertinente. O Fantas é uma festa e para nós é quase um vício como o cinema. Nós estamos por lá a partir de sexta-feira a viver mais uma semana memorável.
Mas ainda assim os críticos de cinema – de Lisboa, porque essas profissões só podem existir em Lisboa e quem não morar em Lisboa nunca será realmente importante para o país – raramente vêm ao Porto para ver o Fantas. Volta e meia lá aparece um ou outro, sempre muito vaidosos gostam de ser centro das atenções, gostam de ser estrelas. A SIC patrocina o Fantas mas o seu canal Radical pouco ou nada se vê no festival do cinema fantástico. Entretanto inicia mais um qualquer passatempo sobre a Playstation ou então põe dois tipos ridículos a confessarem que se deslocam aos EUA para assistir a eventos de wrestling!!?? Os críticos de cinema radicais falam dos filmes do Fantas um ano ou mais depois quando compram, ou melhor, lhes oferecem os packs DVD. Para eles a Troma é conhecida pelo programa de televisão e o Takashi Miike deve ser um lutador da WWE. Pronto, estou a ser mau e exagerado eu sei, mas a realidade não anda muito longe.
Vamos ao que interessa.
O Pré-Fantas começa hoje. A arrancar, um conjunto de filmes de super-heróis ocupa durante esta primeira semana o Grande Auditório do Rivoli. A destacar, o Homem Aranha de Sam Raimi, Sin City de Robert Rodriguez (com uma perninha do Tarantino) e o Hellboy do Guillermo del Toro - atenção a Pan's Labyrinth na abertura oficial do festival. De qualquer dos modos, quem não viu estes filmes no grande ecran que faça o favor de os ir ver porque o ecran de lá de casa com certeza que não é a mesma coisa.
No Pequeno Auditório... as peŕolas! Uma semana a não perder.
Bill Plymptom a todo o vapor, animação da melhor qualidade. Desenhos a lápis à moda antiga, ritmo estonteante e mutações, muitas mutações. Vejam todos, incluindo as curtas.
O génio de Shynia Tsukamoto, com especial atenção a Tetsuo - imperdível delírio cyberpunk, anos-luz à frente dos mais radicais videoclips do Chris Cunningham - e Vital, um filme lindíssimo em termos de composição e cor, que mostra Tsukamoto como um fantástico e maduro director de fotografia e realizador. Mestre insuspeito do mise-en-scène japonês em todo o seu esplendor.
Kim Ki Duk - The Isle, Bow, Bad Guy, etc. - é outro realizador a acompanhar. Com um ritmo próprio do oriente as suas histórias de amor nunca são convencionais e revelam sempre um realismo dos sentimentos humanos só comparável com a fantasia e irrealismo dos seus argumentos. Poético e terrível Kim Ki Duk deixa-nos tão apaixonados como chocados com o que vemos na grande tela.
Mais para a frente na semana mando umas bocas sobre os filmes da selecção oficial.
Vão ao Fantasporto!
Pré-Fantas de 19 a 22 de Fevereiro.
Fantasporto de 23 a 5 de Março no Rivoli - Teatro Municipal (ainda).
quarta-feira, junho 28, 2006
dois desenhos
dois desenhos
frente a frente,
zangados,
à espera que alguém os olhe
vão-se zangando
um com o outro.
um é mais bonito,
acreditam alguns,
mas ninguém tem a certeza
sobretudo porque poucos,
ou nenhuns,
realmente olharam para eles.
acontece às vezes com os desenhos...
zangarem-se.
frente a frente,
zangados,
à espera que alguém os olhe
vão-se zangando
um com o outro.
um é mais bonito,
acreditam alguns,
mas ninguém tem a certeza
sobretudo porque poucos,
ou nenhuns,
realmente olharam para eles.
acontece às vezes com os desenhos...
zangarem-se.
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